Pesquisar em Antropoide News

Mostrando postagens com marcador Django. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Django. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Djaaaaaaaaaangooooooooooooooooooooooo



Os mocinhos: O Dr. King Schultz e Django preparando uma emboscada nas montanhas

Sim, a música do argentino Luis Bacalov continua a ecoar em meu ouvido. Foi o tema de abertura de 'Django', o  original de Sergio Carbucci, de 1966 e é também deste  já clássico contemporâneo filme chamado  "Django Livre'. Lembro-me que em uma conversa informal com o  Professor Doutor Roberto Elisio dos Santos, chegamos à conclusão de que depois de 'Os Imperdoáveis', de Clint Eastwood, nunca mais veríamos um  grande western nas telonas. Estávamos enganados, pois Quentin Tarantino teve culhão para trazer novamente o 'bang bang' de volta das cinzas, como um italiano louco chamado Sergio Leone fez nos anos 60.  

O roteiro é rápido, sagaz e inteligente e todas as referências de Tarantino estão neste filme, em que, pelo menos em minha opinião, ele ameniza a violência de seus filmes anteriores. Lembramos de "Laranja Mecânica", de Kubrick,  ou  '... E o Vento Levou', de Victor Fleming, a 'Shaft', de Gordon Parks, toda a cultura cinematográfica de Quentin está lá, ou seja, grande parte do que o cinema já produziu, de melhor ou pior. O mais incrível de tudo, é que ela está fresca e revigorada, como se esses outros filmes nunca existissem. Bom, vamos ao filme. 


Os caras maus: Stephen (para os  íntimos  Uncle Ben's) e Mounsier Candie 



Django (Jamie Foxx muito bom) é um escravo que é comprado pelo Dr. King Schultz (Christopher Waltz surpreendendo novamente - eu desconfio que o nome de seu personagem seja inspirado no alemão que salva Carlitos em 'O Grande Ditador'), um dentista que se transformou em um caçador de recompensas. Juntos, eles formam uma dupla que caça diversos bandidos no inverno do velho oeste. Mas Django pretende resgatar sua mulher, que está na fazenda de Calvin Candie (Leonardo DiCaprio mostrando que é um grande ator e sua atuação, é sem dúvida, um dos pontos altos do filme), um maléfico 'sinhô', dono da maior plantação de algodão do Mississípi. Tem como criado fiel Stephen (Samuel L. Jackson, a cara do 'Uncle Ben's', mas estrondosamente maravilhoso, em um dos melhores papéis de sua carreira), um velho negro responsável pela criadagem da casa. Já resumi bastante o que é o filme, agora vamos voltar para algumas referências técnicas.


E além deste fantástico elenco, Tarantino traz de volta às telonas grandes atores que estavam sumidos (e esquecidos), como Bruce Dern, em um extensivo close-up merecido, Don Stroud, o velho surfista que não fazia um grande filme desde '007- Permisão Para Matar', Tom Wopat, o eterno Luke Duke de 'Os Gatões', Robert Carradine, que junto dos irmãos David e Keith , estrelou  'Cavalgada dos Proscritos', um dos últimos suspiros do gênero, dirigido pelo grande Walter Hill e Michael Parks, seu parceiro desde 'Um Drink No Inferno'. Mas sem dúvida nenhuma, as participações mais marcantes são a de Don Johnson, o eterno Sonny Crockett de 'Miami Vice', que se tornou melhor ator ainda com o tempo, interpretando o sulista "Big Daddy" e claro, Franco Nero, o verdadeiro 'Django', com seus grandes olhos azuis e sua presença marcante, trava um diálogo rápido com o novo 'Django'.  Além disso, a cenografia e os figurinos são esplêndidos. A fotografia fica a cargo d o três vezes ganhador do Oscar, Robert Richardson, parceiro constante de Tarantino, Scorsese e Oliver Stone, que faz um trabalho com a lá Lucien Ballard, fotografo de diversos westerns clássicos. Os closes nos pés e o ponto de vista do morto, marcas de Quentin Tarantino estão presentes também em 'Django Livre'. 
O presente e o passado: Jamie Foxx e Franco Nero (na foto ao alto em 'Django', de 1966), os Djangos de hoje e ontem. 


Eu ainda acho que 'Cães de Aluguel' (que já completou 20 anos!) e 'Pulp Fiction' (que no próximo ano completa 20 anos!) são as melhores coisas que Tarantino filmou e 'Django Livre' com certeza entrará no hall, sendo o meu terceiro filme favorito do diretor. Também não é o melhor western já feito, Nem é 'Era Uma Vez no Oeste', de Leone, nem 'O Homem Que Matou o Facínora', de John Ford, mas é um ótimo bang bang, como há muito tempo não se fazia. Ah, 'Django Livre' também tem a tradicional ponta de Quentin Tarantino e bem nessa hora, durante a projeção,  três garotos sentados algumas cadeiras a frente da minha conversavam entre si e perguntavam um ao outro se aquele era Tarantino, o diretor do filme. E agora, por meio deste texto, eu  respondo: "Sim rapazes, este é o Tarantino, que por enquanto é o último cineasta inovador de Hollywood. Acho que ele realizou uma apresentação inesquecível para vocês, não é?" Acho que agora vai ser difícil de eles esquecerem o nome e o rosto de Quentin Tarantino, o eterno garoto da vídeo locadora, que é sem dúvida nenhuma a maior escola para cineastas. 

domingo, 20 de janeiro de 2013

Quando os cowboys comiam espaguete

Os dois Djangos: Jamie Foxx e Franco Nero, os protagonistas de ambas versões de Django

Estreou na última sexta-feira  ‘Django Livre’. Dirigido por Quentin Tarantino, o longa é uma homenagem que o cineasta faz para o spaghetti western, ou como chamávamos por aqui, o “bang bang à italiana” e além disso, um tributo a Sergio Corbucci e Franco Nero (que faz uma ponta em ‘Django Livre’), o diretor e o astro de ‘Django’, de 1966, que introduziu um herói trágico ao ciclo de faroestes italianos. O pistoleiro Django, que arrasta um caixão por onde vai,  busca vingança, diferente do “homem sem nome” interpretado por Clint Eastwood na “Trilogia dos Dólares” (Por Um Punhado  de Dólares – 1964, Por Uns Dólares a Mais – 1965 e Três Homens em Conflito – 1966), todos dirigidos por Sergio Leone, que é para mim, o maior cineasta de todos os tempos, pois inovou nas técnicas de filmagem (os closes nos olhos são magníficos e uma das melhores coisas já feitas no cinema), trazendo para o público algo inédito (nem tanto, pois 'Por Um Punhado de Dólares' é uma refilmagem disfarçada de 'Yojimbo', de Akira Kurosawa),  e impactante e que principalmente contrastava a maneira cansada que o gênero vinha sendo tratado nos Estados Unidos. Além disso introduzia a fantástica trilha sonora do genial Ennio Morricone, o maestro dos maestros.

O curioso é que podemos considerar como marco inicial do spaghetti western  o filme americano ‘Sete Homens e Um Destino', de 1960 e com direção de John Sturges, que também é inspirado em uma película de Akira Kurosawa, no caso 'Os Sete Samurais'.  Outra curiosidade é que esse momento histórico do cinema revelou e redescobriu grandes astros, americanos ou italianos, como os já citados Clint Eastwood e Franco Nero, o ex-nadador olímpico Bud Spencer, Mario Girotti, mais conhecido pelo público como Terence Hill e ainda mais famoso pelo nome Trinity (e que estrelou  algumas continuações não oficiais de Django), Giuliano Gemma (herói de 'O Dólar Furado', filme que fez o spaghetti western se tornar popular no Brasil), Gian Maria Volonté, que depois se tornou símbolo do cinema político europeu e também um ítalo-brasileiro, que estrelou tanto como Django ou como Sartana (ambos continuações não oficiais), Anthony Steffen, ou Antônio De Tefé (falecido no Rio de Janeiro em 2004), homem de sangue nobre, bisneto do barão de Tefé. Todos são heróis que povoam o imaginário do público até hoje.

Anthony Steffen - o cowboy ítalo-brasileiro


Mas vamos voltar  a ‘Django Livre’, filme que já está causando polêmica (Spike Lee criticou o tratamento que Tarantino dá à escravidão americana; acredito que seja pura dor de cotovelo e um artificio que Lee está usando para aparecer) e é uma chance de (re)descobrir um gênero que atraia multidões às salas de cinema do mundo todo. Após essa minha longa introdução, faço uma lista de cinco faroestes que duvido que você assistiu, mas que se não viu, vale a pena conhecer, mesmo não sendo grandes filmes e sim, curiosidades, sendo a maioria grandes sátiras. Eis os cinco escolhidos:

1 -  Charro! (Idem, EUA, 1969) -  Jess Wade, um pistoleiro americano,  tem de lutar contra sua antiga gangue que roubou um canhão banhado a ouro usado pelo Imperador Maximiliano (que quase foi genro de Dom Pedro I) em sua luta contra Benito Juaréz, lider popular e presidente deposto durante a fundação do Império Mexicano.  Além disso, Jess tem que proteger uma cidade mexicana que está sendo ameaçada pela gangue, que dispara o canhão para assustar os membros do povoado.

Genuinamente americano, era para ser talvez uma resposta ao spaghetti western, produzida pelo canal de televisão NBC e estrelada pelo ‘Rei’ do Rock, Elvis Presley. Mas tudo foi por água abaixo. Dirigido por um cineasta experiente (e medíocre) em faroeste, Charles Marquis Warren, que tem a mão pesada e quase foi baleado (acidentalmente) por Elvis.

'Charro!’ é lento, apesar da tentativa de Elvis fazer um personagem sério, com uma barba a lá Eastwood, possui diálogos banais (com certeza foi uma mãozinha no roteiro do Cel. Tom Parker) e só é uma curiosidade. Um detalhe, é o único filme em que  Elvis Presley não aparece cantando.

2 -  Shalako ( Idem, Grã-Betanha/Alemanha,  1968) -  Um faroeste inglês e  ainda estrelado por  James Bond e  o grande símbolo sexual da época, Brigitte Bardot . Uma bela ideia que não deu muito certo.

Sean Connery é Shalako, um cowboy que resgata a Condessa Irina de um ataque indígena e ajuda aristocratas europeus a se manterem vivo no territórrio apache.
Apesar de ter causado alvoroço na mídia e possuir um bom elenco e um renomado diretor ( Edward Dmytryk), o filme não emplaca e nem é convincente. Vamos falar a verdade, é difícil acreditar em um cowboy escocês.

'Shalako' é repleto de curiosidades, a primeira delas é que para estrelá-lo, Sean Connery rescindiu seu contrato para interpretar 007, pois queria explorar novos horizontes em sua carreira. A segunda é que Brigitte Bardot preferiu realizar este filme, do que ser a bondgirl em '007 – A Serviço Secreto de Sua Majestade', o único da série estrelado por George Lazenby. Após o fiasco de 'Shalako' e de Lazenby, Sean Connery recebeu o salário mais alto da época e retornou a franquia mais famosa do cinema para seu ato final como James Bond. 


3 - Os Reis do Faroeste  (The Outlaws Is Coming, EUA, 1965) -  Após o sucesso dos curta-metragens dos Três Patetas na televisão, a Columbia Pictures produziu  seis  filmes com "o trio mais biruta da tela" e exatamente 'Os Reis do Faroeste' é o último deste período. Moe Howard, Larry Fine e Curly Joe, o último terceiro pateta, que fez um bom trabalho substituindo os ótimos Shemp e Curly Howard e o sem graça Joe Besser, são o ajudantes de Kenneth Cabot (interpretado por Adam West, o Batman do seriado cult dos anos 60), editor de uma revista que decide investigar uma gangue que matou todos os bufalos para irritar os índios e  destruiu com a Cavalária Americana. Chegando ao oeste, Kenneth é nomeado xerífe acidentalmente e  os Três Patetas se envolvem nas maiores confusões com os bandidos. 

Cheio de sátiras a outros filmes e raro de ser exibido (me lembro de ter passado em 1996 na TV Gazeta e sei de alguns colecionadores que possuem as  cópias em 16 mm)  aqui no Brasil,  'Os Reis do Faroeste' é a despedida das telas de cinema de um dos grupos humorísticos mais querido em todos os tempos.  Alguns anos depois, Larry Fine sofreria um derrame e Moe Howard seria vítima de um câncer de pulmão. Era o fim de seis décadas do mais fino humor pastelão, que sem dúvida alguma deixou muitas saudades, inclusive neste que vos escreve.

4 - Uma Pistola Para Djeca (Brasil, 1969) - Muito antes de Tarantino, o grande Ary Fernandes, o criador de "O Vigilante Rodoviário", dirigiu esse roteiro de Amácio Mazzaropi, onde ele interpreta Gumercindo, um homem que tem a filha seduzida pelo filho de seu patrão, o dono de uma grande fazenda, que não se casa com a moça e acaba abandonando o filho.  Quando a criança cresce, se torna alvo de piadas por não ter pai  e Gumercindo é despedido da fazenda, o que o obriga a se unir a fazendeiros vizinhos para a vingança.

Comédia que possui pitadas de trágedia, se tornando mais um dos grandes sucessos de Mazzaropi, trazendo em seu título uma refêrencia explicita a 'Django', mostrando o impacto que o spaghetti western teve no mundo todo, inclusive no Brasil.

5 -  Cactus Jack - O Vilão (The Villain, EUA, 1979) -  No velho oeste, um bandido atrapalhado que se veste todo de preto conhecido como Cactus Jack, o vilão, é contratado para roubar Charming Jones, uma moça que está indo buscar uma grande quantia de dinheiro. Mas além de ser um bandido trapalhão, Cactus  Jack não contava com a presença do  xerife "Bonitão" Strange, o responsável por proteger Charming durante esta viagem arriscada.


Uma sátira aos antigos "bang bangs", dirigida por Hal Needham, de 'Agarre-me Se Puderes' e estrelada por Kirk Douglas (Cactus Jack), Ann - Margret (Charming Jones) e Arnold Schwarzenegger ("Bonitão" Strange), em começo de carreira. A intensão do diretor e dos roteiristas é homenagear o desenhos antigos da Warner Brothers, principalmente o "Papa - Léguas", com Cactus Jack representando a figura do Coiote.