Pesquisar em Antropoide News

Mostrando postagens com marcador O Drive-In do Antropoide. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador O Drive-In do Antropoide. Mostrar todas as postagens

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Quando o jogo é bem jogado, a tacada pode ser certeira

O cartaz do filme, que segundo a Cinemateca Brasileira, é de autoria  do diretor teatral Elias Andreato

O feltro de uma mesa de sinuca. Um pano verde onde sonhos são expostos e a malandragem muitas vezes é exposta ao seu ápice. Dependendo da sorte e do seu talento no taco, você até pode se dar bem. Mas se o azar te pegar, suas chances são mínimas e tudo pode ser perdido. E é mais ou menos sobre isso que 'O Jogo da Vida', filme dirigido em 1977 por Maurice Capovilla e baseado em um conto do livro de mesmo nome, 'Malagueta, Perus e Bacanaço', de João Antônio, ganhador do Prêmio Jabuti de Revelação e Melhor Livro de Contos em 1963, trata. Um filme que talvez não seja tão conhecido, mas que é um dos retratos mais humanos de nosso cinema.

Em 'O Jogo da Vida', acompanhamos uma noite na vida de três malandros do subúrbio de São Paulo - Malagueta (Lima Duarte), um faminto apostador, batedor de carteiras e morador de alguma favela paulistana, Perus (Gianfrancesco Guarnieri), ex-funcionário de uma fábrica de cimento que decide ganhar a vida por meio do seu talento como jogador, e de Bacanaço (Maurício do Valle), um sujeito metido a malandro, mas que se deu mal em seus outros golpes - e sua procura por vítimas, possíveis perdedores, pelos salões de sinuca mais barras-pesadas.  Por meio de flash-backs vamos descobrindo quem são esses três homens e o porquê de o destino tê-los levado a esse estilo de vida, em que se ganha e perde com muita facilidade.
Uma das edições do livro com capa baseada no filme.

O trio de atores que dão vida a esses anti-heróis paulistanos realizam um trabalho magnífico, obtendo verdade e sensibilidade de maneira certa, sem nunca exagerarem no tom. Lima Duarte, em um papel destinado a Grande Otelo, está chapliniano, Guarnieri é a realidade, o equilíbrio entre os três e Maurício do Valle, um dos símbolos do Cinema Novo, dá seu toque de leveza ao mais obscuro dos personagens principais. O elenco de coadjuvantes se dá ao luxo de ter Joffre Soares como um dos otários que o grupo engana, Antônio Petrin como um malandro que cobra um tipo de pedágio entre os jogadores, Maria Alves como namorada de Bacanaço. A baiana Martha Overbeck Bastos é a irmã de Perus e Myrian Muniz é a companheira de Malagueta, uma figura muito ímpar e mais um dos pontos positivos de 'O Jogo da Vida'.  Por esse papel, Myrian recebeu o Kikito de Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Gramado de 1978. 'O Jogo da Vida' ainda tem participações especiais de grande jogadores de bilhar da época, como o lendário Carne Frita e Joaquinzinho, o pato da cena final .


Maurice Capovilla já planejava levar o conto para as telas de cinema desde os anos 60, e juntamente com Gianfrancesco Guarnieri escreveu os diálogos, enquanto João Antônio fez uma revisão final. O roteiro, que é inteligentíssimo, se torna ainda melhor através da improvisação do elenco. Capovilla não erra a mão como diretor, colocando-se como mais um espectador da vida desses personagens. Em nenhum momento ele julga ou politiza os personagens. Também não “glamouriza” e nem torna a miséria um espetáculo, mostrando que é possível viver dessa forma marginal. Dib Lufti, hoje afastado do cinema por conta do Mal de Alzheimer, é primoroso com a fotografia, que é na minha opinião, uma das melhores, senão a melhor, do cinema brasileiro, tirando proveito dos neons da já tão depravada Rua Augusta e dos bares da Zona Oeste paulistana. É incrível como em momentos em que a luz é mais escura, como em alguns salões de sinuca, sua fotografia nos transporta para aquele ambiente, dando a sensação de que estamos dentro do filme, observando sob o mesmo ponto de vista que Malagueta, Perus e Bacanaço. Outra coisa bastante agradável em 'O Jogo da Vida' é a música do Maestro Radamés Gnatalli e as duas músicas de Aldir Blanc e João Bosco, 'O Jogador' e 'Tabelas', que realizam um casamento perfeito entre a trilha sonora e a imagem. Segundo Maurice Capovilla em sua autobiografia 'A Imagem Crítica', escrita com base em depoimentos ao crítico Carlos Alberto Mattos, as duas canções foram compostas antes que a dupla assistisse ao filme, durante várias partidas (e algumas cervejas) disputadas entre ele, João Antônio, Aldir Blanc e João Bosco em uma sinuca do Rio de Janeiro.

Capa do compacto que contém as duas músicas  do filme.


Se o cinema americano tem 'Desafio à Corrupção' como o filme definitivo sobre bilhar e sinuca, não ficamos devendo em nada, porque 'O Jogo da Vida' é um filme sublime, lírico, uma verdadeira poesia cinematográfica, que nos emociona e que 36 anos depois, continua atual, pois nesses últimos tempos, apesar de certos avanços em algumas áreas, a pobreza, as favelas, o desemprego e outros problemas urbanos só se multiplicaram e continuam deixando grande parte da população à margem de uma vida digna, ou seja, é cada vez mais difícil conseguir dar a tacada certeira.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Djaaaaaaaaaangooooooooooooooooooooooo



Os mocinhos: O Dr. King Schultz e Django preparando uma emboscada nas montanhas

Sim, a música do argentino Luis Bacalov continua a ecoar em meu ouvido. Foi o tema de abertura de 'Django', o  original de Sergio Carbucci, de 1966 e é também deste  já clássico contemporâneo filme chamado  "Django Livre'. Lembro-me que em uma conversa informal com o  Professor Doutor Roberto Elisio dos Santos, chegamos à conclusão de que depois de 'Os Imperdoáveis', de Clint Eastwood, nunca mais veríamos um  grande western nas telonas. Estávamos enganados, pois Quentin Tarantino teve culhão para trazer novamente o 'bang bang' de volta das cinzas, como um italiano louco chamado Sergio Leone fez nos anos 60.  

O roteiro é rápido, sagaz e inteligente e todas as referências de Tarantino estão neste filme, em que, pelo menos em minha opinião, ele ameniza a violência de seus filmes anteriores. Lembramos de "Laranja Mecânica", de Kubrick,  ou  '... E o Vento Levou', de Victor Fleming, a 'Shaft', de Gordon Parks, toda a cultura cinematográfica de Quentin está lá, ou seja, grande parte do que o cinema já produziu, de melhor ou pior. O mais incrível de tudo, é que ela está fresca e revigorada, como se esses outros filmes nunca existissem. Bom, vamos ao filme. 


Os caras maus: Stephen (para os  íntimos  Uncle Ben's) e Mounsier Candie 



Django (Jamie Foxx muito bom) é um escravo que é comprado pelo Dr. King Schultz (Christopher Waltz surpreendendo novamente - eu desconfio que o nome de seu personagem seja inspirado no alemão que salva Carlitos em 'O Grande Ditador'), um dentista que se transformou em um caçador de recompensas. Juntos, eles formam uma dupla que caça diversos bandidos no inverno do velho oeste. Mas Django pretende resgatar sua mulher, que está na fazenda de Calvin Candie (Leonardo DiCaprio mostrando que é um grande ator e sua atuação, é sem dúvida, um dos pontos altos do filme), um maléfico 'sinhô', dono da maior plantação de algodão do Mississípi. Tem como criado fiel Stephen (Samuel L. Jackson, a cara do 'Uncle Ben's', mas estrondosamente maravilhoso, em um dos melhores papéis de sua carreira), um velho negro responsável pela criadagem da casa. Já resumi bastante o que é o filme, agora vamos voltar para algumas referências técnicas.


E além deste fantástico elenco, Tarantino traz de volta às telonas grandes atores que estavam sumidos (e esquecidos), como Bruce Dern, em um extensivo close-up merecido, Don Stroud, o velho surfista que não fazia um grande filme desde '007- Permisão Para Matar', Tom Wopat, o eterno Luke Duke de 'Os Gatões', Robert Carradine, que junto dos irmãos David e Keith , estrelou  'Cavalgada dos Proscritos', um dos últimos suspiros do gênero, dirigido pelo grande Walter Hill e Michael Parks, seu parceiro desde 'Um Drink No Inferno'. Mas sem dúvida nenhuma, as participações mais marcantes são a de Don Johnson, o eterno Sonny Crockett de 'Miami Vice', que se tornou melhor ator ainda com o tempo, interpretando o sulista "Big Daddy" e claro, Franco Nero, o verdadeiro 'Django', com seus grandes olhos azuis e sua presença marcante, trava um diálogo rápido com o novo 'Django'.  Além disso, a cenografia e os figurinos são esplêndidos. A fotografia fica a cargo d o três vezes ganhador do Oscar, Robert Richardson, parceiro constante de Tarantino, Scorsese e Oliver Stone, que faz um trabalho com a lá Lucien Ballard, fotografo de diversos westerns clássicos. Os closes nos pés e o ponto de vista do morto, marcas de Quentin Tarantino estão presentes também em 'Django Livre'. 
O presente e o passado: Jamie Foxx e Franco Nero (na foto ao alto em 'Django', de 1966), os Djangos de hoje e ontem. 


Eu ainda acho que 'Cães de Aluguel' (que já completou 20 anos!) e 'Pulp Fiction' (que no próximo ano completa 20 anos!) são as melhores coisas que Tarantino filmou e 'Django Livre' com certeza entrará no hall, sendo o meu terceiro filme favorito do diretor. Também não é o melhor western já feito, Nem é 'Era Uma Vez no Oeste', de Leone, nem 'O Homem Que Matou o Facínora', de John Ford, mas é um ótimo bang bang, como há muito tempo não se fazia. Ah, 'Django Livre' também tem a tradicional ponta de Quentin Tarantino e bem nessa hora, durante a projeção,  três garotos sentados algumas cadeiras a frente da minha conversavam entre si e perguntavam um ao outro se aquele era Tarantino, o diretor do filme. E agora, por meio deste texto, eu  respondo: "Sim rapazes, este é o Tarantino, que por enquanto é o último cineasta inovador de Hollywood. Acho que ele realizou uma apresentação inesquecível para vocês, não é?" Acho que agora vai ser difícil de eles esquecerem o nome e o rosto de Quentin Tarantino, o eterno garoto da vídeo locadora, que é sem dúvida nenhuma a maior escola para cineastas. 

Preparem os lenços (ou "Cinco filmes que fazem qualquer homem chorar")

Nem o maléfico George W. Bush resistiu quando viu os filmes da nossa lista; chorou como um bebê. 


Uma das melhores maneiras de fazer alguém se emocionar, principalmente as mulheres, é colocando um filminho água com açúcar, aqueles romances bem paupérrimos, como o clássico 'Love Story', de Arthur Hiller. Acho que os casos mais recentes de filmes que fazem  as menininhas do público irem as lágrimas, foram a tal 'Saga Crepúsculo' e há alguns anos atrás 'Titanic'. Mas e os homens? Quando eles choram indo ao cinema? 

Às vezes, nós, os homens, deixamos nosso lado "macho" à deriva. Nos esquecemos da cerveja, do futebol e tendemos a ser mais sentimental, principalmente quando o assunto é a amizade, companheirismo e superação. O homem em si precisa de momentos de ternura e mesmo o mais durão dos durões chora. E quando os machões assistem aos cinco filmes abaixo, eles dispensam a tarefa de cortar cebola, porque é choro na certa.

1 - Sindicato de Ladrões (On The Waterfront, 1954, EUA) -  O ex-pugilista Terry Malloy (Marlon Brando no melhor trabalho de sua carreira) atrai o jovem Joey Doyle  até um telhado. Lá, dois capangas do 'chefão' do Sindicato, Johnny Friendly (Lee J. Cobb), empurram o Doyle para a morte, pois ele iria delatar os integrantes do Sindicato. Terry, que achava que os rapazes de Friendly  apenas dariam uma 'coça'  em Joey, fica com  peso na consciência e no dia seguinte é procurado por dois membros da comissão que apura os crimes que ocorrem próximo ao cais, mas ele não diz nada.  Logo após esses acontecimentos, Terry conhece Edie Doyle (Eva Marie Saint), irmã do falecido, e se apaixona por ela. Após algumas conversas com o Padre Barry (o sempre maravilhoso Karl Malden), Terry fica em dúvida se deve delatar  Johnny Friendley e  principalmente seu irmão, Charley Malloy (o incrível Rod Steiger), que é o advogado do Sindicato.   

Sucesso de crítica e público, foi inspirado em um artigo vencedor do Pulitzer. Arthur Miller e Elia Kazan começaram a escrever o roteiro de 'Sindicato de Ladrões', mas  após Kazan ter delatado companheiros do partido comunista ao Comitê de Investigações de Atividades Anti-Americanas, Miller deixou o projeto e a amizade entre os dois nunca mais foi a mesma. Budd Schulberg reescreveu toda a história. Podemos dizer que o diretor  busca por sua redenção e o personagem de Marlon Brando,  Terry Malloy, pode ser visto como um alter-ego do diretor, ou seja, alguém que procura o perdão, principalmente após se apaixonar por Edie. 

Em resposta a 'Sindicato de Ladrões', Miller escreveu  'Panorama Visto da Ponte', peça maldita, que também narra a história de um estivador do cais de Nova York acusado de delação. Seria Eddie uma personificação de Kazan? Talvez.  Em 1964, Kazan e Miller fazem as pazes e montam na Broadway 'Depois da Queda'. 

Por que faz os homens chorarem? - Porque todo homem já sofreu das mesmas dúvidas que Terry Malloy  sofre, ou em algum momento da vida já se questionou, como na  cena do automóvel, em que Brando diz a famosa frase:  - Eu poderia ter sido alguém!


2 - Era Uma Vez Na América (Once Upon A Time In America, 1984, Itália/ EUA) - O testamento de Sergio Leone, talvez o maior cineasta de todos os tempos.  A história de amizade entre quatro garotos judeus, pequenos trombadinhas, que crescem  e se transformam em mafiosos  respeitados. Traições e reviravoltas marcam a história dos amigos e já mais velho, David 'Noodles" Aaronson (Robert De Niro em uma de suas interpretações mais contidas, sem o seu exagero habitual) retorna ao bairro do Brooklyn e relembra a história de ascensão e queda de seu bando. 

Era Uma Vez Na América estreou em Cannes em 1984, na sua versão original de 229 minutos, mas Ladd Company, estúdio responsável pela produção, lançou nos cinemas americanos uma versão de apenas 144 minutos, o que fez  o filme ser um fracasso de público e crítica. Em 2012 foi lançado da maneira que Leone desejava, com mais de 269 minutos. Há uma história sobre um crítico que escreveu que ao ver a versão editada considerou o filme era o pior de 1984.  Anos depois, ele viu ao original e considerou a melhor produção cinematográfica dos anos 80. E realmente 'Era Uma Vez Na América' é o que houve de melhor no cinema naquela década e também um dos melhores filmes de gangsters já produzido, rivalizando diretamente com 'O Poderoso Chefão', filme que Sergio Leone não aceitou dirigir e se arrependeu depois. Mas após assistir 'Era Uma Vez na América', acho que você o perdoará por essa decisão.

Por que faz os homens chorarem? - Porque todas as amizades tem altos e baixos e anos depois um bom papo pode resolver tudo, como acontece com 'Noodles' e 'Max' Bercovicz (James Woods em seu primeiro papel de destaque). Além disso, ninguém na história do cinema nos deu imagens tão poéticas como Sergio Leone, que novamente se aliou a Ennio Morricone e criou um dos maiores épicos de todos os tempos.

3 - Um Sonho de Liberdade ( The Shawshank Redemption, 1994, EUA) -  Dramático, delicado e cômico em alguns momentos. Depois de 'O Poderoso Chefão', é o filme preferido do público americano. Baseado em um conto curto de Stephen King, tem a direção e o roteiro de Frank Darabont, ná época estreando nas telonas.

Andy Dufresne (Tim Robbins) é condenado a prisão perpétua pelo assassinato do sua esposa e amante e é levado a Prisão de Shawshank, apesar de sua inocência. Lá ele faz amizade com Ellis "Red" Redding (Morgan Freeman), também condenado a prisão perpétua e  um dos responsáveis pela 'muamba' que chega  ao local. Com o passar dos anos Andy vai melhorando as condições de vida dos presidiários e paralelamente vai ajudando o Diretor da Penitenciária em seus negócios excusos. Não demora muito para Andy ter sua redenção em Shawshank.

Por quê faz os homens chorarem? - Além de retratar a grande amizade de Andy e Red e o drama de outros presos, 'Um Sonho de Liberdade' é uma história de redenção e superação, marcada pela persistência de Andy em provar um dia sua inocência e realizar seu sonho de viver em paz, Ao mesmo tempo que busca a paz para si mesmo, ele a oferece para os outros presos. Não vou entregar a história, mas garanto que ao assistir 'Um Sonho de Liberdade' você vai se emocionar. 



4 - O Pagamento Final (Carlito's Way, 1993, EUA) -  Carlito Brigante (Al Pacino sempre muito bom) é solto da prisão com a ajuda de seu advogado David Kleinfeld (Sean Penn parecendo o Larry de 'Os Três Patetas") e pretende andar na linha desta vez, comprando uma boate e juntando dinheiro para ir com sua namorada para as Bahamas. Mas o crime  não sai de sua sombra. 

O filme marca  o reencontro de Al Pacino com o diretor Brian De Palma, 10 anos depois de 'Scarface'.

Por que faz os homens chorarem? - 'O Pagamento Final' é um filme eletrizante e com muita ação, mas em seu decorrer, faz o espectador sentir as mesmas angústias que Carlito Brigante, principalmente em sua cena final. 


5 - A Última Missão (The Last Detail, EUA, 1973) -  Os oficiais da marinha Buddusky (Jack Nicholson treinando para 'Um Estranho no Ninho') e Mulhall (Otis Young) são encarregados a levar o marinheiro Meadows (Randy Quaid em início de carreira) para a prisão. Mas antes decidem mostrar alguns prazeres da vida para  o jovem. 

'A Última Missão' possui um ótimo roteiro de Robert Towne, baseado na novela de Darryl Ponicsan. Hal Ashby sempre foi um bom diretor para melodramas com toque de humor e aqu ise sai bem novamente.  O filme foi indicado para três Oscars, inclusive Melhor Ator para Jack Nicholson e Melhor Ator Coadjuvante para Randy Quaid. 


Por que faz os homens chorarem? - 'A Última Missão' retrata descobertas que todo homem passa, como o sexo, a bebedeira e até mesmo uma boa briga a troco de nada. Mas principalmente o elo formado pelos três personagens principais é algo muito comum nas nossas vidas e às vezes de pequenos conflitos, surgem grandes amizades.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Quando os cowboys comiam espaguete

Os dois Djangos: Jamie Foxx e Franco Nero, os protagonistas de ambas versões de Django

Estreou na última sexta-feira  ‘Django Livre’. Dirigido por Quentin Tarantino, o longa é uma homenagem que o cineasta faz para o spaghetti western, ou como chamávamos por aqui, o “bang bang à italiana” e além disso, um tributo a Sergio Corbucci e Franco Nero (que faz uma ponta em ‘Django Livre’), o diretor e o astro de ‘Django’, de 1966, que introduziu um herói trágico ao ciclo de faroestes italianos. O pistoleiro Django, que arrasta um caixão por onde vai,  busca vingança, diferente do “homem sem nome” interpretado por Clint Eastwood na “Trilogia dos Dólares” (Por Um Punhado  de Dólares – 1964, Por Uns Dólares a Mais – 1965 e Três Homens em Conflito – 1966), todos dirigidos por Sergio Leone, que é para mim, o maior cineasta de todos os tempos, pois inovou nas técnicas de filmagem (os closes nos olhos são magníficos e uma das melhores coisas já feitas no cinema), trazendo para o público algo inédito (nem tanto, pois 'Por Um Punhado de Dólares' é uma refilmagem disfarçada de 'Yojimbo', de Akira Kurosawa),  e impactante e que principalmente contrastava a maneira cansada que o gênero vinha sendo tratado nos Estados Unidos. Além disso introduzia a fantástica trilha sonora do genial Ennio Morricone, o maestro dos maestros.

O curioso é que podemos considerar como marco inicial do spaghetti western  o filme americano ‘Sete Homens e Um Destino', de 1960 e com direção de John Sturges, que também é inspirado em uma película de Akira Kurosawa, no caso 'Os Sete Samurais'.  Outra curiosidade é que esse momento histórico do cinema revelou e redescobriu grandes astros, americanos ou italianos, como os já citados Clint Eastwood e Franco Nero, o ex-nadador olímpico Bud Spencer, Mario Girotti, mais conhecido pelo público como Terence Hill e ainda mais famoso pelo nome Trinity (e que estrelou  algumas continuações não oficiais de Django), Giuliano Gemma (herói de 'O Dólar Furado', filme que fez o spaghetti western se tornar popular no Brasil), Gian Maria Volonté, que depois se tornou símbolo do cinema político europeu e também um ítalo-brasileiro, que estrelou tanto como Django ou como Sartana (ambos continuações não oficiais), Anthony Steffen, ou Antônio De Tefé (falecido no Rio de Janeiro em 2004), homem de sangue nobre, bisneto do barão de Tefé. Todos são heróis que povoam o imaginário do público até hoje.

Anthony Steffen - o cowboy ítalo-brasileiro


Mas vamos voltar  a ‘Django Livre’, filme que já está causando polêmica (Spike Lee criticou o tratamento que Tarantino dá à escravidão americana; acredito que seja pura dor de cotovelo e um artificio que Lee está usando para aparecer) e é uma chance de (re)descobrir um gênero que atraia multidões às salas de cinema do mundo todo. Após essa minha longa introdução, faço uma lista de cinco faroestes que duvido que você assistiu, mas que se não viu, vale a pena conhecer, mesmo não sendo grandes filmes e sim, curiosidades, sendo a maioria grandes sátiras. Eis os cinco escolhidos:

1 -  Charro! (Idem, EUA, 1969) -  Jess Wade, um pistoleiro americano,  tem de lutar contra sua antiga gangue que roubou um canhão banhado a ouro usado pelo Imperador Maximiliano (que quase foi genro de Dom Pedro I) em sua luta contra Benito Juaréz, lider popular e presidente deposto durante a fundação do Império Mexicano.  Além disso, Jess tem que proteger uma cidade mexicana que está sendo ameaçada pela gangue, que dispara o canhão para assustar os membros do povoado.

Genuinamente americano, era para ser talvez uma resposta ao spaghetti western, produzida pelo canal de televisão NBC e estrelada pelo ‘Rei’ do Rock, Elvis Presley. Mas tudo foi por água abaixo. Dirigido por um cineasta experiente (e medíocre) em faroeste, Charles Marquis Warren, que tem a mão pesada e quase foi baleado (acidentalmente) por Elvis.

'Charro!’ é lento, apesar da tentativa de Elvis fazer um personagem sério, com uma barba a lá Eastwood, possui diálogos banais (com certeza foi uma mãozinha no roteiro do Cel. Tom Parker) e só é uma curiosidade. Um detalhe, é o único filme em que  Elvis Presley não aparece cantando.

2 -  Shalako ( Idem, Grã-Betanha/Alemanha,  1968) -  Um faroeste inglês e  ainda estrelado por  James Bond e  o grande símbolo sexual da época, Brigitte Bardot . Uma bela ideia que não deu muito certo.

Sean Connery é Shalako, um cowboy que resgata a Condessa Irina de um ataque indígena e ajuda aristocratas europeus a se manterem vivo no territórrio apache.
Apesar de ter causado alvoroço na mídia e possuir um bom elenco e um renomado diretor ( Edward Dmytryk), o filme não emplaca e nem é convincente. Vamos falar a verdade, é difícil acreditar em um cowboy escocês.

'Shalako' é repleto de curiosidades, a primeira delas é que para estrelá-lo, Sean Connery rescindiu seu contrato para interpretar 007, pois queria explorar novos horizontes em sua carreira. A segunda é que Brigitte Bardot preferiu realizar este filme, do que ser a bondgirl em '007 – A Serviço Secreto de Sua Majestade', o único da série estrelado por George Lazenby. Após o fiasco de 'Shalako' e de Lazenby, Sean Connery recebeu o salário mais alto da época e retornou a franquia mais famosa do cinema para seu ato final como James Bond. 


3 - Os Reis do Faroeste  (The Outlaws Is Coming, EUA, 1965) -  Após o sucesso dos curta-metragens dos Três Patetas na televisão, a Columbia Pictures produziu  seis  filmes com "o trio mais biruta da tela" e exatamente 'Os Reis do Faroeste' é o último deste período. Moe Howard, Larry Fine e Curly Joe, o último terceiro pateta, que fez um bom trabalho substituindo os ótimos Shemp e Curly Howard e o sem graça Joe Besser, são o ajudantes de Kenneth Cabot (interpretado por Adam West, o Batman do seriado cult dos anos 60), editor de uma revista que decide investigar uma gangue que matou todos os bufalos para irritar os índios e  destruiu com a Cavalária Americana. Chegando ao oeste, Kenneth é nomeado xerífe acidentalmente e  os Três Patetas se envolvem nas maiores confusões com os bandidos. 

Cheio de sátiras a outros filmes e raro de ser exibido (me lembro de ter passado em 1996 na TV Gazeta e sei de alguns colecionadores que possuem as  cópias em 16 mm)  aqui no Brasil,  'Os Reis do Faroeste' é a despedida das telas de cinema de um dos grupos humorísticos mais querido em todos os tempos.  Alguns anos depois, Larry Fine sofreria um derrame e Moe Howard seria vítima de um câncer de pulmão. Era o fim de seis décadas do mais fino humor pastelão, que sem dúvida alguma deixou muitas saudades, inclusive neste que vos escreve.

4 - Uma Pistola Para Djeca (Brasil, 1969) - Muito antes de Tarantino, o grande Ary Fernandes, o criador de "O Vigilante Rodoviário", dirigiu esse roteiro de Amácio Mazzaropi, onde ele interpreta Gumercindo, um homem que tem a filha seduzida pelo filho de seu patrão, o dono de uma grande fazenda, que não se casa com a moça e acaba abandonando o filho.  Quando a criança cresce, se torna alvo de piadas por não ter pai  e Gumercindo é despedido da fazenda, o que o obriga a se unir a fazendeiros vizinhos para a vingança.

Comédia que possui pitadas de trágedia, se tornando mais um dos grandes sucessos de Mazzaropi, trazendo em seu título uma refêrencia explicita a 'Django', mostrando o impacto que o spaghetti western teve no mundo todo, inclusive no Brasil.

5 -  Cactus Jack - O Vilão (The Villain, EUA, 1979) -  No velho oeste, um bandido atrapalhado que se veste todo de preto conhecido como Cactus Jack, o vilão, é contratado para roubar Charming Jones, uma moça que está indo buscar uma grande quantia de dinheiro. Mas além de ser um bandido trapalhão, Cactus  Jack não contava com a presença do  xerife "Bonitão" Strange, o responsável por proteger Charming durante esta viagem arriscada.


Uma sátira aos antigos "bang bangs", dirigida por Hal Needham, de 'Agarre-me Se Puderes' e estrelada por Kirk Douglas (Cactus Jack), Ann - Margret (Charming Jones) e Arnold Schwarzenegger ("Bonitão" Strange), em começo de carreira. A intensão do diretor e dos roteiristas é homenagear o desenhos antigos da Warner Brothers, principalmente o "Papa - Léguas", com Cactus Jack representando a figura do Coiote.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Assassinos por Natureza (ou O Lado Negro da Força)



Spielberg, Harrison Ford e Lucas durante as filmagens de "Indiana Jones 3"

Steven Spielberg provavelmente ganhará mais um Oscar esse ano. O consagrado diretor está lançando a cinebiografia definitiva de Abraham Lincoln e que até agora só possui resenhas positivas. O seu grande amigo e parceiro, George Lucas, também foi notícia por conta da venda de sua produtora, a Lucasfilm, para a Disney.  Da união entre os dois surgiram à franquia Indiana Jones, o que rendeu uma boa grana para ambos. Mas por que Spielberg e Lucas assassinaram o cinema? A resposta para isso é simples. Eles, juntos ou separados, transformaram a sétima arte em uma verdadeira máquina de efeitos especiais, onde o roteiro, na maioria das vezes, não se sobressai ao uso excessivo da computação gráfica.

Spielberg e seu perigoso "Tubarão"


O crime começa em 1975, com Spielberg lançando “Tubarão”, um imenso sucesso, o primeiro “blockbuster” da história. É um ótimo filme, um clássico, com um elenco afinado e uma história bem escrita, mas pela primeira vez no cinema o efeito se torna mais importante que o roteiro ou os atores. Dois anos depois, um jovenzinho George Lucas, que já tinha tentando explorar o meio da ficção científica com “THX 1138” e realizado o simples e inesquecível “Loucuras de Verão”, lança sua aventura capa e espada (ou sabre de luz) intergaláctica “Guerra nas Estrelas”, o maior sucesso de 1977. Vale lembrar que os dois não são os únicos réus e o assassinato do cinema se trata de um crime coletivo. Um ano antes de “Tubarão”, o produtor Irwin Allen realizou a megalomaníaca produção “Inferno na Torre”, que junto de “Banzé no Oeste”, uma sátira barata de faroeste dirigida por Mel Brooks, foi a maior bilheteria de 1974.  Era o início do fim para grandes roteiros que possuíam boas estórias como o de “Golpe de Mestre”, “Butch Cassidy” ou “A Primeira Noite de Um Homem”, todos campeões de venda de ingressos em seus anos de lançamento.

Mark Hamill, Lucas e Harrison Ford nos bastidores de "Guerra nas Estrelas"

Steven Spielberg fracassou ao lançar “1941”, uma comédia sobre a Segunda Guerra Mundial, mas anos antes dirigiu “Contatos imediatos de 3º Grau”, outro estrondoso sucesso. George Lucas deixou de dirigir e apenas produziu “O Império Contra – Ataca”, continuação de “Guerra nas Estrelas”. Agora os dois tinham o poder supremo em Hollywood e poderiam fazer o que quisessem. Na década de 80 se uniram e inspirados em James Bond, inventaram o arqueólogo aventureiro Indiana Jones, interpretado por Harrison Ford e que deu um toque de classe ao cinema de ação da época. Realmente “Os Caçadores da Arca Perdida” é uma das melhores aventuras já produzida e tenho que tirar o meu chapéu para os dois. Em 1984, Spielberg decide se levar a sério e realiza “A Cor Púrpura”, um drama inesquecível sobre os negros pós-escravidão nos EUA e produz “De Volta Para O Futuro”. Já Lucas, ao contrário de seu amigo, produz “Howard, O Super-Herói”, baseado nos quadrinhos de Steve Gerber e sem dúvida nenhuma um dos filmes mais idiotas de todos os tempos. O restante da década foi de sucessos e fracassos para ambos, mas sempre matando um pouquinho do cinema.

Em 1993, Steven Spielberg realiza o seu melhor filme, o grandioso “A Lista de Schindler” e ganha o seu primeiro Oscar como melhor diretor. O segundo viria com “O Resgate do Soldado Ryan”, em 1998. Ao mesmo tempo em que fazia “Schindler”, dirigiu por telefone (é o que algumas pessoas dizem) “Parque dos Dinossauros”. Enquanto isso George Lucas ganhava muito dinheiro através da Lucasfilm, sua fábrica de sonhos que realizou os efeitos especiais de diversos filmes.  Na década seguinte voltaria a dirigir os três novos (e péssimos) episódios de “Guerra nas Estrelas”. Spielberg curiosamente ficaria no meio termo, realizando ao mesmo tempo bons filmes como “Prenda-me se for capaz” e “O Terminal” e ruindades como “Minority Report” e “Guerra dos Mundos” (nunca foi tão gostoso ler ao invés de ir ao cinema). Os dois ainda se reuniriam para realizar “Indiana Jones 4”.

Michael Bay é um dos súditos de Spielberg e Lucas

O resto da história acho que a maioria de vocês sabem. Vieram filmes como “Tintim” e o fraco “Cavalo de Guerra”. Mas no fim o grande problema não é a obra de Spielberg ou Lucas, que ao mesmo tempo em que faziam “blockbusters”, resgatavam gênios como Akira Kurosawa do limbo. O grande problema é a semente que eles plantaram e que diretores medíocres como Michael Bay colheram, tornando esta colheita algo maldito e que transformou o cinema em um mundo de ETs, transformers imbecis, explosões no núcleo da Terra, missões impossíveis, além de outras coisas que prefiro não lembrar. Por conta disso, filmes que possuem roteiros simplistas e boas histórias vão ficando cada vez mais restritos a um público que ao passar dos dias vai ficando menor. A experiência de ir ao cinema e sair de lá impactado, pensando no mundo em que vivemos ou fantasiando com algo impossível está sendo vencida por banhos de sangue e entretenimento barato de péssima qualidade que a indústria cinematográfica mundial nos enfia goela abaixo. Não há mais espaço para pensar, então a velha formula idiota é oferecida para o grande público, que mais idiota ainda, acaba a aceitando e concordando em ser estuprado mentalmente a cada ida ao cinema. A culpa disso? Sem dúvida nenhuma é de Steven Spielberg e George Lucas, dois indivíduos perigosos e que geralmente andam juntos de seus fiéis fanáticos como Michael Bay, Simon West, JJ Abrams e companhia. Então muito cuidado, pois eles estão por aí para atacar seu cérebro e te levar para o  lado negro da força em qualquer cinema na esquina de sua casa.

sábado, 29 de dezembro de 2012

O embalo frustrado de sábado a noite

Stallone orientando Travolta em "Os Embalos de Sábado Continuam"
Falam que é ruim, mas não é para tanto. Apesar de ser um dos 10 maiores filmes de sucesso de 1983, “Os Embalos de Sábado Continuam” (Staying Alive, 1983, EUA) foi massacrado pela crítica e pelo público, mas hoje não parece ser tão ruim assim. Retratando a vida de Tony Manero (John Travolta, nunca tão em forma) cinco anos depois de “Os Embalos de Sábado a Noite” (Saturday Night Fever, 1977, EUA) e sua luta para se tornar um bailarino da Broadway em meio de suas confusões amorosas com Jackie (Cynthia Rhodes, cantora de um sucesso só), uma cantora e aspirante a dançarina que apoia Tony em todos os momentos e Laura (Finola Hughes), uma charmosa bailarina de sucesso que possui o que quer e aque balança o mundo do pobre Manero.

Travolta em "Os Embalos de Sábado a Noite"
John Travolta foi o grande galã dos anos 70, uma verdadeira febre entre as jovens, mas viu sua carreira esfriar no início da década de 80, apesar do sucesso de bilheteria “Cowboy do Asfalto” (Urban Cowboy, 1980, EUA) e de uma ótima atuação em “Um Tiro na Noite” (Blow Out, 1982, EUA), hoje um cult, dirigido por Brian De Palma. E talvez “Staying Alive” foi a pá de cal que derrubou a carreira de Travolta até 1994, quando mais velho e acima do peso,  interpretou Vincent Vega no aclamado “Pulp Fiction”. Seu retorno como Tony Manero não é ruim, pelo contrário, mostra as mudanças que o personagem passou no período entre os dois filmes. Talvez um dos erros seja a direção de Sylvester “Sly” Stallone, escolhido por Travolta e pelo produtor Robert Stigwood, que não soube dirigir e nem filmar as sequências de dança, sua insistência em colocar o irmão Frank Stallone como coadjuvante e as duas atrizes principais que nunca convencem. Mas talvez o grande problema dessa continuação seja o impacto que o filme anterior teve. Toda uma geração se vestiu e dançou os passos de Tony Manero, além disso, “Os Embalos de Sábado a Noite” retrata conflitos que quase todos os jovens passam, além de ser um símbolo de uma era, como “Juventude Transviada” foi nos anos 50 e 'Sem Destino” na década seguinte. A grande verdade é que só aspirantes a dançarinos se interessam pela história de alguém que quer fazer sucesso na Broadway e a partir do momento em que “Staying Alive” deixa de fora o lado urbano do filme original, fica difícil do espectador se identificar.

Se você não viu, vale a pena assistir para conferir a ponta do futuro astro Patrick Swayze e também a  cena onde Travolta esbarra com Stallone na rua, além da  ótima música dos Bee Gees (é, eles não escaparam dessa fria). Apesar de ser um embalo frustrado, é uma ótima companhia para um sábado a noite.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A última viagem de motocicleta de um rebelde de Hollywood





Dennis Hopper em Hell Ride
Dizem que Quentin Tarantino falou para Larry Bishop, ator de filmes de gangues de motocicletas do fim dos anos 60 e que realizou uma ponta em Kill Bill, que ele estava destinado a realizar o melhor filme de motoqueiros de todos os tempos e que iria produzir este épico. O resultado da parceria entre Tarantino e Bishop pode ser visto em Hell Ride, de 2008, que não é tão bom assim não arrancou o título de Sem Destino como maior marco no gênero. Mas Hell Ride  tem sua importância, pois além de ser um tributo a essa corrente cinematográfica idealizada por Roger Corman, é também o último filme de motociclistas feito por Dennis Hopper, diretor e ator em  Sem Destino e talvez o maior símbolo, juntamente com William Smith e Peter Fonda, do assunto.



Hell Ride  narra a saga de Pistolero (Larry Bishop), The Gent (Michael Madsen, de “Cães de Aluguel”) e Comanche (Eric Balfour) que fazem parte da gangue 'Victor's” e buscam vingança após o assassinato de um de seus principais membros pelo grupo rival “6-6-6”, liderado por Deuce (David Carradine, o eterno Caine de “Kung Fu”) e Billy “Wings” (Vinnie Jones, um dos atores favoritos de Guy Ritchie). Mas além deste crime, uma morte do passado volta para assombrar Pistolero, que terá que resolver este enigma. Dennis Hopper faz uma participação especial como Eddie Zero, um dos fundadores dos “Victor's” e aliado de Pistolero em sua busca pelos fatos. 


O ótimo elenco, repleto de atores que marcaram o cinema independente americano, belas mulheres e a fotografia de Scott Kevan salvam o filme, que possui um roteiro falho e extremamente fraco escrito pelo próprio Bishop. Outro ponto que merece destaque é a ótima trilha sonora que possui clássicos do rock e temas de outros filmes de moto, como “Anjos Selvagens” e “Anjos do Inferno”.

Dennis Hopper, falecido em 2010, vítima de um câncer na próstata, tem uma participação marcante e até mesmo engraçada, abordo de uma motocicleta Indian, da qual era o dono legítimo. O ator, que trabalhou em clássicos como “Juventude Transviada”, “Rebeldia Indomável”, dirigiu  Sem Destino e que nos anos 70, mesmo extremamente paranoico por conta de seu uso abusivo de drogas, atuou em ótimos filmes como O Amigo Americano e Apocalypse Now  e que já limpo realizou um retorno triunfante em Veludo Azul, faz sua última aventura no gênero que o tornou um dos principais símbolos da contracultura.

Hell Ride  pode não ser um clássico, mas é uma justa homenagem a todos os nomes que marcaram o gênero, além de ser uma das chaves para quem quer viajar e conhecer mais profundamente ao cinema explotation. Se você não viu, procure na internet ou compre o DVD importado e veja a última viagem do grande rebelde de Hollywood.