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sábado, 8 de outubro de 2016

Doido pra Brigar... Louco pra Amar

Sozinho numa noite sem fim,
Andando por aí em uma rua vazia.
Dormindo em um banco sujo do carro.
Sempre ando de ressaca.
Tô sempre fodido.
Sem ninguém pra me ensinar algo.
Pode ser até sobre amor.
Mas só quero seguir o caminho,
continuar sendo durão.
Um homem sem medo, sem receio de mostrar
as coisas que dominam seu coração.
O orgulho, bem, ele não leva a nada.
E perdedores, mesmo como eu,
são os verdadeiros campeões.
Não se deixam levar por besteira,
muito menos levam a vida a sério.
Tô falando demais, já enchi o saco.
É melhor acender outro cigarro,
exalar fumaça e partir.
Andar sem dar a mínima,
como aquele herói daquele
velho filme de quinta.
Frases prontas não me convencem,
muito menos daqueles que acham
que vencem.
Estou por aí, numa fria esquina.
Sem classe, muito menos rotina.
Só fica na espreita, esperando a chuva passar.
Tomando algum trago, celebrando a vida.
E, por mais negativa que seja,
a única coisa que me importa,
é a adrenalina.
Seja por meio de poesia
ou correndo em um parque,
sentindo o vento na cara,
fugindo de alguma sincera monotonia.
No fim, me divirto.
Sou como aquele cara de um filme antigo,
doido pra brigar, louco pra amar.
E, se agora você me permitir,
vou entrar em outro boteco.
Quero é me divertir.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Assassinos por Natureza (ou O Lado Negro da Força)



Spielberg, Harrison Ford e Lucas durante as filmagens de "Indiana Jones 3"

Steven Spielberg provavelmente ganhará mais um Oscar esse ano. O consagrado diretor está lançando a cinebiografia definitiva de Abraham Lincoln e que até agora só possui resenhas positivas. O seu grande amigo e parceiro, George Lucas, também foi notícia por conta da venda de sua produtora, a Lucasfilm, para a Disney.  Da união entre os dois surgiram à franquia Indiana Jones, o que rendeu uma boa grana para ambos. Mas por que Spielberg e Lucas assassinaram o cinema? A resposta para isso é simples. Eles, juntos ou separados, transformaram a sétima arte em uma verdadeira máquina de efeitos especiais, onde o roteiro, na maioria das vezes, não se sobressai ao uso excessivo da computação gráfica.

Spielberg e seu perigoso "Tubarão"


O crime começa em 1975, com Spielberg lançando “Tubarão”, um imenso sucesso, o primeiro “blockbuster” da história. É um ótimo filme, um clássico, com um elenco afinado e uma história bem escrita, mas pela primeira vez no cinema o efeito se torna mais importante que o roteiro ou os atores. Dois anos depois, um jovenzinho George Lucas, que já tinha tentando explorar o meio da ficção científica com “THX 1138” e realizado o simples e inesquecível “Loucuras de Verão”, lança sua aventura capa e espada (ou sabre de luz) intergaláctica “Guerra nas Estrelas”, o maior sucesso de 1977. Vale lembrar que os dois não são os únicos réus e o assassinato do cinema se trata de um crime coletivo. Um ano antes de “Tubarão”, o produtor Irwin Allen realizou a megalomaníaca produção “Inferno na Torre”, que junto de “Banzé no Oeste”, uma sátira barata de faroeste dirigida por Mel Brooks, foi a maior bilheteria de 1974.  Era o início do fim para grandes roteiros que possuíam boas estórias como o de “Golpe de Mestre”, “Butch Cassidy” ou “A Primeira Noite de Um Homem”, todos campeões de venda de ingressos em seus anos de lançamento.

Mark Hamill, Lucas e Harrison Ford nos bastidores de "Guerra nas Estrelas"

Steven Spielberg fracassou ao lançar “1941”, uma comédia sobre a Segunda Guerra Mundial, mas anos antes dirigiu “Contatos imediatos de 3º Grau”, outro estrondoso sucesso. George Lucas deixou de dirigir e apenas produziu “O Império Contra – Ataca”, continuação de “Guerra nas Estrelas”. Agora os dois tinham o poder supremo em Hollywood e poderiam fazer o que quisessem. Na década de 80 se uniram e inspirados em James Bond, inventaram o arqueólogo aventureiro Indiana Jones, interpretado por Harrison Ford e que deu um toque de classe ao cinema de ação da época. Realmente “Os Caçadores da Arca Perdida” é uma das melhores aventuras já produzida e tenho que tirar o meu chapéu para os dois. Em 1984, Spielberg decide se levar a sério e realiza “A Cor Púrpura”, um drama inesquecível sobre os negros pós-escravidão nos EUA e produz “De Volta Para O Futuro”. Já Lucas, ao contrário de seu amigo, produz “Howard, O Super-Herói”, baseado nos quadrinhos de Steve Gerber e sem dúvida nenhuma um dos filmes mais idiotas de todos os tempos. O restante da década foi de sucessos e fracassos para ambos, mas sempre matando um pouquinho do cinema.

Em 1993, Steven Spielberg realiza o seu melhor filme, o grandioso “A Lista de Schindler” e ganha o seu primeiro Oscar como melhor diretor. O segundo viria com “O Resgate do Soldado Ryan”, em 1998. Ao mesmo tempo em que fazia “Schindler”, dirigiu por telefone (é o que algumas pessoas dizem) “Parque dos Dinossauros”. Enquanto isso George Lucas ganhava muito dinheiro através da Lucasfilm, sua fábrica de sonhos que realizou os efeitos especiais de diversos filmes.  Na década seguinte voltaria a dirigir os três novos (e péssimos) episódios de “Guerra nas Estrelas”. Spielberg curiosamente ficaria no meio termo, realizando ao mesmo tempo bons filmes como “Prenda-me se for capaz” e “O Terminal” e ruindades como “Minority Report” e “Guerra dos Mundos” (nunca foi tão gostoso ler ao invés de ir ao cinema). Os dois ainda se reuniriam para realizar “Indiana Jones 4”.

Michael Bay é um dos súditos de Spielberg e Lucas

O resto da história acho que a maioria de vocês sabem. Vieram filmes como “Tintim” e o fraco “Cavalo de Guerra”. Mas no fim o grande problema não é a obra de Spielberg ou Lucas, que ao mesmo tempo em que faziam “blockbusters”, resgatavam gênios como Akira Kurosawa do limbo. O grande problema é a semente que eles plantaram e que diretores medíocres como Michael Bay colheram, tornando esta colheita algo maldito e que transformou o cinema em um mundo de ETs, transformers imbecis, explosões no núcleo da Terra, missões impossíveis, além de outras coisas que prefiro não lembrar. Por conta disso, filmes que possuem roteiros simplistas e boas histórias vão ficando cada vez mais restritos a um público que ao passar dos dias vai ficando menor. A experiência de ir ao cinema e sair de lá impactado, pensando no mundo em que vivemos ou fantasiando com algo impossível está sendo vencida por banhos de sangue e entretenimento barato de péssima qualidade que a indústria cinematográfica mundial nos enfia goela abaixo. Não há mais espaço para pensar, então a velha formula idiota é oferecida para o grande público, que mais idiota ainda, acaba a aceitando e concordando em ser estuprado mentalmente a cada ida ao cinema. A culpa disso? Sem dúvida nenhuma é de Steven Spielberg e George Lucas, dois indivíduos perigosos e que geralmente andam juntos de seus fiéis fanáticos como Michael Bay, Simon West, JJ Abrams e companhia. Então muito cuidado, pois eles estão por aí para atacar seu cérebro e te levar para o  lado negro da força em qualquer cinema na esquina de sua casa.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A volta do "Guerreiro das Estradas"

Primeira imagem de Tom Hardy como Mad Max Rockatansky
As filmagens de "Mad Max: Fury Road" (ou "Mad Max 4") foram concluídas no fim de dezembro e agora o filme está sendo convertido para o formato 3D. Tom Hardy, o Bane de "O Cavaleiro das Trevas Ressurge" assume o papel de Max, que nos outros três filmes foi interpretado por Mel Gibson. Seria bacana ver Gibson retornando ao papel que lhe rendeu fama, como um Mad Max velho e furioso, mas acredito que pelos escândalos de sua vida pessoal nos últimos anos, não seria lucrativo para o estúdio. Acho Tom Hardy um bom ator e tenho fé que fará um grande trabalho. Charlize Theron, careca e mais linda do que nunca será a Imperatriz Furiosa e a direção fica a cargo do grande George Miller, inventor e diretor das outras aventuras da franquia. Confesso que estou ansioso para a estréia, prevista para este ano.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A última viagem de motocicleta de um rebelde de Hollywood





Dennis Hopper em Hell Ride
Dizem que Quentin Tarantino falou para Larry Bishop, ator de filmes de gangues de motocicletas do fim dos anos 60 e que realizou uma ponta em Kill Bill, que ele estava destinado a realizar o melhor filme de motoqueiros de todos os tempos e que iria produzir este épico. O resultado da parceria entre Tarantino e Bishop pode ser visto em Hell Ride, de 2008, que não é tão bom assim não arrancou o título de Sem Destino como maior marco no gênero. Mas Hell Ride  tem sua importância, pois além de ser um tributo a essa corrente cinematográfica idealizada por Roger Corman, é também o último filme de motociclistas feito por Dennis Hopper, diretor e ator em  Sem Destino e talvez o maior símbolo, juntamente com William Smith e Peter Fonda, do assunto.



Hell Ride  narra a saga de Pistolero (Larry Bishop), The Gent (Michael Madsen, de “Cães de Aluguel”) e Comanche (Eric Balfour) que fazem parte da gangue 'Victor's” e buscam vingança após o assassinato de um de seus principais membros pelo grupo rival “6-6-6”, liderado por Deuce (David Carradine, o eterno Caine de “Kung Fu”) e Billy “Wings” (Vinnie Jones, um dos atores favoritos de Guy Ritchie). Mas além deste crime, uma morte do passado volta para assombrar Pistolero, que terá que resolver este enigma. Dennis Hopper faz uma participação especial como Eddie Zero, um dos fundadores dos “Victor's” e aliado de Pistolero em sua busca pelos fatos. 


O ótimo elenco, repleto de atores que marcaram o cinema independente americano, belas mulheres e a fotografia de Scott Kevan salvam o filme, que possui um roteiro falho e extremamente fraco escrito pelo próprio Bishop. Outro ponto que merece destaque é a ótima trilha sonora que possui clássicos do rock e temas de outros filmes de moto, como “Anjos Selvagens” e “Anjos do Inferno”.

Dennis Hopper, falecido em 2010, vítima de um câncer na próstata, tem uma participação marcante e até mesmo engraçada, abordo de uma motocicleta Indian, da qual era o dono legítimo. O ator, que trabalhou em clássicos como “Juventude Transviada”, “Rebeldia Indomável”, dirigiu  Sem Destino e que nos anos 70, mesmo extremamente paranoico por conta de seu uso abusivo de drogas, atuou em ótimos filmes como O Amigo Americano e Apocalypse Now  e que já limpo realizou um retorno triunfante em Veludo Azul, faz sua última aventura no gênero que o tornou um dos principais símbolos da contracultura.

Hell Ride  pode não ser um clássico, mas é uma justa homenagem a todos os nomes que marcaram o gênero, além de ser uma das chaves para quem quer viajar e conhecer mais profundamente ao cinema explotation. Se você não viu, procure na internet ou compre o DVD importado e veja a última viagem do grande rebelde de Hollywood.