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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

À Procura

Noites de tormenta
Uma busca a lugar nenhum
Rostos insones pela madrugada
Talvez eu seja mais um
Das nuvens negras lá no céu
Espero clemência e perdão
Me ajoelhando diante do nada
Por um momento de fé ou razão
Autopiedade nunca foi o meu forte
Mas às vezes sei o trapo que estou
Bebendo em todos os bares
Muito menos sabendo quem sou
Arrumo o meu óculos à la Mastroianni
Coloco um cigarro no canto da boca
Procuro nas avenidas escuras
Esbarro em uma multidão louca
E nos becos dos mendigos
Tento te achar com afinco
Mas nada consigo encontrar
Sei que você não está lá
Mesmo sem fé ou razão
Mesmo não querendo o perdão
Tentando acreditar em Cristo
Até mesmo, quem sabe, no destino
Continuo a te procurar
Mas na minha agenda de telefones
Seu número já não está
E cada dia do mês
Em cada sono profundo
Cada vez mais aflito
Fico tentando sonhar
Com o dia em que vou te encontrar

terça-feira, 1 de novembro de 2016

O Cara Certo

Eu devia estar me afogando em lágrimas,
bebendo tequila barata e confidenciando 
a minha vida ao garçom.
Devia estar com vontade de me esconder,
botar fogo em algum canto, apenas te odiar.
Devia estar com uma dor de cotovelo daquelas,
tentando me jogar de alguma  janela
 ou nadar até um lugar bem distante no mar.
Devia mandar botar seu nome na macumba,
te amaldiçoar, desejar pra ti uma bela corcunda.
ou ver você virar loba ao luar.
Mas não consigo, você sabe que eu não minto.
Tô feliz, alegre por você, pelo mundo,
rido até pro cara de sorte que agora vai te amar.
Fui incapaz, sou grosseiro,
o carrapato no seu travesseiro,
o cavaleiro destinado a te libertar.
Agora você traçou o seu próprio caminho,
abriu as porteiras do seu próprio espaço,
me libertando, deixando eu ser feliz sozinho.
Mas mantendo certo carinho,
que espero não perder
em alguma virada do destino.
Mas, egoísta que sou,
Tomo mais um trago, fumo rapidamente 
e fico observando  alguma garota passar.
Nosso tempo sempre foi outro
e agora, sem receio algum,
com um sorriso cínico na boca
e um cigarro preso nos lábios,
te digo, com certeza,
 que nunca fui o cara certo pra te amar.

sábado, 8 de outubro de 2016

Doido pra Brigar... Louco pra Amar

Sozinho numa noite sem fim,
Andando por aí em uma rua vazia.
Dormindo em um banco sujo do carro.
Sempre ando de ressaca.
Tô sempre fodido.
Sem ninguém pra me ensinar algo.
Pode ser até sobre amor.
Mas só quero seguir o caminho,
continuar sendo durão.
Um homem sem medo, sem receio de mostrar
as coisas que dominam seu coração.
O orgulho, bem, ele não leva a nada.
E perdedores, mesmo como eu,
são os verdadeiros campeões.
Não se deixam levar por besteira,
muito menos levam a vida a sério.
Tô falando demais, já enchi o saco.
É melhor acender outro cigarro,
exalar fumaça e partir.
Andar sem dar a mínima,
como aquele herói daquele
velho filme de quinta.
Frases prontas não me convencem,
muito menos daqueles que acham
que vencem.
Estou por aí, numa fria esquina.
Sem classe, muito menos rotina.
Só fica na espreita, esperando a chuva passar.
Tomando algum trago, celebrando a vida.
E, por mais negativa que seja,
a única coisa que me importa,
é a adrenalina.
Seja por meio de poesia
ou correndo em um parque,
sentindo o vento na cara,
fugindo de alguma sincera monotonia.
No fim, me divirto.
Sou como aquele cara de um filme antigo,
doido pra brigar, louco pra amar.
E, se agora você me permitir,
vou entrar em outro boteco.
Quero é me divertir.

domingo, 25 de setembro de 2016

Caras legais não são legais

Duas da manhã marcando no relógio
Um velho filme do Charles Bronson passa na TV
Ele atira nos bandidos com prazer.
É um fascista adorável.
Não consigo dormir.
Misturei muito uísque com cerveja
E fumei uns quatro maços de cigarro.
Dentro de mim há um caos
E isso, por enquanto, parece ser bom.
Ideias surgem na minha mente.
Penso no fato de ter fodido com tudo que fiz na vida.
Trabalho, mulheres, amigos.
Nunca fiz questão de ser um cara legal.
Não é bom ser um cara legal.
Caras legais são chatos.
Caras legais penteiam o cabelo.
Caras legais gostam de coisas burocráticas.
Caras legais não transam.
Caras legais fumam cigarro de filtro branco.
Caras legais andam com a camisa engomada.
Caras legais na verdade não são legais.
Deve ser chato pra caralho ser um cara legal.
Por isso é melhor seguir em frente.
Fodendo geral.
Assim como o Charles Bronson faz na TV
Sempre botando pra fuder.

sábado, 23 de julho de 2016

Heavy metal pra caralho

Ficar admirando o pôr do sol como um idiota
Não aquece minha alma.
Muito menos passar dias esperando a conjunção dos planetas
Diante da lua cheia.
Pelo contrário, quando a lua fica muito cheia
Minha noite será tomada pelo azar.
Dias quentes no inverno tem um quê de inferno.
Nos momentos difíceis que passamos na vida,
O dinheiro é o que menos importa.
O que eu quero é um belo par de pernas como cia e alguns cigarros.
Talvez um blues tocando no toca-discos do quarto
Não me faria mal também.
Uma bebida boa para dar uns tragos.
Na vida, há poucas certezas.
Dos mistérios que desvendei na minha caminhada,
Algumas coisas são sagradas.
Dentre elas, posso afirmar sem medo algum:
Mais do que qualquer disco do Iron Maiden,
Ou música do Black Sabbath,
Liberdade, poesia, cerveja gelada e uma boa trepada
São heavy metal pra caralho!

sábado, 25 de junho de 2016

Reflexões na fria tarde de sábado

Um punhado de pensamentos soltos invadem minha cabeça.
Na verdade, acho que só quero que você apareça.
Há uma necessidade muito grande na minha alma em te ver novamente.
Estranho isso, já que nem nos conhecemos bem.
Algo nesses olhos verdes de gato, nariz torto e dentes amarelados pelo cigarro mexeu comigo.
Sinto de longe que sua cabeça é perdida, igual a minha, e acho que é o que me fascina. 
Olho no relógio, vejo que a noite já vem e o frio vai ser forte.
Nenhum sinal seu, nenhuma mensagem ou algum maldito telefonema.
Muitas companhias femininas me chamam pra sair, mas simplesmente não consigo ir em frente.
Já tentei uma, duas vezes, mas fico imaginando o seu corpo e isso é realmente um problema,
Insisti também e é incrível, afinal, detesto isso.
A insistência é uma arma dos fracos e chatos, daqueles que não conseguem o que querem.
Mas nem sempre conseguimos o que queremos, muito menos o que precisamos.
Nesse momento o que eu preciso é de um abraço, um carinho, daqueles do tipo que a águia dá aos seus filhotes no ninho.
E é gozado, sempre fui feliz em ser um solitário convicto, mas agora me sinto tão sozinho.
Sinto um vazio que gela meus ossos e não estou nos meus melhores dias.
Precisava cantar algo no seu ouvido, te dizer bobeiras, falar que a vida pode ser boa.
Fico aqui nesse instante sobre um fio, onde não sei se mantenho a esperança ou desisto.
Minha conta tá no vermelho no banco, mas, se pudesse, pegaria toda a minha grana e traria aquela noite fria de um sábado de outono de volta.
Nunca mais consegui ser o mesmo e olha que eu tento.
Os amigos dizem que estou derrubado, eu olho no espelho e vejo como estou fraco.
Às vezes me sinto até desesperado.
Minha saúde não anda bem e uma porrada de resfriados me derrubou na cama.
Não estou no inferno astral, mas talvez seja um inferno carnal.
Um pagamento de dívidas dos passados, de alguma vez onde fiz tudo errado,
E nesse triste e chato final de tarde de sábado, tudo que eu peço é pra estar do seu lado.
Talvez algum pombo correio sujo te leve esse meu recado, mas agora vou ascender o meu último cigarro.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Uma Deusa na minha porta

Há uma Deusa na minha porta.
Ela acaba de dançar no corredor.
Ela não tá nua, mas me parece completamente sexy
E agora olha diretamente em meus olhos.
Nos meus pensamentos, eu que sempre fui tão sozinho e vivi o dia de hoje loucamente,
vislumbro o futuro.
Há uma coisa animal, de pele, de cheiro.
Não sei explicar, um tesão apenas no olhar.
Como eu gostaria de estar nos braços da Deusa da minha porta.
Sentindo seus lábios vermelhos, nem tão carnudos assim, mas sensuais.
Sensuais como a velha pin-up daquela revista masculina da borracharia.
Queria pegar na sua mão, com diversas cicatrizes de ex-amores,
Escutar seu coração, observar sua alma e descobrir quais os seus pavores.
Qual é o medo da Deusa na minha porta?
Talvez seja o medo de amar, da entrega, coisa comum em quem já tá cansado da busca e da loucura.
Relações são como a navalha do barbeiro que faz a minha barba.
Sempre há uma lamina no meio, algo cortante, mistérios do coração.
Talvez a Deusa na minha porta tenha o medo de correr riscos.
Logo ela, que já viajou o mundo, deixando seus cabelos louros ao sol.
Sentiu a brisa da estrada, sem pudor algum, com um cigarro aceso no canto da boca.
Filtro branco, pra parecer um pouco comum.
A Deusa na minha porta talvez saia a noite pra brincar de gata.
Dorme 38 horas e na madrugada percorre becos, esquinas, em busca de sei lá o quê.
Melhor não saber.
A Deusa na minha porta não me deixa dormir.
Estou insone há vários dias, e a Deusa continua ali, me causando prazer e agonia.
Fico com vontade de me apaixonar, de empurrá-la na parede e fazer amor.
Mas algo me bloqueia.
Será que é a minha cabeça, já tão degastada por conta dos desperdícios do meio do caminho?
O que eu posso fazer com a Deusa que permanece lá, na minha porta?
Convido ela pra alguns dos meus sonhos mais loucos, aqueles que me transportam para terras mais selvagens que Sodoma e Gomorra, sem pudor algum?
Mas preciso dormir, descansar, levitar, relaxar, sei lá.
Quem sabe assim a Deusa não fica lá, parada lindamente, sensualmente, brasileiramente,  na minha porta.
Mas prefiro que ela venha dormir comigo, pra me seduzir, me acalmar, me levar ao passado através de um beijo, daqueles tipo Gable and Lombard.
Enquanto ela não vem, fumo alguns dos meus cigarros e tento fazer rimas.
Rimas essas, que podem nem ser tão originais assim, clichês desses tempos nossos, mas inspiradas por todo o amor que eu sinto pela Deusa que fica na minha porta.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Chuva da madrugada

4h da manhã
Acordo com o barulho do trem e ligo o rádio.
Toca “You belong to me” na voz do Bob Dylan.
Minha cabeça dói pra caralho.
Talvez seja por causa da bebida.
Já não bebo há um mês, mas mentalmente não sinto falta.
Meu último cigarro queima no cinzeiro do canto da cama.
Cama dura e fria, que aguenta o meu corpo durante algumas noites de insônia.
Penso em escrever uma carta pra você, mas quem lê cartas em tempos tão rápidos e confusos como esse?
Não há romance mais, só um pouquinho de sexo após um drink qualquer,
Em dias frios como os últimos, a vida pode ser um inferno.
Realmente durona.
Melhor calçar as minhas botas e fazer a barba.
Na previsão diz que chove, mas não há água que molhe e cure uma cabeça cansada.
Então o que posso fazer e pegar meu guarda-chuva, correr para o primeiro ônibus e cair na estrada