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quarta-feira, 24 de maio de 2017

...como amantes

Vou amaldiçoar o seu corpo
Adentrar a sua órbita cerebral
Lamber cada dobra da sua barriga
Prender suas mãos e te preparar pro coito
Segurando sua cabeça de um jeito torto
Fazendo tudo como se fosse normal
Quero assobiar no seu ouvido
Explodir dentro da sua libido 
Quem sabe me apaixonar 
Olhando todos os planetas  em seu rosto
Sentindo na língua o seu gosto
Pimenta que ferve o meu paladar
E quando todos os amantes se sentirem perdidos
Deixe-me tapar os seus ouvidos
Me dando a honra de olhar pro céu
Enquanto Jeff Beck sola sua guitarra
Uma melodia tenra e amarga
Diz pra gente que tudo tem que acabar
Cause We've Ended As Lovers
E essa é a última vez que vou te amar

quarta-feira, 29 de março de 2017

Vento frio

Às vezes um vento frio bate em minha espinha
causa-me um arrepio, uma leve angustia e certa ansiedade
a sensação que algo vai se perder
finjo que não sei o que é isso, mas lá no interior, 
em todo o meu sistema nervoso central,
é você, é você com uma Calibre 12 apontada no meu coração
é você a causa dessa sensação
mas nunca te tive, então não poderia te perder
imagino cada boca imunda que você beijou após me conhecer
cada mão engordurada que  acariciou suas coxas em uma tarde cinzenta qualquer
e esse é o vento que bate em minha espinha
como uma chuva de ventiladores num dia quente de verão
com cada lâmina dilacerando meu rosto, me causando sufoco
Procuro fugir disso,  corro para algum pântano gosmento
esperando a   areia movediça puxar meus pés e todo resto do meu corpo
na minha mente, só um pensamento: será que vou te ver de novo?
Talvez seja delírio, coisas de um homem louco, esquecido pelas ruas, adentrando no lodo
mas acordo e é tudo um sonho
 o vento bate em minha espinha novamente e não me trás nenhuma resposta
o despertador grita e sou obrigado a retomar a minha rotina
é hora de continuar tudo de novo
enquanto o vento frio continua gelando a minha espinha

quinta-feira, 2 de março de 2017

Uma prece bêbada

A noite cai em nossas cabeças. Estou em frente a um velho bar que fica na avenida principal da cidade e toda hora coloco uma moeda na jukebox. “You Dont Know Me” não para de tocar. Fico imaginando nós dois na cama em alguma madrugada fria do final de maio, lembrando das carícias que fazia em suas costas fartas e do café à moda italiana que você preparava em todo nosso desjejum juntos. Não era só a trepada, tinha todo o papo e um mundo completamente diferente que você fazia parte. Andava com os loucos e poetas, discutia arte, quadros, coisas que nunca tive tempo pra apreciar. E você fazia isso parecer tão prazeroso e fácil. E o prazer de ver seus olhos brilhando quando contava alguma de suas viagens sem destino, sem um puto no bolso e sabendo dos riscos que podia correr. Mas você é forte e sobreviveu a cada encruzilhada que passou. 

Diferente de você, sempre precisei de uma muleta, de alguém pra me guiar. Talvez seja o resultado da criação da minha mãe, uma mulher incrível que sempre me deu apoio em tudo e estava lá quando precisei. Me ensinou errado, eu sei. Lembra daquela noite, sentados num bar com toalhas de mesa xadrez no lado sujo da metrópole? Você tava linda, na plenitude de sua beleza simples, mas forte. Desculpe-me pelo clichê que vou usar na sequência, mas era coisa de hipnotizar. Coloquei meu braço no seu ombro e tive certeza que era ali onde passaria o resto dos meus dias. Você não bebia, preferia ter ido em um café, algo assim. Mas a certeza que você era o porto certo pra amarrar o meu velho barco já usado por demais continuava. Mas, como em todo romance barato de banca de jornal, nosso caso não seria tão perfeito assim. 

Você me levou até a estação, me deu a mão e disse que haveria uma próxima vez. No meio dos mendigos oprimidos, seu olhar desapareceu. Não imaginei que era o nosso último momento. Como uma brisa, você passou por mim e nem disse adeus. Apenas refrescou minha libido e colocou meu coração numa eterna prisão. E por mais piegas que possa aparecer, tudo que peço quando olho para uma lua cheia em uma noite qualquer é te ver outra vez.  


Como já vi alguns velhos sábios dizendo, às vezes é necessário fingir que está tudo bem, enganar a nossa alma. Faço isso a todo momento. Ao mesmo tempo, enquanto a saudade faz do meu corpo um templo, fico torcendo esbarrar em você numa tarde quente de carnaval, enquanto os foliões bêbados dançam sem ritmo algum, diferente de ti. Quando você dançava tinha certeza que eu era capaz de te amar. Mas a vida é um mar de complexidade e talvez nasci pra perder. 

Às vezes, na solidão da minha cama, coloco um velho CD no meu discman - é, ainda tenho um. Aretha Franklin, plena e em toda ternura, me faz imaginar sua solidão, seus momentos perdidos. Como ela diz na canção, seria uma vergonha você não dividir seu amor comigo, mas a vida é estranha assim. Fazer o quê, é necessário continuar andando. Mas chega por isso hoje. Você nunca vai saber o que rola aqui dentro de mim e nem tem a curiosidade de descobrir. Tudo bem, preciso colocar mais uma moeda na jukebox. Talvez uma balada monstruosa do Joe Coker me faça bem. Sabe, apesar de você não beber, um brinde a vossa mercê, baby blue. Que os ventos do sul levem minha prece bêbada ao seu lar e que atinja diretamente seu coração, como bala perdida em uma noite violenta. Qualquer hora dessa, entre a mudança de uma estação e outra, venha me visitar. Seria um prazer dançar minha última valsa com você, como naqueles dias frios de maio. Essa é a maneira que me lembrarei de ti pra sempre, fingindo estar em um velho romance de banca de jornal e dançando contigo ao som de “You Dont Know Me”.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Jogadas

Descendo a rua da sua casa
Sentindo cada músculo 
das minhas pernas.
Tentando descobrir
qual é o próximo passo.
Não sou que nem você,
que consulta mágicos, índios,
bárbaros e advogados.
Não tenho fé, nem acredito no destino.
Uso o vento como guia,
Deixo o coração dizer qual é o
meu caminho.
E, enquanto desço a sua rua,
tento compreender o nosso encontro.
Um momento de sorte,
repleto de jogos obscuros.
Um encontro de loucos
em uma noite sem fim.
Acabei no seu quarto.
Confesso: tava um trapo.
Mas você me trouxe cerveja,
deu um sorriso tímido,
Tirou a roupa, me deu um abraço.
E, como naquela música do Van Morrison,
Fizemos amor enquanto a lua dançava.
Você dizia coisas com os olhos,
me apertava.
E, passando os dedos sobre sua pele,
o seu cheiro de laranja exalava.
Mas agora, voltando a realidade,
Tô na porta da sua casa.
Basta você abri-la.
Tá na hora da próxima jogada.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Pro universo

Você partiu na manhã de sábado.
Um sol escaldante pairava sobre o seu corpo.
Sua sombras brilhavam por toda rua.
Era proposital; era a última vez que te via.
Fizemos amor na noite anterior
E no calor do quarto, sufocava ao seu gemido.
Decibéis de prazer como trilha sonora
De uma noite de lua cheia próximo
A uma triste aurora.
Sabia que você ia embora,
Mas evitei qualquer assunto,
Queria evitar um clima de tensão,
Algum tipo de tristeza, sabe.
Me concentrei na safadeza,
Em todo o tesão.
E na natureza dos nossos corpos nus,
O meu desejo era que em seu sexo,
Uma chuva ácida, à lá Hiroshima e Nagasaki,
Surgisse do nada e me fizesse sentir.
Sentir todo o prazer que você me oferecia
Outra vez.
Não insisti pra você ficar,
Já que acredito que a vida são ciclos.
E apesar desse meu pensamento clichê,
Da poesia pobre de revista Amiga
E do meu espírito inconstante,
Achei que por um momento,
Algum instante,
Poderia te amar.
Mas não deu, foi mal,
Deixo você me odiar.
Às vezes acho que há um buraco no meu coração,
Um vazio pra preencher,
Aquele espaço pro rejunte,
Igual nos velhos azulejos azuis da cozinha.
E é melhor você partir,
Talvez você se assuste.
Mas honey darling,
Além da liberdade de ir,
Te dou a de voltar.
E, no momento certo, mesmo que seja no inferno,
Puxe uma cadeira, se aconchegue
E fique pra ficar.
Ou só respire mais um pouco,
Me deixe rouco e, no meu tempo,
Você pode me amar.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Por hoje basta

Sente-se e tome alguma bebida.
Sei o quanto é difícil ficar a vontade,
E o meu papo até parece música,
Música de má qualidade, é claro!
Tente relaxar, de verdade.
Esquece o calor que tá lá fora
E de todos sonhos perdidos outrora.
Daquela gente com coração frio,
Querendo sucesso a qualquer preço,
Sem se importar em amar.
Almas nem tão vazias,
Mas tristes, perdidas,
Sem nenhuma luz pra brilhar.
Encoste o seu corpo com o meu.
Pele com pele, é bem melhor assim.
Fica tudo mais fácil.
Deixa eu beber esse suor repleto de medo.
Com gosto da dúvida e certo receio ao se entregar.
Entendo que seu coração já foi machucado,
Tá calejado, empedrado, enquadrado.
Guardado em alguma gaveta vazia atrás do armário.
Me sinto assim também, mas só de vez em quando.
Aí fico no canto, refletindo e pensando.
Tentando me encontrar.
Mas já tô perdido, milhas e milhas longe 
Do meu real destino.
Então, o que me resta,
É sentir você sem pressa,
Esquecer do meu relógio velho, 
Que fica pendurado na cozinha,
Sentir seu cheiro felino,
E te fazer minha,
Só minha.
E isso, por hoje,  basta.

sábado, 8 de outubro de 2016

Prateleiras

Sentados no parque em um dia de verão.
Mãos com mãos, como se o destino
não reservasse algum final pra aquilo.
Ele dizia que estaria lá a qualquer momento,
a qualquer hora.
Ela custava em acreditar, mas decidiu viver
o clima, aproveitar esse pouco de tempo.
Talvez o que mais ele precisasse era saber que
ela não o queria da mesma forma que ele.
Mas, apesar disso, os dois se olhavam nos olhos,
compartilhavam sorrisos.

Ele sabia que ela era mais esperta.
O cara era um verdadeiro pateta.
Dizia para os amigos que, finalmente,
tinha encontrado sua Cinderella.
Que negócio mais brega.
Ela era mais centrada, direta.
Não vivia em mundos de fantasia,
Muito menos acreditava em amores
pra toda vida.
Tinha certeza que encontraria uma nova paixão,
num momento incerto, nas prateleiras de uma livraria.

Ele ligava pra ela todos os dias.
Era um grude, um porre.
Ela continuava por lá,
Nem sabia o motivo,
Mas queria testar sua sorte.
Acreditava nos olhos de ternura dele,
mesmo sabendo que logo deveria partir.
Ele sofreria, a amaldiçoaria
e ela só queria ser feliz,
mesmo com seus olhos
repletos de melancolia.

Naquele dia no parque,
resolveu dizer toda a verdade.
Disse que não o amava, não precisava viver aquilo.
Gostava de ser só e de suas próprias ideologias.
Ele não caiu em prantos, nem jogou praga.
Disse que entendia perfeitamente,
não queria nenhum tipo de briga.
Ela se surpreendeu, não imaginava essa reação.
Na verdade, ele só estava tentando ser durão.

Nos meses seguintes, ele sofreu.
Bebeu em todas as espeluncas da Rua Augusta.
Passou vexame em todos os restaurantes onde comia.
Até que uma hora caiu na real e viu que isso não resolvia.
Deveria era seguir a vida.
Resolveu comprar um livro idiota de autoajuda,
daqueles repletos de frases sobre o destino
E que não resolvem porra nenhuma.
Ela sobreviveu, era forte.
Não precisava de nenhum homem ( que mulher precisa?).
Se sentia confortável sozinha, até mesmo resolveu
aprender gastronomia.
A cozinha era sua nova paixão,
mas precisava renovar o estoque de receitas.
Resolveu sair de seu novo endereço
e ir até a livraria da esquina.
Perguntou ao vendedor onde ficava
os livros de culinária.
Mas o destino, um infiel companheiro,
Novamente a surpreenderia.
Afinal, entre as prateleiras,
ela avistou ele.
Ele riu e foi até o seu encontro.
Nesse momento, apesar de patético,
ela descobriu que ele, por mais idiota que seja,
poderia ser o amor de sua vida.


Anos depois, apesar de muitas luzes
terem se apagados.
Eles estavam juntos. construíram um sobrado.
Ele amadureceu, compreendeu um pouco
dos mistérios da vida.
Ele havia mudado.
Ela continuava a mesma, só que agora cozinhava
E entendia o que ocorria.
Não queria mais ficar sozinha, cansou da velha rotina
E, no final da noite, ao som de um velho standard de jazz,
os dois dançavam, mas tinham pressa.
Precisavam ir logo pra cama, queriam fazer amor.
Agora eram sinceros um com o outro, diferente do passado,
afinal,descobriram sobre as surpresas que a vida prega.

Deusas

Amo todas as mulheres que cruzam o meu caminho,
Todas elas, seja mãe, vó, tia, amiga, namorada, amante,
Todas aquelas que vou conhecer em um destino distante.
Todas aquelas que fizeram parte de um passado inconstante.
Amei desde a mais louca, que me fez perder noites de sono,
Ou mesmo aquela, que me fazia vários interurbanos.
Teve uma possessiva, queria todo controle da minha vida.
Outra me chamou de machista por conta da uma mania.
Algumas me odeiam, com todas as suas forças.
Mas detesto falar de passado, muito menos ficar preso a ele.
Só sei que considero todas Deusas com D maiúsculo.
E todas, sem exceção alguma, merecem meu respeito.
Mas, principalmente, a todas eu dou meu maior presente:
Todo o amor que eu tenho guardado no fundo desse peito.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Tolo no amor (ou Fool For Love à brasileira)

Tolos no amor. Eles são tão recorrentes, seja em canções, poesias, romances ou numa péssima novela da televisão. Tolos no amor são vistos em cada esquina, no bar que você bebe a fiado, no supermercado, abastecendo as gôndolas de frutas. Tolos apaixonados estão em todos os cantos, em todas as cidades, talvez até esteja no seu quarto. Às vezes, pela manhã, você veja um deles no espelho ou lá, esquecido no porta-retrato. Não é só em Paris que um bêbado se ajoelha pra sua puta preferida e implora o amor. Não é só na igreja que existem pessoas fazendo promessas pra São Judas Tadeu dar uma forcinha pro coração. Num desses aplicativos de paquera, bem na tela do seu celular, um deles vai estar lá. Até Sam Shepard, um tremendo dramaturgo e poeta, com grandes conquistas, é um tolo no amor e escreveu sobre isso. Olhe em sua baia do escritório e verá pelo menos cinco deles - esse termo baia é tão animal. Mas não vamos perder o foco, afinal, estou disposto a me ajoelhar em sua frente, implorar, chorar, me descabelar, andar pelado no Viaduto do Chá na madrugada, e tudo isso só por uma razão: sou um tolo no amor, como todos os outros, como todos os humanos, e estou aqui somente pra te amar. Seja por míseros minutos na cama de um quarto sujo em um hotel nas  redondezas da Amaral Gurgel, onde minha forma de amar sexual encontrará o seu corpo nu e branco,  seja em sua cama, onde os gatos soltam pelos durante o sono interminável da tarde. E estou disposto a fazer isso horas e horas, dias e dias, meses e meses, anos e anos. Que banal e repetitivo eu sou. Mas me perdoe, sou apenas mais um tolo no amor. 

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Domingo

Você desce do seu carro de uma forma tão cool
Tipo o Lou Reed com camisa preta e óculos escuros
tocando um rock básico, direto e intenso.
Suas pernas, longas por sinal, se mexem de forma tão incrível.
Na real, as ruas da cidade ficam pequenas pra você.
Talvez seja o jeito que você mexe a bunda enquanto anda.
Garota durona, mulher difícil, deusa dos sonhos juvenis.
Talvez Robert Crumb tenha te desenhado em algum quadrinho sujo.
Não poupe suas palavras e diga o que quiser; bobagens, de preferência
Componha um rock’n’roll, uma canção de amor, mas esqueça do final feliz.
Tô cansado desses caras que sempre falam do amor e da dor.
E você tá tão sexy, que nem precisa perder tempo com isso.
Tome algum drink, um gim e dance.
Dance até cansar, até o seu corpo ficar realmente solto.
Não se preocupe com o futuro, só pense no princípio.
“Princípio do quê?”, você deve estar se perguntando.
Tomara que seja do prazer, do êxtase e do ardor
Essa noite quero provar do teu ópio e me alucinar.
Talvez isso ocorra enquanto um coral de bêbados canta uma canção de ninar.
Mas, fingindo que mudo de assunto,
Há um jazz que toca dentro de mim enquanto você me agarra e ri.
Uma maldade cheia de charme, minha menina sacana.
Mas agora já vai chegando a hora de partir, já clareou lá fora.
Os pássaros nos observam através das frestas da persiana.
Temos que esvaziar o quarto, começar outra semana.
Mas, por mim,  todos os dias poderiam ser intensos, deveriam ser quentes.
Quentes como são todos os  meus domingos com você.
Que prazer!

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Enquanto você dorme

Vejo a tatuagem da suas costas.
Você dorme e, enquanto sonha, observo a suas marcas.
Foi uma noite mágica, apesar de pequenas mentiras.
De ambas as partes, que fique claro.
Estar dentro do seu corpo deveria ser um crime inafiançável.
Preciso de um bom advogado pra me libertar disso.
Talvez o Sr. Jack Daniel’s seja o homem perfeito para o serviço.
Encosto meus dedos levemente em você - não quero te acordar.
Sinto sua respiração enquanto seco o meu suor.
Filmo os seus seios com a minha pupila descarada.
Com a câmera na mão, fingindo ser Dib Lufti, 
Faço do seu corpo Cinema Novo.
Dou um close-up no seu rio de prazer.
Quero descobrir em qual  oceano ele vai desaguar.
Seus pés relaxam.
Suas pernas ficam dobradas de maneira suave.
E, sem eu perceber, você acorda.
Um sorriso frouxo nos lábios.
A preguiça e o prazer estampados na cara.
Acho que é a hora da próxima rodada.

Fragmentos

Eu não quero um amor pra vida inteira.
Procuro apenas algo que preencha minha cama,
Minha alma, mas por uma noite.
Dono de uma vida tão fragmentada - apesar das poucas horas de sono.
Nunca vou estar satisfeito, essa é a verdade.
E às vezes dói - foda-se.
Eu vejo os olhares na rua e sinto algumas das fragrâncias.
Destruição e trevas nas avenidas.
E minha vida vai passando, em fragmentos.
Outra noite, outra cerveja - por favor.
Nada de carência - não perco tempo com isso.
Só quero saber se sua risada foi verdadeira.
Em um vagão qualquer do metrô,
Sei que vou sentir seu fogo - talvez até me queime.
Sinto a respiração ofegante que vem do meu lado.
É um cara sofrendo por um caso de amor mal acabado.
Sou um cara de sorte - é o que penso quando vejo ele abalado.
Nas escadas, encaro os rostos - sempre estou pronto pra alguma briga.
Mas, na verdade, sempre estou preparado mesmo é pra uma boa trepada.
No salão, entre a fumaça, reparo nos reflexos dos copos.
Todo o riso falso que o lugar exala aparece lá.
Corpos solitários buscando fugir daquilo que acham que é solidão.
Olhares tristes em um beijo sem tesão ao lado do extintor.
Na mesa de sinuca, uma garota de shorts dá sua melhor tacada.
Olha pro seu oponente, suspirando por uma noite fugaz.
Ele só se importa com o jogo - é um tremendo babaca.
Num canto discutem política e um filme de Paul Newman.
O cara quer impressionar uma garota, mas ele não sabe de nada.
Vejo olhos verdes perdidos em um lugar qualquer no canto do bar.
Vou até lá - sempre há uma oportunidade de ganhar.
Demonstro meu interesse com um sorriso no canto da cara.
Ela retribui com uma cruzada de pernas - e que pernas.
pegamos um táxi e fugimos do lugar.
Outro apartamento, outro quarto, mais uma noite.
Mas ela é tão linda quando está deitada.
Procuramos um carinho real - e ambos retribuímos. 
A noite vai passando e discutimos sobre o mundo desleal em que vivemos.
Ela ascende um cigarro e o coloca em sua boca vermelha.
Por um momento é mais profundo que apenas sexo - eu realmente sinto sua alma.
Levantamos, tomamos um copo d’água. 
E logo os raios solares surgem nos buracos da persiana.
E, novamente, como em todos os outros dias,
Voltamos para as nossas vidas fragmentadas.

domingo, 7 de agosto de 2016

A importância do que você pensa

Me chame de pervertido,
Seu cínico.
Me chame de sujo,
Seu imundo.
Me chame de pederasta.
Seu canalha.
Mas não humilhe meus versos.
Não diga que eles são algum tipo de lixo.
Nem que dá pra reciclar.
Não me chame de amigo,
Muito menos de camarada.
Deixe eu libertar a voz do meu peito.
A voz dos meus pensamentos.
Não me enche o saco,
O mundo tá repleto de bastardos.
E esse fardo, esse negócio pesado,
É só meu.
Só quero que você leia,
Não quero que entenda.
Afinal, esse coração.
E essa mente,
Que você acha suja e perturbada,
É só minha,
Mas ela me faz criar poesia.
Então lave a boca seu canalha.
Deixe eu escrever os meus poemas do nada.
Não me julgue.
Não pedi sua opinião.
Mas não importa.
Esse é só mais um poema que saiu das minhas mãos.

Poesia sem sentido

Lá vem a noite.
Maldita noite.
Não vou te encontrar.
Faço a barba.
Penso no seu rosto.
Lembro do seu lábio.
Como desejo você.
Me animo só de lembrar.
Quero te encontrar no metrô.
Num bar qualquer.
Quero dar em cima de você.
Quero ser seu homem.
O desejo.
Que coisa perigosa.
Mas o desejo pode ser sujo, atrapalhado.
Pode ser seu.
É todo meu.
E agora, olhos nos olhos.
Te quero ainda mais.
Com suas velhas meias.
Com sua bota calejada.
Nesse frio do inferno.
Te quero.
Me dê uma chance a mais.
Deixa eu ser teu guia.
Abra essa cortina.
Mas só pra mim.
O amor falha de vez em quando;
Não sei qual é o motivo.
Mas sinto que dessa vez vai nos acertar.
Então, sem pressa alguma,
Vem ser minha,
Abra seu peito, me dê todo o seu coração.
Foda-se o resto.
Venha me amar, me desejar e fazer sei lá mais o quê.
Foda-se o resto.
Olho nos seus olhos e quero que você seja minha.
Abra esse seu sorriso só pra mim.
Mas na vida há muito desafio.
Nem sei o real motivo,
Mas, sei lá,
Acho que essa é a última noite que vamos nos encontrar.
Que triste, que merda.
Mas amanhã vai passar.
Baby, você se arrependerá.
Mas, quem sabe,
Um maldito dia,
Nós vamos nos encontrar.
Mas, dessas vez,
Vamos nos amar,
Nos entregar,
Como numa velha canção brega,
Como naquele filme europeu.
E, quando esse dia chegar,
Vou me fechar.
Vou abandonar o meu barco.
Me arrepender de tudo o que eu fiz.
Vou viver pra você.
Por mais chato que seja.
Mas isso, eu acredito,
Se chama amar.
E eu, sem dúvida alguma,
Vou te amar,
Te desejar,
E calar a minha boca,
Afinal,
Não  há tempo pra perder.
Muito menos falta de lenha pra queimar.
Te amo, te desejo.
Mas não te chamo de baby.
Falo português.
Leio um pouco de inglês.
Mas te desejo nos meus braços.
E a língua que esses braços falam é universal.
É o idioma do amor.
E aqui,
Nesse pobre coração.
Você vai se recuperar da dor.
Foda-se  o resto.
Você vai ser minha,
E acabou-se a história.
Nem precisa rimar.
Pro amor, não  há essa necessidade.
Nem vale perder tempo.
O que vale mesmo,
É te ver dormir,
Poder deitar do seu lado.
Te fazer café da manhã.
E te amar.
Seja no luar,
No trópico,
Ou apenas essa noite.
Mas vou te amar.
Foda-se o resto.
Você é minha essa noite.
E é isso que importa.
Novamente digo e fecho essa poesia,
Não precisa rimar.
Apenas vamos deitar e sonhar.

Penetração

Eu quero cantar pra você.
Sussurrar no teu ouvido.
Como um amante a moda antiga,
Quero dançar a noite toda.
Até suas pernas tremerem.
Até suas pernas quererem descansar.
Até suas pernas decidirem entrelaçar meu corpo.
Até suas pernas cruzarem a minha pobre alma.
Sentir o cheiro da sua vagina.
Dizer que ela é só minha.
Transformar a noite em nossa.
Fazer amor a luz do luar,
Olhar sua face, te penetrar,
Você pode me achar um cara carente.
Me achar até mesmo atraente.
Mas quero que você se foda.
Colocar sua boca junto da minha.
Sentir sua língua.
Como uma aventura antiga mal escrita.
Como um caderno bobo de um louco.
Quero te fazer minha.
Quero te fazer gozar.
E, durante um beijo na boca,
Te penetrar.
Como os Stooges falam em uma canção,
É só você me dar a sua mão.
E a penetração,
A penetração vai começar,
Amo você, querida
Desejo você, quem sabe você não é a mulher da minha vida.
Talvez eu seja algum tipo de idealista.
Mas te desejo.
Te penetro nos meus sonhos.
Te penetro nas esquinas.
Te penetro na sua cama.
Te penetro na minha.
Te penetro numa laranjeira.
Te penetro atrás da cortina.
Te desejo.
Sinto o seu cheiro.
E quero você.
Quero te penetrar.
Mas, se você temer algo.
Apago o meu fogo.
E te penetro apenas num poema.
Num verso sujo.
Na palma da minha mão.
Mas te quero.
E, nos meus mais selvagens sonhos,
Te penetro,
Como um cavalo selvagem,
Um deus endiabrado.
Te quero,
E não importa o quanto.
Nos meus sonhos te penetro.

A cidade (eu quero ela, mas ela não me quer)

O clima está excelente.
Talvez a noite prometa algo.
Não sei, mas meu coração tá apertado.
Alguns dias queremos conquistar a cidade.
É esse sentimento que sinto dentro de minha alma.
É esse sentimento que quero expor.
Me perder entre esses muros carregados de mágoa.
Me entreter nos lindos peitos da saudade, do arrependimento.
De todas as merdas que eu já fiz.
Às vezes a cidade te oferece um clima ótimo,
Uma lua especial,
Mas é melhor se entreter sozinho.
É um aviso:
“Mantenha-se longe das máquinas, dos problemas, meu jovem!”
E tudo que penso é mandá-los a puta que os pariu.
Talvez minha mente ou alma seja perturbada (APENAS UMA DAS DUAS)
Às vezes me sinto como Sinatra cantando That’s Life.
Em algum mês eu vou ressurgir, me tornar rei,
Conquistar tudo, mulheres, ouro, seu maldito coração.
Na maior parte do tempo me sinto assim.
É ótimo.
Mas, voltando, quero conquistar a cidade.
Você me orienta?
Me explica como?
O clima tá tão bom.
Mas há uma energia ruim no ar.
Você não sente?
Algo carregado, como uma nuvem repleta de chuva.
Sem orgasmo, sem tesão.
Nem toda tempestade deveria ser assim.
Mas quero conquistar essa imensa cidade.
Ver meu nome nas luzes.
Que porra eu tenho que fazer pra isso?
Minha mãe me acha um gênio!
Será que vou ter que ligar  minha guitarra?
Tocar um hino, como Hendrix?
Eu vejo várias garotas passarem por mim.
Desejo todas.
Desejar é ativo, ser desejado é passivo.
Isso é o que diz um espanhol popular.
Ele tá certo.
Desejo você, desejo todas.
Quero você, sua amiga, sua mãe,
todas nuas na minha cama.
Quero me inspirar por vocês,
Mesmo que isso seja um problema.
Mas quero me perder pela cidade.
Ela não me dá espaço.
Ela é durona comigo.
Quero fazer amor com ela.
Algum tipo de carinho.
Mas ela não deixa.
Essa maldita velha dama.
Quero sentir seu fogo,
Seu cheiro.
Quero descobrir os seus pecados.
Sujos, depravados.
Mas ela não se abre.
Maldita seja.
Me deixe tomar uma cerveja em seus lindos seios,
Oh, seios de uma falsa liberdade.
Eu os desejo.
Minta pra mim, sem verdades essa noite.
Diga-me a verdade apenas após a meia-noite.
Trepe comigo até o próximo anoitecer.
Doce pássaro da juventude.
Doce charme da tarde.
Quero você
Quero sentir seu gosto, descobrir que sabor você tem.
Até eu arranjar uma cidade,
No ano que vem.
Só o ano que vem.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

A garota que nunca esteve lá

Se encontraram apenas uma vez
E a identificação foi instantânea
Olharam olhos nos olhos
E a Terra toda tremeu naquele momento
Se despediram,  com certo ar aflito
Pra nunca mais se encontrarem
Mas já era,
Você se sentiu envolvido pelo par de olhos,
Mas a garota nunca esteve lá.
Então você a procurava em sonhos,
Neles você a amava, até mesmo sentia sua pele
Mas, quando acordava,
A garota já não estava lá.
E ia pro trabalho,
Relembrando o rosto daquela mulher,
E as lembranças te traziam mais desejo,
Seu coração ficava inquieto,
A respiração sempre ofegante,
Culpa de todos os cigarros
Cigarros que você fumou,
Esperando aquela que não estava lá.
Mais um dia se passou,
Você não fez absolutamente nada.
Tomou um gole de café,
Arrumou o nó da sua gravata
Sentou no sofá e ligou a TV,
Não adiantava nada,
Ela não estava lá.
Então você resolveu cair na real,
Nunca mais tentou entrar em contato,
Mesmo achando tudo isso um saco
Resolveu aceitar que nunca mais ela ia voltar,
Ela não te daria uma chance de amá-la de verdade,
Afinal, ela nunca esteve lá.
Num final de tarde ensolarado,
Em uma praça qualquer,
Você vê a bela figura daquela mulher,
Mas não faz nada.
Você que sonhou acordado tanto tempo,
Sempre desejando encontrá-la
Não vai fazer nada,
Descobriu que é melhor deixá-la pra lá,
Já que, ela nunca pertenceu a nenhum lugar,
Muito menos ao seu frágil e pobre coração
E nunca, nunca mesmo,
Ela estará lá,

domingo, 24 de julho de 2016

O que eu quero

O que eu quero é teu sexo
Simples, rápido e direto.
Não quero saber dos seus ex-amantes,
Muto menos da vida que você leva.
O que eu quero é teu sexo.
Amores vem e vão pela calçada.
O mundo é um lugar difícil e sua alma jovem já tá cansada.
Mas ainda quero o teu sexo.
Sem sentimento, mas com seu consentimento, desfrutar do seu prazer.
Te prender na parede, colocar as minhas mãos sobre suas coxas, enquanto mordo sua nuca.
Vou despindo sua alma, enquanto você vai ficando nua.
E continuo querendo o teu sexo.
Nos libertando dos preconceitos, o tempo passa rápido enquanto lambo os seus lindos seios
Agora me perco na ternura do seus lábios avermelhados, suaves como um pêssego,
Acarinho sua bunda, enquanto você puxa os pelos do meu peito.
E desejo cada vez mais querer teu sexo.
Côncavo e convexo, como cantam no rádio de pilha do quarto.
Alfa e ómega, igual ao alfabeto grego.
Somos polos opostos que se conectam através de um único desejo.
O querer do sexo.

A paz que eu não quero seguir

Paz interior
A busca do Séc.XXI
Seja pela entrega do dízimo ao pastor na tarde de um domingo
Ou através de meditação cósmica surrealista zen-budista
Um chá do Santo Daime pra te tirar do mundo real
Aquele baseado hippie enquanto você tenta ser um beatnik
Yoga is a yoga does
Um passaporte pro céu, pra algo maior
É tudo o que você quer.
Se encontrar ao invés de se perder pelo concreto da cidade
Só faz você perder mais tempo.
Ajoelhar-se diante de Cristo
É isso que querem pra você
Ajoelhar-se a rotina cristã da fé e da luta
É isso que desejam a você
Lobotomia ecumênica enquanto você deixa um copo de água diante da televisão
O bispo vai benzer,  seus problemas vão desaparecer e a paz irá florescer.
Que saco, não?
Pra família ser unida, não pode ter um bicha
É isso que pregam loucamente.
Mas a noite, cultuando os deuses pagões,
Se entregam ao álcool e aos prazeres da carne,
Como qualquer ateísta ou agnóstico faria,
Mas sem julgar qualquer princípio de família.
Muito menos te atiram pedras ou cuidam da sua vida.
A grande verdade é que não vale a pena seguir a Bíblia!
Entoar mantras pode ser a solução ou não
Nem estou aqui pra julgar qualquer religião.
Bata um tambor e ascenda uma vela para o seu orixá,
Mas faça isso antes de trepar.
O confronto interno é benéfico,
Questionador e inquieto.
Pra que apagar essa incrível faísca?
Temos o coito, conhecido como sexo, nossa maior fonte de prazer
Id, Ego e superego
Penetração, masturbação, diversão versus oito horas de sono, meditação e boa alimentação
Tudo isso traz paz pro seu cérebro e aquece também seu coração.

sábado, 23 de julho de 2016

A fêmea do Paraná

Seu nome queima igual a um edifício pegando fogo
Brilha no neon dessas noites onde procuro me perder
Olho nos bares, mas sei que não vou encontrar sua face.
Pergunto de você nas bancas de jornais,
Mas por lá você não passou mais.
Escondo meu olhar triste embaixo dos meus óculos escuros.
Me sinto no fio da navalha, em cima do muro.
Vejo que nas ruas do centro só a sangue e sujeira
E nada das suas pegadas por essas calçadas tristes
Repleta de lágrimas
Doce mulher curitibana
Deleitável fêmea do Paraná
Em algum momento daquela noite você fez meu coração vibrar,
Cantar fora da nota, do tom correto.
Um turbilhão de coisas passa pelo meu imbecil cérebro.
Talvez seja essa imensa vontade de te agarrar,
Como um carro fugindo do pedágio na BR-277,
Ou as águas  fortes que banham o Porto de Paranaguá
Eu quero te penetrar.
Talvez te penetraria intensamente
Como um bruto dos tempos das cavernas.
Um Homo sapiens vadio, forte, caçador e cheio de tesão
Mas onde posse te encontrar,  doce fêmea do Paraná?
Será que posso me perder nesses olhos claros mais uma vez?
Devo libertar meu coração para o amor novamente?
Sair do marasmo de uma estressante vida comum e egoísta?
Ou talvez, num instante repleto de volúpia,
Me deixar levar pelo direito de te desejar?
Quero tirar a sua roupa sem pressa alguma, tocar seu corpo sensualmente,
Como minha alma manda e minha mente fantasia.
Com toda a força das minhas mãos
Quero acariciar os bicos claros do seu peito
Ficar contigo no leito, sentindo você se contorcer.
Olhando na profundidade dos seus olhos claros em um quarto repleto de libido.
E podendo alcançar o  meu maior prazer
Te fazendo gritar
Até você gozar, doce fêmea do Paraná