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segunda-feira, 14 de novembro de 2016

A hipócrita dor do amor

Hoje a noite algo parou.
Meu coração disparou.
E nem sei o motivo.
O gosto da sua boca mudou
E em sua língua há espinhos.
Até ontem, baby blue,
 andamos no mesmo caminho.
Mas algo passou em sua cabeça,
Um filme sem cor, uma flor sem cheiro,
o momento onde o amor
se transforma em desespero.


Nossos sentimentos,
nesse momento,
velejam para o Ártico.
Sou obrigado a ficar aqui parado,
com um choro contido,
no meio do nada, 
procurando abrigo.


Mas você será forte,
como toda mulher é,
E enquanto sinto 
meu coração em pedaços,
imerso na pieguice
de um peito enamorado,
Você segue em frente,
diz que é a sua chance de
 recomeço.


Respiro, penso e sinto,
imagino nós dois na cama,
enquanto toco o seu quadril.
Logo depois, você acende 
o último cigarro.
Me olha mais uma vez,
Sopra a fumaça e diz:
 - Tchau, amor.
Abro os olhos.
Vejo que tudo não passou
de um delírio.

É melhor me esconder,
voltar a dormir
e chorar embaixo do cobertor,
enquanto acoberto a maldita
e hipócrita dor do amor.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Mais um dia

Teorias da conspiração,
Como as de um filme do Oliver Stone,
Surgem nos pensamentos dela.
Não é fácil acordar às 4h,
Lavar o rosto, calçar os sapatos,
Engolir o café a seco e seguir a rotina.
Saber que enfrentará o assédio de diversos 
babacas, velhos pervertidos e de clientes chatos
Por mais um dia.
Muitas vezes, perdida em seus pensamentos,
Solta um sorriso bobo, vai a alguma nova dimensão,
Mas logo é obrigada a voltar a realidade,
Ao trabalho chato e medíocre,
Que ela sabe não estar a sua altura,
No telefone uma nova reclamação,
Os comandos de uma nova missão,
Algo que ela não ganha pra fazer.
Levanta pra tomar um café,
Não dá sorte, o idiota de outra área
Insiste em convidá-la pra sair.
Tudo que ela queria, nesse crucial momento,
Era sair de cena, deixar pra lá.
Talvez ter um coquetel molotov
Mas seria um absurdo, melhor voltar pro seu lugar.
E na mediocridade do seu dia,
O seu olhar encobre alguns de seus sonhos,
Um encontro comum na fila de uma padaria,
Uma risada sem graça acompanhada de
Um beijo na bochecha.
Papos filosóficos pela madrugada.
Talvez na próxima semana isso aconteça,
Depois da sessão de terapia da quinta.
Mas agora chegou a hora esperada,
Desliga o computador,
Passa o relatório pra estagiária.
Vai seguir sua vida,
Tomar um banho, se fechar no quarto 
Com algum escritor russo.
Depois precisa dormir,
Já que amanhã é mais um dia
De sua dolorosa rotina.

sábado, 8 de outubro de 2016

Deusas

Amo todas as mulheres que cruzam o meu caminho,
Todas elas, seja mãe, vó, tia, amiga, namorada, amante,
Todas aquelas que vou conhecer em um destino distante.
Todas aquelas que fizeram parte de um passado inconstante.
Amei desde a mais louca, que me fez perder noites de sono,
Ou mesmo aquela, que me fazia vários interurbanos.
Teve uma possessiva, queria todo controle da minha vida.
Outra me chamou de machista por conta da uma mania.
Algumas me odeiam, com todas as suas forças.
Mas detesto falar de passado, muito menos ficar preso a ele.
Só sei que considero todas Deusas com D maiúsculo.
E todas, sem exceção alguma, merecem meu respeito.
Mas, principalmente, a todas eu dou meu maior presente:
Todo o amor que eu tenho guardado no fundo desse peito.

domingo, 7 de agosto de 2016

A cidade (eu quero ela, mas ela não me quer)

O clima está excelente.
Talvez a noite prometa algo.
Não sei, mas meu coração tá apertado.
Alguns dias queremos conquistar a cidade.
É esse sentimento que sinto dentro de minha alma.
É esse sentimento que quero expor.
Me perder entre esses muros carregados de mágoa.
Me entreter nos lindos peitos da saudade, do arrependimento.
De todas as merdas que eu já fiz.
Às vezes a cidade te oferece um clima ótimo,
Uma lua especial,
Mas é melhor se entreter sozinho.
É um aviso:
“Mantenha-se longe das máquinas, dos problemas, meu jovem!”
E tudo que penso é mandá-los a puta que os pariu.
Talvez minha mente ou alma seja perturbada (APENAS UMA DAS DUAS)
Às vezes me sinto como Sinatra cantando That’s Life.
Em algum mês eu vou ressurgir, me tornar rei,
Conquistar tudo, mulheres, ouro, seu maldito coração.
Na maior parte do tempo me sinto assim.
É ótimo.
Mas, voltando, quero conquistar a cidade.
Você me orienta?
Me explica como?
O clima tá tão bom.
Mas há uma energia ruim no ar.
Você não sente?
Algo carregado, como uma nuvem repleta de chuva.
Sem orgasmo, sem tesão.
Nem toda tempestade deveria ser assim.
Mas quero conquistar essa imensa cidade.
Ver meu nome nas luzes.
Que porra eu tenho que fazer pra isso?
Minha mãe me acha um gênio!
Será que vou ter que ligar  minha guitarra?
Tocar um hino, como Hendrix?
Eu vejo várias garotas passarem por mim.
Desejo todas.
Desejar é ativo, ser desejado é passivo.
Isso é o que diz um espanhol popular.
Ele tá certo.
Desejo você, desejo todas.
Quero você, sua amiga, sua mãe,
todas nuas na minha cama.
Quero me inspirar por vocês,
Mesmo que isso seja um problema.
Mas quero me perder pela cidade.
Ela não me dá espaço.
Ela é durona comigo.
Quero fazer amor com ela.
Algum tipo de carinho.
Mas ela não deixa.
Essa maldita velha dama.
Quero sentir seu fogo,
Seu cheiro.
Quero descobrir os seus pecados.
Sujos, depravados.
Mas ela não se abre.
Maldita seja.
Me deixe tomar uma cerveja em seus lindos seios,
Oh, seios de uma falsa liberdade.
Eu os desejo.
Minta pra mim, sem verdades essa noite.
Diga-me a verdade apenas após a meia-noite.
Trepe comigo até o próximo anoitecer.
Doce pássaro da juventude.
Doce charme da tarde.
Quero você
Quero sentir seu gosto, descobrir que sabor você tem.
Até eu arranjar uma cidade,
No ano que vem.
Só o ano que vem.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

A garota que nunca esteve lá

Se encontraram apenas uma vez
E a identificação foi instantânea
Olharam olhos nos olhos
E a Terra toda tremeu naquele momento
Se despediram,  com certo ar aflito
Pra nunca mais se encontrarem
Mas já era,
Você se sentiu envolvido pelo par de olhos,
Mas a garota nunca esteve lá.
Então você a procurava em sonhos,
Neles você a amava, até mesmo sentia sua pele
Mas, quando acordava,
A garota já não estava lá.
E ia pro trabalho,
Relembrando o rosto daquela mulher,
E as lembranças te traziam mais desejo,
Seu coração ficava inquieto,
A respiração sempre ofegante,
Culpa de todos os cigarros
Cigarros que você fumou,
Esperando aquela que não estava lá.
Mais um dia se passou,
Você não fez absolutamente nada.
Tomou um gole de café,
Arrumou o nó da sua gravata
Sentou no sofá e ligou a TV,
Não adiantava nada,
Ela não estava lá.
Então você resolveu cair na real,
Nunca mais tentou entrar em contato,
Mesmo achando tudo isso um saco
Resolveu aceitar que nunca mais ela ia voltar,
Ela não te daria uma chance de amá-la de verdade,
Afinal, ela nunca esteve lá.
Num final de tarde ensolarado,
Em uma praça qualquer,
Você vê a bela figura daquela mulher,
Mas não faz nada.
Você que sonhou acordado tanto tempo,
Sempre desejando encontrá-la
Não vai fazer nada,
Descobriu que é melhor deixá-la pra lá,
Já que, ela nunca pertenceu a nenhum lugar,
Muito menos ao seu frágil e pobre coração
E nunca, nunca mesmo,
Ela estará lá,

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Uma Deusa na minha porta

Há uma Deusa na minha porta.
Ela acaba de dançar no corredor.
Ela não tá nua, mas me parece completamente sexy
E agora olha diretamente em meus olhos.
Nos meus pensamentos, eu que sempre fui tão sozinho e vivi o dia de hoje loucamente,
vislumbro o futuro.
Há uma coisa animal, de pele, de cheiro.
Não sei explicar, um tesão apenas no olhar.
Como eu gostaria de estar nos braços da Deusa da minha porta.
Sentindo seus lábios vermelhos, nem tão carnudos assim, mas sensuais.
Sensuais como a velha pin-up daquela revista masculina da borracharia.
Queria pegar na sua mão, com diversas cicatrizes de ex-amores,
Escutar seu coração, observar sua alma e descobrir quais os seus pavores.
Qual é o medo da Deusa na minha porta?
Talvez seja o medo de amar, da entrega, coisa comum em quem já tá cansado da busca e da loucura.
Relações são como a navalha do barbeiro que faz a minha barba.
Sempre há uma lamina no meio, algo cortante, mistérios do coração.
Talvez a Deusa na minha porta tenha o medo de correr riscos.
Logo ela, que já viajou o mundo, deixando seus cabelos louros ao sol.
Sentiu a brisa da estrada, sem pudor algum, com um cigarro aceso no canto da boca.
Filtro branco, pra parecer um pouco comum.
A Deusa na minha porta talvez saia a noite pra brincar de gata.
Dorme 38 horas e na madrugada percorre becos, esquinas, em busca de sei lá o quê.
Melhor não saber.
A Deusa na minha porta não me deixa dormir.
Estou insone há vários dias, e a Deusa continua ali, me causando prazer e agonia.
Fico com vontade de me apaixonar, de empurrá-la na parede e fazer amor.
Mas algo me bloqueia.
Será que é a minha cabeça, já tão degastada por conta dos desperdícios do meio do caminho?
O que eu posso fazer com a Deusa que permanece lá, na minha porta?
Convido ela pra alguns dos meus sonhos mais loucos, aqueles que me transportam para terras mais selvagens que Sodoma e Gomorra, sem pudor algum?
Mas preciso dormir, descansar, levitar, relaxar, sei lá.
Quem sabe assim a Deusa não fica lá, parada lindamente, sensualmente, brasileiramente,  na minha porta.
Mas prefiro que ela venha dormir comigo, pra me seduzir, me acalmar, me levar ao passado através de um beijo, daqueles tipo Gable and Lombard.
Enquanto ela não vem, fumo alguns dos meus cigarros e tento fazer rimas.
Rimas essas, que podem nem ser tão originais assim, clichês desses tempos nossos, mas inspiradas por todo o amor que eu sinto pela Deusa que fica na minha porta.