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segunda-feira, 14 de novembro de 2016

A hipócrita dor do amor

Hoje a noite algo parou.
Meu coração disparou.
E nem sei o motivo.
O gosto da sua boca mudou
E em sua língua há espinhos.
Até ontem, baby blue,
 andamos no mesmo caminho.
Mas algo passou em sua cabeça,
Um filme sem cor, uma flor sem cheiro,
o momento onde o amor
se transforma em desespero.


Nossos sentimentos,
nesse momento,
velejam para o Ártico.
Sou obrigado a ficar aqui parado,
com um choro contido,
no meio do nada, 
procurando abrigo.


Mas você será forte,
como toda mulher é,
E enquanto sinto 
meu coração em pedaços,
imerso na pieguice
de um peito enamorado,
Você segue em frente,
diz que é a sua chance de
 recomeço.


Respiro, penso e sinto,
imagino nós dois na cama,
enquanto toco o seu quadril.
Logo depois, você acende 
o último cigarro.
Me olha mais uma vez,
Sopra a fumaça e diz:
 - Tchau, amor.
Abro os olhos.
Vejo que tudo não passou
de um delírio.

É melhor me esconder,
voltar a dormir
e chorar embaixo do cobertor,
enquanto acoberto a maldita
e hipócrita dor do amor.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

A crônica do parafuso ou "A máquina"

Nós somos pequenos
Engrenagens em um sistema perverso
“O horror...o horror”
Você não se sente como um parafuso?
Você nunca entra em parafuso?
44 horas semanais
E você só é aquilo que ajuda o óleo se espalhar pelo motor
Fica feliz com tão pouco?
Um passeio no parque com a doce namorada no final de semana
Com direito a pipoca melada, vermelha, como o sangue que você derrama
Na máquina
Sabe que tá ferrado
Enquanto o homem do dinheiro assedia alguém na firma
Ele tem o poder
Você?
Apenas algum charme
Isso não basta.
Olha pro céu e vê se Deus tá lá.
Se ajoelha ou apenas tenta,
Enquanto você é sufocado no trem das 6h30.
O cara de boné e fone de ouvido te encara.
Ele também é apenas um dos pistões da máquina.
Você não liga, sabe que a culpa do aperto não é sua.
Agora briga pra passar na catraca
E começa os 20 minutos de caminhada.
Você chega suado, nem teve tempo de tomar água.
Mas a engrenagem tem que funcionar.
E, sem perceber, seu sangue já tá lá.
Em mais um dia no inferno,
Fazendo o que você não gosta.
Olhando caras que não se importam.
Toma um café pra lubrificar melhor.
Você já tá o pó.
No almoço, a marmita tá estragada.
Uma refeição na rua fica cara.
Mas e dai? A máquina nunca para.
Faz uma fé na Loteria.
No fundo sabe que esse dinheiro será desviado e vai pro bolso de quem não merecia
Já se questionou?
Gosta de se vender por alguns trocados?
É bom ser um escravo barato?
Chega o fim do expediente.
Parafuso dorme?
Mas e o sistema?
E a máquina?
Como fica agora?
Uhnnn, um prego vem pro seu lugar após às 18h.
Que negócio escroto.
Mas a máquina nunca para.
Para os donos dela, o show não pode parar.
O sistema tem que continuar.
“That's Entertainment!”
O ônibus tá cheio agora.
Mais três horas.
Você é roubado.
Relaxa, ele é apenas um parafuso solto da máquina.
Chega em casa.
Contas atrasadas.
Você vive pra isso.
Pra manutenção de um sistema falido.
Não sabe disso.
Chegou a hora de deitar.
No fim, a máquina não vai parar.
Você morreu.
Meus pêsames.
Uma coroa de flores pro seu velório.
Seu filho chora.
Sua mãe surta.
Mas amanhã, fica tranquilo.
Um outro parafuso entrará no seu lugar.
E, como você, não descobrirá
Que o sistema só quer seu dinheiro e
TE MATAR...

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Deus estressado

Essa noite Jesus não quer sua companhia.
E nem Deus tá afim de te ouvir.
Ele deve estar ocupado criando outra paraíso superficial,
Outro planeta escroto e covarde.
Monstros habitarão lá, o que não é diferente daqui.
Jesus tá cansado, nem joga videogame mais.
Cansou das coisas que fazem em seu nome e viu que não valia a pena brincar
Até tentou zerar a fase, mas ficou complicado demais.
São Pedro perdeu uma das chaves pro céu.
Judas tentou entrar, mas foi impedido por seguranças
Richard Nixon também ficou por lá, já que não achou o Inferno legal.
Na real, ele detesta se bronzear.
Mas Deus ainda não acabou seu plano e resolveu tomar uma com o Diabo.
O Diabo na verdade é uma mulher, de curvas longas, daquelas tipo fatal.
Ela comando o “inferninho” de forma leve, sem pressão, até sorri pros hóspedes.
Elvis e Jimi Hendrix estão lá, enquanto Marlon Brando dança tango, talvez seu último.
Deus, como Jesus, ficou cansado e desistiu da humanidade.
Descobriu que é melhor passar com  o analista e se tratar, assim descobre novas possibilidades.
O estresse ferrou com Deus, ele já não aguenta mais tanta autopiedade das pessoas.
Diz que em um mundo tão cruel, é impossível existir uma alma completamente boa.

É melhor jogar sinuca e ficar sentado no paraíso à toa.