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terça-feira, 14 de novembro de 2017

O fantasma do tempo

Todo o tempo vai passando na sua frente
Chronos e Kairós diante dos seus olhos
Enquanto seu coração se mantém preso ao tempo
E o passado se apaga da sua mente.
Os dias de diversão na sua sala,
Sinceramente, hoje não valem nada.
E o riso, o suor que escorria da sua testa
São apagados com pressa.
Quanto tempo será que me resta?
Velhos hábitos desaparecem,

Outro bate à sua porta agora,
Vai atender?
Será que vale a pena jogar a chave fora?
E nos seus pensamentos, independente do tempo,
Aquelas noites em seu apartamento irão surgir.

Não adianta tentar desistir agora.
E na boa,pra mim pouco importa.
Você já acenou diante da janela.
Não disse adeus, mas, aos poucos,
Me mandou embora.

Agora vou sumindo, me torno parte da história
Um pedaço que deve desaparecer, 
Como o fantasma de alguma outra estória.

sábado, 24 de junho de 2017

Desenganos e uma pergunta no ar

De cima do Elevado, trocando olhares
Andando lentamente, imaginando outros ares.
No frio d’alma, no calor de certos mares
Em outras camas, diversos lares
Estamos de volta a jogada, baby
Preparando a próxima bola que irá até a caçapa.

Diante do peso que temos em nossos ombros
Ou de todas as mágoas que cravam o nosso peito,
Voltamos ao velho labirinto, onde não conta o prazer,
Mas sim o respeito.

E nas estrelas diante de nós,
Numa busca incessante por paz,
Estamos aqui, no mesmo espaço,
Tentando nos encarar,
Ensaiando um novo paço.

Seus vizinhos te chamam de linda,
Mas você é mais que isso.
Quer ser reconhecida por outros caminhos,
Por outras vidas, algum novo destino.


E a terra roxa treme, como um peão prestes a parar de girar.
Surge algo no espaço, uma cor nova irá brilhar.
Mas dentro de mim tenho apenas uma pergunta:
Será que vamos nos encontrar?

sexta-feira, 2 de junho de 2017

A garota do fusca branco

A garota do fusca branco
Vê um mundo diferente 
através dos aros grossos 
de seus óculos
A garota do fusca branco
não pergunta como você está
pra ela pouco importa
o negócio é deixar rolar
A garota do fusca branco
curva o corpo enquanto está no volante
e nem olha no retrovisor
tem medo de ficar presa em algum
momento distante, algo que não vale lembrar
A garota do fusca branco
tem cabelos curtos e escuros
e sente frio o ano inteiro
inclusive no doce sol de fevereiro
quando o carnaval costuma reinar
A garota do fusca branco
tem sonhos, mas pisa rápido no acelerador
não pode deixar o motor da vida afogar

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

À Procura

Noites de tormenta
Uma busca a lugar nenhum
Rostos insones pela madrugada
Talvez eu seja mais um
Das nuvens negras lá no céu
Espero clemência e perdão
Me ajoelhando diante do nada
Por um momento de fé ou razão
Autopiedade nunca foi o meu forte
Mas às vezes sei o trapo que estou
Bebendo em todos os bares
Muito menos sabendo quem sou
Arrumo o meu óculos à la Mastroianni
Coloco um cigarro no canto da boca
Procuro nas avenidas escuras
Esbarro em uma multidão louca
E nos becos dos mendigos
Tento te achar com afinco
Mas nada consigo encontrar
Sei que você não está lá
Mesmo sem fé ou razão
Mesmo não querendo o perdão
Tentando acreditar em Cristo
Até mesmo, quem sabe, no destino
Continuo a te procurar
Mas na minha agenda de telefones
Seu número já não está
E cada dia do mês
Em cada sono profundo
Cada vez mais aflito
Fico tentando sonhar
Com o dia em que vou te encontrar

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

A necessidade do risco

Não gosto de dividir a cama
e detesto quem detesta solidão.
Não é aversão a companhia,
mas preciso de espaço,
da cama vazia.
Não tenho medo de ficar sozinho,
sempre  prefiro amores de um só dia.
E quem tem pena, fica com dó de mim,
Mando sair do meu caminho - é melhor.
Gosto da dança, de ver coxas
balançando em um vestido preto.
De ver as moças saindo do trabalho,
todas com o cabelo ao vento.
Sentir certas fragrâncias no ar,
desnudá-las sem nenhum medo.
Não é que tenha pavor de namoro,
muito menos casamento,
Mas pra sentir o sangue nas veias,
é necessário certo risco, afinal, só assim
conseguimos  libertar o espírito.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Poesia eletrônica

Já não escrevem mais a mão
Não há sequer, no papel, 
A marca do batom.
É tudo touch screen,
Basta apertar um botão,
Simples assim.
Cartas de amor, 
Que costumavam ser bregas.
Ninguém escreve mais.
Ficam em bate papos infinitos,
Por meio de algum aplicativo,
Sem tempo pra sentir a saudade,
Apenas alguma instantânea felicidade,
Que maldade!
Os amantes, conectados a todo instante,
Não circulam mais pelas praças,
Muito menos sentam em bancos,
Estão sempre online, 
Mas com almas desconectadas.
Até mesmo o clichê das mãos dadas
Naquele velho pálido luar
É uma água passada.
Troca de olhares em um balcão qualquer,
Enquanto a cerveja refresca o corpo suado,
Foram substituídas por um cardápio variado,
Onde a sorte conta um bocado.
Pra encontrar com quem se quer.
Hoje meus versos são digitais,
Minhas palavras universais.
E de alguma parte do mundo, 
Um lugar globalizado e moribundo,
pós-moderno e após a bomba atômica,
Ainda insisto no verso e na prosa
Através da minha poesia eletrônica.

sábado, 5 de novembro de 2016

Anjo do amor

Eu tô perdido e confuso,
Sozinho num caminho louco,
Não aceita cartão de débito por aqui.
Não sei o que fazer, muito menos sentir,
Queria ser como Van Morrison,
Perfeccionista ao extremo,
Te escrever uma canção,
Ver se o solo de sax tá certo,
Te agarrar, te sentir.
Mas sou um intruso,
Um covarde, que todos os dias,
Todos os dias, queria dar um “olá” pra ti.
Pode parecer bobagem, uma loucura irreal,
Mas, desde que conheci você, te vi,
Tudo que desejo são noites quentes,
Sua cabeleira loira, seu cheiro,
E seu corpo todo, todo pra mim.
Sei que não tô rimando,
Nem tenho inspiração pra tanto,
Mas queria você aqui.
Queria você me afagando a dor,
Fazendo trapézio da minha solidão,
Me amando como sou.
Não sou um infeliz,
Muito menos imbecil,
E, talvez, tô esperando um anjo louro,
Que me traga algum tipo de conforto,
E que, de certa forma, ore por mim
Não vou chorar e sofrer.
Sei que seu caminho é longo,
E eu tô perdido, perdido no meu destino.
Gritando contra a dor, procurando seu amor.
E, do nada,
Você pode surgir aqui pra mim,
Cheia de dúvida e certo rancor,
Com velhos receios,
Quem sabe sem medos,
Pronta para ser, apenas,
Meu eterno anjo do amor.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Pro universo

Você partiu na manhã de sábado.
Um sol escaldante pairava sobre o seu corpo.
Sua sombras brilhavam por toda rua.
Era proposital; era a última vez que te via.
Fizemos amor na noite anterior
E no calor do quarto, sufocava ao seu gemido.
Decibéis de prazer como trilha sonora
De uma noite de lua cheia próximo
A uma triste aurora.
Sabia que você ia embora,
Mas evitei qualquer assunto,
Queria evitar um clima de tensão,
Algum tipo de tristeza, sabe.
Me concentrei na safadeza,
Em todo o tesão.
E na natureza dos nossos corpos nus,
O meu desejo era que em seu sexo,
Uma chuva ácida, à lá Hiroshima e Nagasaki,
Surgisse do nada e me fizesse sentir.
Sentir todo o prazer que você me oferecia
Outra vez.
Não insisti pra você ficar,
Já que acredito que a vida são ciclos.
E apesar desse meu pensamento clichê,
Da poesia pobre de revista Amiga
E do meu espírito inconstante,
Achei que por um momento,
Algum instante,
Poderia te amar.
Mas não deu, foi mal,
Deixo você me odiar.
Às vezes acho que há um buraco no meu coração,
Um vazio pra preencher,
Aquele espaço pro rejunte,
Igual nos velhos azulejos azuis da cozinha.
E é melhor você partir,
Talvez você se assuste.
Mas honey darling,
Além da liberdade de ir,
Te dou a de voltar.
E, no momento certo, mesmo que seja no inferno,
Puxe uma cadeira, se aconchegue
E fique pra ficar.
Ou só respire mais um pouco,
Me deixe rouco e, no meu tempo,
Você pode me amar.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Por hoje basta

Sente-se e tome alguma bebida.
Sei o quanto é difícil ficar a vontade,
E o meu papo até parece música,
Música de má qualidade, é claro!
Tente relaxar, de verdade.
Esquece o calor que tá lá fora
E de todos sonhos perdidos outrora.
Daquela gente com coração frio,
Querendo sucesso a qualquer preço,
Sem se importar em amar.
Almas nem tão vazias,
Mas tristes, perdidas,
Sem nenhuma luz pra brilhar.
Encoste o seu corpo com o meu.
Pele com pele, é bem melhor assim.
Fica tudo mais fácil.
Deixa eu beber esse suor repleto de medo.
Com gosto da dúvida e certo receio ao se entregar.
Entendo que seu coração já foi machucado,
Tá calejado, empedrado, enquadrado.
Guardado em alguma gaveta vazia atrás do armário.
Me sinto assim também, mas só de vez em quando.
Aí fico no canto, refletindo e pensando.
Tentando me encontrar.
Mas já tô perdido, milhas e milhas longe 
Do meu real destino.
Então, o que me resta,
É sentir você sem pressa,
Esquecer do meu relógio velho, 
Que fica pendurado na cozinha,
Sentir seu cheiro felino,
E te fazer minha,
Só minha.
E isso, por hoje,  basta.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Tolo no amor (ou Fool For Love à brasileira)

Tolos no amor. Eles são tão recorrentes, seja em canções, poesias, romances ou numa péssima novela da televisão. Tolos no amor são vistos em cada esquina, no bar que você bebe a fiado, no supermercado, abastecendo as gôndolas de frutas. Tolos apaixonados estão em todos os cantos, em todas as cidades, talvez até esteja no seu quarto. Às vezes, pela manhã, você veja um deles no espelho ou lá, esquecido no porta-retrato. Não é só em Paris que um bêbado se ajoelha pra sua puta preferida e implora o amor. Não é só na igreja que existem pessoas fazendo promessas pra São Judas Tadeu dar uma forcinha pro coração. Num desses aplicativos de paquera, bem na tela do seu celular, um deles vai estar lá. Até Sam Shepard, um tremendo dramaturgo e poeta, com grandes conquistas, é um tolo no amor e escreveu sobre isso. Olhe em sua baia do escritório e verá pelo menos cinco deles - esse termo baia é tão animal. Mas não vamos perder o foco, afinal, estou disposto a me ajoelhar em sua frente, implorar, chorar, me descabelar, andar pelado no Viaduto do Chá na madrugada, e tudo isso só por uma razão: sou um tolo no amor, como todos os outros, como todos os humanos, e estou aqui somente pra te amar. Seja por míseros minutos na cama de um quarto sujo em um hotel nas  redondezas da Amaral Gurgel, onde minha forma de amar sexual encontrará o seu corpo nu e branco,  seja em sua cama, onde os gatos soltam pelos durante o sono interminável da tarde. E estou disposto a fazer isso horas e horas, dias e dias, meses e meses, anos e anos. Que banal e repetitivo eu sou. Mas me perdoe, sou apenas mais um tolo no amor. 

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Tese negativa sobre os nossos dias

Atiraram no comitê político de um candidato outro dia.
Deram quatro tiros e se mandaram.
A polícia arrancou o olho de uma menina em um protesto.
“Tudo pela ordem e progresso”, eles dizem.
Num bar, em uma tarde tranquila,
Um homem que matou sua mulher e filha atira pra matar.
Nas docas eles resolveram parar de trabalhar.
Cada dia tá mais agoniante.
Não há nenhuma alegria no ar.
Violência sem  caos vira terror na palavra dos aproveitadores.
Eles são fascistas e estupradores, mas na mídia, são homens de família.
Enquanto isso o mendigo compra crack em uma esquina esquecida.
Mas ele é um problema da guerra contra as drogas e a saúde dele pouco importa.
Vivemos em dias terríveis, dias maldosos,
Em ruas que pegam fogo em plena luz do dia.
O trânsito caótico faturou suas vítimas de hoje.
Mas vão aumentar a velocidade permitida.
Pra eles é melhor viver no caos, o sangue e a agonia.
A guerra gera mais dinheiro que um povo consumista.
Um homem pobre doou seu carro a um pastor hoje.
Ele quer ir pro céu e pra isso é necessário deixar a igreja mais rica.
Na TV o apresentador gera fúria e confusão.
É sempre mais fácil enganar pra faturar mais algum milhão.
Mas em outro canal te vendem a glória do amor.
Que sem ele a vida é banal, um verdadeiro horror.
Mas tudo é uma ilusão e a TV serve pra isso.
Num ônibus, uma velha pedinte diz que ganhou no bingo.
Por dia ela fatura mais do que você no seu trabalho que sempre foi um lixo.
Mas a vida não é justa, nunca foi.
E por mais positivo que você seja, a realidade sempre vai vir cair sobre as nossas cabeças.
E ela será cruel, impiedosa, como a mão que te afaga e depois te dá um tapa.
Reflexo de tempos mesquinhos, mas agora já é tarde.
É melhor sair andando, já que a noite vai ter maldade.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Domingo

Você desce do seu carro de uma forma tão cool
Tipo o Lou Reed com camisa preta e óculos escuros
tocando um rock básico, direto e intenso.
Suas pernas, longas por sinal, se mexem de forma tão incrível.
Na real, as ruas da cidade ficam pequenas pra você.
Talvez seja o jeito que você mexe a bunda enquanto anda.
Garota durona, mulher difícil, deusa dos sonhos juvenis.
Talvez Robert Crumb tenha te desenhado em algum quadrinho sujo.
Não poupe suas palavras e diga o que quiser; bobagens, de preferência
Componha um rock’n’roll, uma canção de amor, mas esqueça do final feliz.
Tô cansado desses caras que sempre falam do amor e da dor.
E você tá tão sexy, que nem precisa perder tempo com isso.
Tome algum drink, um gim e dance.
Dance até cansar, até o seu corpo ficar realmente solto.
Não se preocupe com o futuro, só pense no princípio.
“Princípio do quê?”, você deve estar se perguntando.
Tomara que seja do prazer, do êxtase e do ardor
Essa noite quero provar do teu ópio e me alucinar.
Talvez isso ocorra enquanto um coral de bêbados canta uma canção de ninar.
Mas, fingindo que mudo de assunto,
Há um jazz que toca dentro de mim enquanto você me agarra e ri.
Uma maldade cheia de charme, minha menina sacana.
Mas agora já vai chegando a hora de partir, já clareou lá fora.
Os pássaros nos observam através das frestas da persiana.
Temos que esvaziar o quarto, começar outra semana.
Mas, por mim,  todos os dias poderiam ser intensos, deveriam ser quentes.
Quentes como são todos os  meus domingos com você.
Que prazer!

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Iodo



Eu precisei de você,  sabia que corria o perigo
de perder o que costumava achar que era meu
Você  me deixou  te amar até que eu  fracassasse
Você me   deixou  te amar até que eu  fracassasse -
Tua beleza na minha ferida como iodo

Perguntei-lhe se um homem pode ser perdoado
E ainda que eu tenha fracassado no amor, isso foi um crime?
Você disse, Não se preocupe, não se preocupe, querido
Você disse, Não se preocupe,  não se preocupe, querido
Há muitas formas de  um homem servir ao seu tempo

Você tomou conta do lugar que não pude controlar
Não era escuro o suficiente para fechar meus olhos
Então, eu estava com você, ó doce compaixão
Sim, eu estava com você, ó doce compaixão
Compaixão com a picada de iodo

Seus beijos santos exalavam iodo
Sua fragrância tinha emanações de iodo
E se compadeceu na sala como iodo

Seus dedos noviços queimavam como iodo.
E toda a minha luxúria desenfreada era iodo
Minha falsa crença era iodo.
E em todo canto a chama de iodo. 

(traduzido por Gabriel Caetano)

domingo, 7 de agosto de 2016

A cidade (eu quero ela, mas ela não me quer)

O clima está excelente.
Talvez a noite prometa algo.
Não sei, mas meu coração tá apertado.
Alguns dias queremos conquistar a cidade.
É esse sentimento que sinto dentro de minha alma.
É esse sentimento que quero expor.
Me perder entre esses muros carregados de mágoa.
Me entreter nos lindos peitos da saudade, do arrependimento.
De todas as merdas que eu já fiz.
Às vezes a cidade te oferece um clima ótimo,
Uma lua especial,
Mas é melhor se entreter sozinho.
É um aviso:
“Mantenha-se longe das máquinas, dos problemas, meu jovem!”
E tudo que penso é mandá-los a puta que os pariu.
Talvez minha mente ou alma seja perturbada (APENAS UMA DAS DUAS)
Às vezes me sinto como Sinatra cantando That’s Life.
Em algum mês eu vou ressurgir, me tornar rei,
Conquistar tudo, mulheres, ouro, seu maldito coração.
Na maior parte do tempo me sinto assim.
É ótimo.
Mas, voltando, quero conquistar a cidade.
Você me orienta?
Me explica como?
O clima tá tão bom.
Mas há uma energia ruim no ar.
Você não sente?
Algo carregado, como uma nuvem repleta de chuva.
Sem orgasmo, sem tesão.
Nem toda tempestade deveria ser assim.
Mas quero conquistar essa imensa cidade.
Ver meu nome nas luzes.
Que porra eu tenho que fazer pra isso?
Minha mãe me acha um gênio!
Será que vou ter que ligar  minha guitarra?
Tocar um hino, como Hendrix?
Eu vejo várias garotas passarem por mim.
Desejo todas.
Desejar é ativo, ser desejado é passivo.
Isso é o que diz um espanhol popular.
Ele tá certo.
Desejo você, desejo todas.
Quero você, sua amiga, sua mãe,
todas nuas na minha cama.
Quero me inspirar por vocês,
Mesmo que isso seja um problema.
Mas quero me perder pela cidade.
Ela não me dá espaço.
Ela é durona comigo.
Quero fazer amor com ela.
Algum tipo de carinho.
Mas ela não deixa.
Essa maldita velha dama.
Quero sentir seu fogo,
Seu cheiro.
Quero descobrir os seus pecados.
Sujos, depravados.
Mas ela não se abre.
Maldita seja.
Me deixe tomar uma cerveja em seus lindos seios,
Oh, seios de uma falsa liberdade.
Eu os desejo.
Minta pra mim, sem verdades essa noite.
Diga-me a verdade apenas após a meia-noite.
Trepe comigo até o próximo anoitecer.
Doce pássaro da juventude.
Doce charme da tarde.
Quero você
Quero sentir seu gosto, descobrir que sabor você tem.
Até eu arranjar uma cidade,
No ano que vem.
Só o ano que vem.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

A garota que nunca esteve lá

Se encontraram apenas uma vez
E a identificação foi instantânea
Olharam olhos nos olhos
E a Terra toda tremeu naquele momento
Se despediram,  com certo ar aflito
Pra nunca mais se encontrarem
Mas já era,
Você se sentiu envolvido pelo par de olhos,
Mas a garota nunca esteve lá.
Então você a procurava em sonhos,
Neles você a amava, até mesmo sentia sua pele
Mas, quando acordava,
A garota já não estava lá.
E ia pro trabalho,
Relembrando o rosto daquela mulher,
E as lembranças te traziam mais desejo,
Seu coração ficava inquieto,
A respiração sempre ofegante,
Culpa de todos os cigarros
Cigarros que você fumou,
Esperando aquela que não estava lá.
Mais um dia se passou,
Você não fez absolutamente nada.
Tomou um gole de café,
Arrumou o nó da sua gravata
Sentou no sofá e ligou a TV,
Não adiantava nada,
Ela não estava lá.
Então você resolveu cair na real,
Nunca mais tentou entrar em contato,
Mesmo achando tudo isso um saco
Resolveu aceitar que nunca mais ela ia voltar,
Ela não te daria uma chance de amá-la de verdade,
Afinal, ela nunca esteve lá.
Num final de tarde ensolarado,
Em uma praça qualquer,
Você vê a bela figura daquela mulher,
Mas não faz nada.
Você que sonhou acordado tanto tempo,
Sempre desejando encontrá-la
Não vai fazer nada,
Descobriu que é melhor deixá-la pra lá,
Já que, ela nunca pertenceu a nenhum lugar,
Muito menos ao seu frágil e pobre coração
E nunca, nunca mesmo,
Ela estará lá,

sábado, 23 de julho de 2016

A fêmea do Paraná

Seu nome queima igual a um edifício pegando fogo
Brilha no neon dessas noites onde procuro me perder
Olho nos bares, mas sei que não vou encontrar sua face.
Pergunto de você nas bancas de jornais,
Mas por lá você não passou mais.
Escondo meu olhar triste embaixo dos meus óculos escuros.
Me sinto no fio da navalha, em cima do muro.
Vejo que nas ruas do centro só a sangue e sujeira
E nada das suas pegadas por essas calçadas tristes
Repleta de lágrimas
Doce mulher curitibana
Deleitável fêmea do Paraná
Em algum momento daquela noite você fez meu coração vibrar,
Cantar fora da nota, do tom correto.
Um turbilhão de coisas passa pelo meu imbecil cérebro.
Talvez seja essa imensa vontade de te agarrar,
Como um carro fugindo do pedágio na BR-277,
Ou as águas  fortes que banham o Porto de Paranaguá
Eu quero te penetrar.
Talvez te penetraria intensamente
Como um bruto dos tempos das cavernas.
Um Homo sapiens vadio, forte, caçador e cheio de tesão
Mas onde posse te encontrar,  doce fêmea do Paraná?
Será que posso me perder nesses olhos claros mais uma vez?
Devo libertar meu coração para o amor novamente?
Sair do marasmo de uma estressante vida comum e egoísta?
Ou talvez, num instante repleto de volúpia,
Me deixar levar pelo direito de te desejar?
Quero tirar a sua roupa sem pressa alguma, tocar seu corpo sensualmente,
Como minha alma manda e minha mente fantasia.
Com toda a força das minhas mãos
Quero acariciar os bicos claros do seu peito
Ficar contigo no leito, sentindo você se contorcer.
Olhando na profundidade dos seus olhos claros em um quarto repleto de libido.
E podendo alcançar o  meu maior prazer
Te fazendo gritar
Até você gozar, doce fêmea do Paraná

sábado, 25 de junho de 2016

Reflexões na fria tarde de sábado

Um punhado de pensamentos soltos invadem minha cabeça.
Na verdade, acho que só quero que você apareça.
Há uma necessidade muito grande na minha alma em te ver novamente.
Estranho isso, já que nem nos conhecemos bem.
Algo nesses olhos verdes de gato, nariz torto e dentes amarelados pelo cigarro mexeu comigo.
Sinto de longe que sua cabeça é perdida, igual a minha, e acho que é o que me fascina. 
Olho no relógio, vejo que a noite já vem e o frio vai ser forte.
Nenhum sinal seu, nenhuma mensagem ou algum maldito telefonema.
Muitas companhias femininas me chamam pra sair, mas simplesmente não consigo ir em frente.
Já tentei uma, duas vezes, mas fico imaginando o seu corpo e isso é realmente um problema,
Insisti também e é incrível, afinal, detesto isso.
A insistência é uma arma dos fracos e chatos, daqueles que não conseguem o que querem.
Mas nem sempre conseguimos o que queremos, muito menos o que precisamos.
Nesse momento o que eu preciso é de um abraço, um carinho, daqueles do tipo que a águia dá aos seus filhotes no ninho.
E é gozado, sempre fui feliz em ser um solitário convicto, mas agora me sinto tão sozinho.
Sinto um vazio que gela meus ossos e não estou nos meus melhores dias.
Precisava cantar algo no seu ouvido, te dizer bobeiras, falar que a vida pode ser boa.
Fico aqui nesse instante sobre um fio, onde não sei se mantenho a esperança ou desisto.
Minha conta tá no vermelho no banco, mas, se pudesse, pegaria toda a minha grana e traria aquela noite fria de um sábado de outono de volta.
Nunca mais consegui ser o mesmo e olha que eu tento.
Os amigos dizem que estou derrubado, eu olho no espelho e vejo como estou fraco.
Às vezes me sinto até desesperado.
Minha saúde não anda bem e uma porrada de resfriados me derrubou na cama.
Não estou no inferno astral, mas talvez seja um inferno carnal.
Um pagamento de dívidas dos passados, de alguma vez onde fiz tudo errado,
E nesse triste e chato final de tarde de sábado, tudo que eu peço é pra estar do seu lado.
Talvez algum pombo correio sujo te leve esse meu recado, mas agora vou ascender o meu último cigarro.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Capa de revista

Todo cara já saciou seu desejo folheando algumas páginas 
De revistas com mulheres nuas.
Daquelas que o poster enfeita o local de trabalho do borracheiro.
Podia ser no banheiro, no escuro do quarto, na cadeira de barbeiro.
Quantas maçãs não foram apreciadas.
Os movimentos do quadril de uma loira sarada.
Coisa masculina, besta, fetichista.
Do sado ao tímido “papai e mamãe”, você quis aquela mulher.
Sonhou com aquelas curvas à la Copam do velho e sábio Niemeyer.
Imaginou várias e várias vezes estar entre aquelas pernas longas,
Querendo chegar próximo aos rins.
“Eu já tirei a sua roupa, nesses pensamentos meus”,
Já dizia aquele antigo mestre e cafajeste poeta popular.
Quantas fantasias, em todos os lugares, camas de motéis, piscinas com água aquecida,
No banco sujo daquele carro japonês. 
Te homenageava, da minha forma mais pacata, coisa particular. 
Não que existisse algo no coração, mas com 11, 12 anos, bem, você descobre o tesão. 
E que tremenda emoção.
Chegava da escola e ia correndo procurar aquela revista com coelhinhas,
Podia ser noite ou dia, era o tipo de coisa que me fazia pensar melhor nas aulas de filosofia.
E veja você como o mundo é um lugar engraçado.
Hoje, entre as prateleiras do mercado,avistei uma daquelas eternas musas.
O corpo não era o mesmo, o rosto muito menos, mas continuava uma mulher linda.
Um pouco tímida, com cara de professora do ginásio, para os mais novos,
Jamais seria reconhecida como a tele-moça daquele horrendo programa dominical. 
E quantas tardes de domingo não dediquei a você, lá, no início da puberdade. 
 “Velhos tempos, velhos dias.”
Lembro também daquele clipe de sucesso, rock’n’roll ruim, mas que eu parava pra assistir,
Afinal, você era proibida pra mim e pra toda a rapaziada. 
E hoje, ao te cruzar timidamente na fila do caixa, como em um seriado americano babaca,
Tudo que eu queria fazer era me ajoelhar aos seus pés, olhar nos seus olhos e dizer:
“- Como te amei com as mãos, apenas com as mãos!”


terça-feira, 21 de junho de 2016

Coisas pra fazer

Muitas coisas pra fazer, coisas que eu nem sei o que são.
Não assisti a todos os filmes de Fellini, Bergman ou Antonioni.
Nem li os livros de Burroughs, Hemingway ou Fante.
Nunca lutei boxe em um ringue por dinheiro.
Muito menos empunhei minha guitarra por promessas de ano novo em janeiro.
Tive medo da psicologia junguiana descobrir que meus sonhos são apenas pó.
Tenho medo que desse pó algum pesadelo surja para encher minha vida de loucura e dor.
Preciso de mais Foucault, Sartre, Nietzsche e Camus em noites de dúvida, sexo ou amor.
Preciso sair da discussão besta  partidária e ir as ruas fazer a verdadeira política.
Quero noites quentes de verão em junho, quando o hemisfério sul congela no mais impiedoso inverno e assim, nu, poder experimentar do seu sexo.
Anseio por menos dores de cabeça, mais alegria, menos tristeza, por qualquer beleza.
Se eu pudesse, seria como Leonard Cohen cantou naquela canção e estaria aqui, pra ser seu homem.
Quando a lua cheia aparece, geralmente não tenho ninguém em meus braços e por isso a detesto.
Mas talvez, com tantas coisas ainda pra fazer, como viajar o mundo a pé e sem nenhum  centavo, uma hora dessas a lua pode ser caridosa comigo.
Pode me trazer o seu suave perfume, um pequeno pedaço de todo o seu sex-appeal.
E como dois velhos bêbados, a espera de não sei o que, nos cruzaremos a cidade.
Assim vamos descobrir mais coisas novas pra encher nossas vidas de alegria, prazer e felicidade, por mais insonsa que ela seja.
Mas enquanto isso é apenas pó, vou anotando no meu caderno em uma lista idiota tudo o que eu quero fazer e não fiz nem sei por que.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Uma Deusa na minha porta

Há uma Deusa na minha porta.
Ela acaba de dançar no corredor.
Ela não tá nua, mas me parece completamente sexy
E agora olha diretamente em meus olhos.
Nos meus pensamentos, eu que sempre fui tão sozinho e vivi o dia de hoje loucamente,
vislumbro o futuro.
Há uma coisa animal, de pele, de cheiro.
Não sei explicar, um tesão apenas no olhar.
Como eu gostaria de estar nos braços da Deusa da minha porta.
Sentindo seus lábios vermelhos, nem tão carnudos assim, mas sensuais.
Sensuais como a velha pin-up daquela revista masculina da borracharia.
Queria pegar na sua mão, com diversas cicatrizes de ex-amores,
Escutar seu coração, observar sua alma e descobrir quais os seus pavores.
Qual é o medo da Deusa na minha porta?
Talvez seja o medo de amar, da entrega, coisa comum em quem já tá cansado da busca e da loucura.
Relações são como a navalha do barbeiro que faz a minha barba.
Sempre há uma lamina no meio, algo cortante, mistérios do coração.
Talvez a Deusa na minha porta tenha o medo de correr riscos.
Logo ela, que já viajou o mundo, deixando seus cabelos louros ao sol.
Sentiu a brisa da estrada, sem pudor algum, com um cigarro aceso no canto da boca.
Filtro branco, pra parecer um pouco comum.
A Deusa na minha porta talvez saia a noite pra brincar de gata.
Dorme 38 horas e na madrugada percorre becos, esquinas, em busca de sei lá o quê.
Melhor não saber.
A Deusa na minha porta não me deixa dormir.
Estou insone há vários dias, e a Deusa continua ali, me causando prazer e agonia.
Fico com vontade de me apaixonar, de empurrá-la na parede e fazer amor.
Mas algo me bloqueia.
Será que é a minha cabeça, já tão degastada por conta dos desperdícios do meio do caminho?
O que eu posso fazer com a Deusa que permanece lá, na minha porta?
Convido ela pra alguns dos meus sonhos mais loucos, aqueles que me transportam para terras mais selvagens que Sodoma e Gomorra, sem pudor algum?
Mas preciso dormir, descansar, levitar, relaxar, sei lá.
Quem sabe assim a Deusa não fica lá, parada lindamente, sensualmente, brasileiramente,  na minha porta.
Mas prefiro que ela venha dormir comigo, pra me seduzir, me acalmar, me levar ao passado através de um beijo, daqueles tipo Gable and Lombard.
Enquanto ela não vem, fumo alguns dos meus cigarros e tento fazer rimas.
Rimas essas, que podem nem ser tão originais assim, clichês desses tempos nossos, mas inspiradas por todo o amor que eu sinto pela Deusa que fica na minha porta.