Pesquisar em Antropoide News

Mostrando postagens com marcador guerra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador guerra. Mostrar todas as postagens

sábado, 8 de outubro de 2016

Papel sulfite

Muitas vezes, uma garrafa de cerveja,
um copo americano, uma caneta
e alguma folha de papel vazia
são as melhores companhias de um homem.
Um toca discos ajuda também,
mas sempre há um risco.
O risco das canções que velhos discos trazem de volta.
Canções bregas, românticas, rock'n' roll ou serestas.
Todas elas trazem lembranças ou, quem sabe,
alguma inspiração nova.
Memórias de festas,
talvez o Sol de uma nova manhã.
E na cabeça do poeta,
Uma confusão acontece.
Na verdade, é quase uma guerra.
Palavras surgem para cobrirem
a folha branca de papel com emoções.
Talvez Dionísio tenha haver com isso,
mas o álcool flui nas veias.
O coração surge através de uma prosa
repleta de besteira.
Velhas paixões se transforma num rabisco
feito pela caneta.
Frustrações se transforma em dores agonizantes,
por mais que sejam patéticas.
Amores se transformam em um filme repleto de frases
e garranchos, sem dúvida alguma, via a veia poética.
E no final de toda essa aventura,
vivida através de bebida e música,
a poesia aparece, mesmo sem sentido ou crua.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Tese negativa sobre os nossos dias

Atiraram no comitê político de um candidato outro dia.
Deram quatro tiros e se mandaram.
A polícia arrancou o olho de uma menina em um protesto.
“Tudo pela ordem e progresso”, eles dizem.
Num bar, em uma tarde tranquila,
Um homem que matou sua mulher e filha atira pra matar.
Nas docas eles resolveram parar de trabalhar.
Cada dia tá mais agoniante.
Não há nenhuma alegria no ar.
Violência sem  caos vira terror na palavra dos aproveitadores.
Eles são fascistas e estupradores, mas na mídia, são homens de família.
Enquanto isso o mendigo compra crack em uma esquina esquecida.
Mas ele é um problema da guerra contra as drogas e a saúde dele pouco importa.
Vivemos em dias terríveis, dias maldosos,
Em ruas que pegam fogo em plena luz do dia.
O trânsito caótico faturou suas vítimas de hoje.
Mas vão aumentar a velocidade permitida.
Pra eles é melhor viver no caos, o sangue e a agonia.
A guerra gera mais dinheiro que um povo consumista.
Um homem pobre doou seu carro a um pastor hoje.
Ele quer ir pro céu e pra isso é necessário deixar a igreja mais rica.
Na TV o apresentador gera fúria e confusão.
É sempre mais fácil enganar pra faturar mais algum milhão.
Mas em outro canal te vendem a glória do amor.
Que sem ele a vida é banal, um verdadeiro horror.
Mas tudo é uma ilusão e a TV serve pra isso.
Num ônibus, uma velha pedinte diz que ganhou no bingo.
Por dia ela fatura mais do que você no seu trabalho que sempre foi um lixo.
Mas a vida não é justa, nunca foi.
E por mais positivo que você seja, a realidade sempre vai vir cair sobre as nossas cabeças.
E ela será cruel, impiedosa, como a mão que te afaga e depois te dá um tapa.
Reflexo de tempos mesquinhos, mas agora já é tarde.
É melhor sair andando, já que a noite vai ter maldade.