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quarta-feira, 24 de maio de 2017

...como amantes

Vou amaldiçoar o seu corpo
Adentrar a sua órbita cerebral
Lamber cada dobra da sua barriga
Prender suas mãos e te preparar pro coito
Segurando sua cabeça de um jeito torto
Fazendo tudo como se fosse normal
Quero assobiar no seu ouvido
Explodir dentro da sua libido 
Quem sabe me apaixonar 
Olhando todos os planetas  em seu rosto
Sentindo na língua o seu gosto
Pimenta que ferve o meu paladar
E quando todos os amantes se sentirem perdidos
Deixe-me tapar os seus ouvidos
Me dando a honra de olhar pro céu
Enquanto Jeff Beck sola sua guitarra
Uma melodia tenra e amarga
Diz pra gente que tudo tem que acabar
Cause We've Ended As Lovers
E essa é a última vez que vou te amar

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Poesia eletrônica

Já não escrevem mais a mão
Não há sequer, no papel, 
A marca do batom.
É tudo touch screen,
Basta apertar um botão,
Simples assim.
Cartas de amor, 
Que costumavam ser bregas.
Ninguém escreve mais.
Ficam em bate papos infinitos,
Por meio de algum aplicativo,
Sem tempo pra sentir a saudade,
Apenas alguma instantânea felicidade,
Que maldade!
Os amantes, conectados a todo instante,
Não circulam mais pelas praças,
Muito menos sentam em bancos,
Estão sempre online, 
Mas com almas desconectadas.
Até mesmo o clichê das mãos dadas
Naquele velho pálido luar
É uma água passada.
Troca de olhares em um balcão qualquer,
Enquanto a cerveja refresca o corpo suado,
Foram substituídas por um cardápio variado,
Onde a sorte conta um bocado.
Pra encontrar com quem se quer.
Hoje meus versos são digitais,
Minhas palavras universais.
E de alguma parte do mundo, 
Um lugar globalizado e moribundo,
pós-moderno e após a bomba atômica,
Ainda insisto no verso e na prosa
Através da minha poesia eletrônica.