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sábado, 24 de junho de 2017

Desenganos e uma pergunta no ar

De cima do Elevado, trocando olhares
Andando lentamente, imaginando outros ares.
No frio d’alma, no calor de certos mares
Em outras camas, diversos lares
Estamos de volta a jogada, baby
Preparando a próxima bola que irá até a caçapa.

Diante do peso que temos em nossos ombros
Ou de todas as mágoas que cravam o nosso peito,
Voltamos ao velho labirinto, onde não conta o prazer,
Mas sim o respeito.

E nas estrelas diante de nós,
Numa busca incessante por paz,
Estamos aqui, no mesmo espaço,
Tentando nos encarar,
Ensaiando um novo paço.

Seus vizinhos te chamam de linda,
Mas você é mais que isso.
Quer ser reconhecida por outros caminhos,
Por outras vidas, algum novo destino.


E a terra roxa treme, como um peão prestes a parar de girar.
Surge algo no espaço, uma cor nova irá brilhar.
Mas dentro de mim tenho apenas uma pergunta:
Será que vamos nos encontrar?

quarta-feira, 24 de maio de 2017

...como amantes

Vou amaldiçoar o seu corpo
Adentrar a sua órbita cerebral
Lamber cada dobra da sua barriga
Prender suas mãos e te preparar pro coito
Segurando sua cabeça de um jeito torto
Fazendo tudo como se fosse normal
Quero assobiar no seu ouvido
Explodir dentro da sua libido 
Quem sabe me apaixonar 
Olhando todos os planetas  em seu rosto
Sentindo na língua o seu gosto
Pimenta que ferve o meu paladar
E quando todos os amantes se sentirem perdidos
Deixe-me tapar os seus ouvidos
Me dando a honra de olhar pro céu
Enquanto Jeff Beck sola sua guitarra
Uma melodia tenra e amarga
Diz pra gente que tudo tem que acabar
Cause We've Ended As Lovers
E essa é a última vez que vou te amar

domingo, 7 de agosto de 2016

A importância do que você pensa

Me chame de pervertido,
Seu cínico.
Me chame de sujo,
Seu imundo.
Me chame de pederasta.
Seu canalha.
Mas não humilhe meus versos.
Não diga que eles são algum tipo de lixo.
Nem que dá pra reciclar.
Não me chame de amigo,
Muito menos de camarada.
Deixe eu libertar a voz do meu peito.
A voz dos meus pensamentos.
Não me enche o saco,
O mundo tá repleto de bastardos.
E esse fardo, esse negócio pesado,
É só meu.
Só quero que você leia,
Não quero que entenda.
Afinal, esse coração.
E essa mente,
Que você acha suja e perturbada,
É só minha,
Mas ela me faz criar poesia.
Então lave a boca seu canalha.
Deixe eu escrever os meus poemas do nada.
Não me julgue.
Não pedi sua opinião.
Mas não importa.
Esse é só mais um poema que saiu das minhas mãos.