Das lentes do meu Ray-Ban observo essa cidade indigesta. Gosto de ver tudo mais escuro, sentindo o ar seco e sujo adentrando entre os pelos das minhas narinas. Acho que já perdi a esperança ou talvez tenha me acostumado com fracassos, mas fico feliz quando vejo o cara babaca e gordo que tá do meu lado. Ele conta pra um colega que vai viajar com a namorada e o quanto ama ela e atende seus desejos. É um dependente e isso é triste. Talvez algum dia ele apareça numa capa de jornal, com os dentes cerrados e tendo um punhado de sangue nas mãos. “Homem mata mulher a facadas e falha na hora de se matar”, que manchete brega e barata. Esse cara é um desses, perderia tudo dizendo que foi por amor. Só posso respirar aliviado, não pertenço a essa espécie, acho que parei de acreditar no amor. Mas um dia ele pode me atingir como um raio bem no meio da testa e aí vou me foder. Nunca sabemos quando tempestades como essas vão cair. Mas não faz meu estilo. Tô muito tempo andando nos trilhos, brincando com a sorte e arriscando baixo. Nem sou muito fã de baralho. Tenho alguns lugares pra me agarrar, algumas camas pra passar uma noite sem sono. Não sou um solitário como pensam por aí - nem tão durão. Só não gosto de me molhar na chuva e pelo rumo das coisas, a chuva será mais escura daqui por diante. Tempos difíceis estão perpetuando. É bom não esquecer do guarda-chuva. Sem ele fica impossível de se acender um cigarro e pelo céu nublado, vem uma chuva negra por aí.
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sexta-feira, 2 de junho de 2017
Chuva Negra
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segunda-feira, 14 de novembro de 2016
A necessidade do risco
Não gosto de dividir a cama
e detesto quem detesta solidão.
Não é aversão a companhia,
mas preciso de espaço,
da cama vazia.
Não tenho medo de ficar sozinho,
sempre prefiro amores de um só dia.
E quem tem pena, fica com dó de mim,
Mando sair do meu caminho - é melhor.
Gosto da dança, de ver coxas
balançando em um vestido preto.
De ver as moças saindo do trabalho,
todas com o cabelo ao vento.
Sentir certas fragrâncias no ar,
desnudá-las sem nenhum medo.
Não é que tenha pavor de namoro,
muito menos casamento,
Mas pra sentir o sangue nas veias,
é necessário certo risco, afinal, só assim
conseguimos libertar o espírito.
sábado, 5 de novembro de 2016
Anjo do amor
Eu tô perdido e confuso,
Sozinho num caminho louco,
Não aceita cartão de débito por aqui.
Não sei o que fazer, muito menos sentir,
Queria ser como Van Morrison,
Perfeccionista ao extremo,
Te escrever uma canção,
Ver se o solo de sax tá certo,
Te agarrar, te sentir.
Mas sou um intruso,
Um covarde, que todos os dias,
Todos os dias, queria dar um “olá” pra ti.
Pode parecer bobagem, uma loucura irreal,
Mas, desde que conheci você, te vi,
Tudo que desejo são noites quentes,
Sua cabeleira loira, seu cheiro,
E seu corpo todo, todo pra mim.
Sei que não tô rimando,
Nem tenho inspiração pra tanto,
Mas queria você aqui.
Queria você me afagando a dor,
Fazendo trapézio da minha solidão,
Me amando como sou.
Não sou um infeliz,
Muito menos imbecil,
E, talvez, tô esperando um anjo louro,
Que me traga algum tipo de conforto,
E que, de certa forma, ore por mim
Não vou chorar e sofrer.
Sei que seu caminho é longo,
E eu tô perdido, perdido no meu destino.
Gritando contra a dor, procurando seu amor.
E, do nada,
Você pode surgir aqui pra mim,
Cheia de dúvida e certo rancor,
Com velhos receios,
Quem sabe sem medos,
Pronta para ser, apenas,
Meu eterno anjo do amor.
Sozinho num caminho louco,
Não aceita cartão de débito por aqui.
Não sei o que fazer, muito menos sentir,
Queria ser como Van Morrison,
Perfeccionista ao extremo,
Te escrever uma canção,
Ver se o solo de sax tá certo,
Te agarrar, te sentir.
Mas sou um intruso,
Um covarde, que todos os dias,
Todos os dias, queria dar um “olá” pra ti.
Pode parecer bobagem, uma loucura irreal,
Mas, desde que conheci você, te vi,
Tudo que desejo são noites quentes,
Sua cabeleira loira, seu cheiro,
E seu corpo todo, todo pra mim.
Sei que não tô rimando,
Nem tenho inspiração pra tanto,
Mas queria você aqui.
Queria você me afagando a dor,
Fazendo trapézio da minha solidão,
Me amando como sou.
Não sou um infeliz,
Muito menos imbecil,
E, talvez, tô esperando um anjo louro,
Que me traga algum tipo de conforto,
E que, de certa forma, ore por mim
Não vou chorar e sofrer.
Sei que seu caminho é longo,
E eu tô perdido, perdido no meu destino.
Gritando contra a dor, procurando seu amor.
E, do nada,
Você pode surgir aqui pra mim,
Cheia de dúvida e certo rancor,
Com velhos receios,
Quem sabe sem medos,
Pronta para ser, apenas,
Meu eterno anjo do amor.
terça-feira, 6 de setembro de 2016
Fragmentos
Eu não quero um amor pra vida inteira.
Procuro apenas algo que preencha minha cama,
Minha alma, mas por uma noite.
Dono de uma vida tão fragmentada - apesar das poucas horas de sono.
Nunca vou estar satisfeito, essa é a verdade.
E às vezes dói - foda-se.
Eu vejo os olhares na rua e sinto algumas das fragrâncias.
Destruição e trevas nas avenidas.
E minha vida vai passando, em fragmentos.
Outra noite, outra cerveja - por favor.
Nada de carência - não perco tempo com isso.
Só quero saber se sua risada foi verdadeira.
Em um vagão qualquer do metrô,
Sei que vou sentir seu fogo - talvez até me queime.
Sinto a respiração ofegante que vem do meu lado.
É um cara sofrendo por um caso de amor mal acabado.
Sou um cara de sorte - é o que penso quando vejo ele abalado.
Nas escadas, encaro os rostos - sempre estou pronto pra alguma briga.
Mas, na verdade, sempre estou preparado mesmo é pra uma boa trepada.
No salão, entre a fumaça, reparo nos reflexos dos copos.
Todo o riso falso que o lugar exala aparece lá.
Corpos solitários buscando fugir daquilo que acham que é solidão.
Olhares tristes em um beijo sem tesão ao lado do extintor.
Na mesa de sinuca, uma garota de shorts dá sua melhor tacada.
Olha pro seu oponente, suspirando por uma noite fugaz.
Ele só se importa com o jogo - é um tremendo babaca.
Num canto discutem política e um filme de Paul Newman.
O cara quer impressionar uma garota, mas ele não sabe de nada.
Vejo olhos verdes perdidos em um lugar qualquer no canto do bar.
Vou até lá - sempre há uma oportunidade de ganhar.
Demonstro meu interesse com um sorriso no canto da cara.
Ela retribui com uma cruzada de pernas - e que pernas.
pegamos um táxi e fugimos do lugar.
Outro apartamento, outro quarto, mais uma noite.
Mas ela é tão linda quando está deitada.
Procuramos um carinho real - e ambos retribuímos.
A noite vai passando e discutimos sobre o mundo desleal em que vivemos.
Ela ascende um cigarro e o coloca em sua boca vermelha.
Por um momento é mais profundo que apenas sexo - eu realmente sinto sua alma.
Levantamos, tomamos um copo d’água.
E logo os raios solares surgem nos buracos da persiana.
E, novamente, como em todos os outros dias,
Voltamos para as nossas vidas fragmentadas.
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