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terça-feira, 6 de setembro de 2016

Fragmentos

Eu não quero um amor pra vida inteira.
Procuro apenas algo que preencha minha cama,
Minha alma, mas por uma noite.
Dono de uma vida tão fragmentada - apesar das poucas horas de sono.
Nunca vou estar satisfeito, essa é a verdade.
E às vezes dói - foda-se.
Eu vejo os olhares na rua e sinto algumas das fragrâncias.
Destruição e trevas nas avenidas.
E minha vida vai passando, em fragmentos.
Outra noite, outra cerveja - por favor.
Nada de carência - não perco tempo com isso.
Só quero saber se sua risada foi verdadeira.
Em um vagão qualquer do metrô,
Sei que vou sentir seu fogo - talvez até me queime.
Sinto a respiração ofegante que vem do meu lado.
É um cara sofrendo por um caso de amor mal acabado.
Sou um cara de sorte - é o que penso quando vejo ele abalado.
Nas escadas, encaro os rostos - sempre estou pronto pra alguma briga.
Mas, na verdade, sempre estou preparado mesmo é pra uma boa trepada.
No salão, entre a fumaça, reparo nos reflexos dos copos.
Todo o riso falso que o lugar exala aparece lá.
Corpos solitários buscando fugir daquilo que acham que é solidão.
Olhares tristes em um beijo sem tesão ao lado do extintor.
Na mesa de sinuca, uma garota de shorts dá sua melhor tacada.
Olha pro seu oponente, suspirando por uma noite fugaz.
Ele só se importa com o jogo - é um tremendo babaca.
Num canto discutem política e um filme de Paul Newman.
O cara quer impressionar uma garota, mas ele não sabe de nada.
Vejo olhos verdes perdidos em um lugar qualquer no canto do bar.
Vou até lá - sempre há uma oportunidade de ganhar.
Demonstro meu interesse com um sorriso no canto da cara.
Ela retribui com uma cruzada de pernas - e que pernas.
pegamos um táxi e fugimos do lugar.
Outro apartamento, outro quarto, mais uma noite.
Mas ela é tão linda quando está deitada.
Procuramos um carinho real - e ambos retribuímos. 
A noite vai passando e discutimos sobre o mundo desleal em que vivemos.
Ela ascende um cigarro e o coloca em sua boca vermelha.
Por um momento é mais profundo que apenas sexo - eu realmente sinto sua alma.
Levantamos, tomamos um copo d’água. 
E logo os raios solares surgem nos buracos da persiana.
E, novamente, como em todos os outros dias,
Voltamos para as nossas vidas fragmentadas.

domingo, 7 de agosto de 2016

Penetração

Eu quero cantar pra você.
Sussurrar no teu ouvido.
Como um amante a moda antiga,
Quero dançar a noite toda.
Até suas pernas tremerem.
Até suas pernas quererem descansar.
Até suas pernas decidirem entrelaçar meu corpo.
Até suas pernas cruzarem a minha pobre alma.
Sentir o cheiro da sua vagina.
Dizer que ela é só minha.
Transformar a noite em nossa.
Fazer amor a luz do luar,
Olhar sua face, te penetrar,
Você pode me achar um cara carente.
Me achar até mesmo atraente.
Mas quero que você se foda.
Colocar sua boca junto da minha.
Sentir sua língua.
Como uma aventura antiga mal escrita.
Como um caderno bobo de um louco.
Quero te fazer minha.
Quero te fazer gozar.
E, durante um beijo na boca,
Te penetrar.
Como os Stooges falam em uma canção,
É só você me dar a sua mão.
E a penetração,
A penetração vai começar,
Amo você, querida
Desejo você, quem sabe você não é a mulher da minha vida.
Talvez eu seja algum tipo de idealista.
Mas te desejo.
Te penetro nos meus sonhos.
Te penetro nas esquinas.
Te penetro na sua cama.
Te penetro na minha.
Te penetro numa laranjeira.
Te penetro atrás da cortina.
Te desejo.
Sinto o seu cheiro.
E quero você.
Quero te penetrar.
Mas, se você temer algo.
Apago o meu fogo.
E te penetro apenas num poema.
Num verso sujo.
Na palma da minha mão.
Mas te quero.
E, nos meus mais selvagens sonhos,
Te penetro,
Como um cavalo selvagem,
Um deus endiabrado.
Te quero,
E não importa o quanto.
Nos meus sonhos te penetro.

sábado, 23 de julho de 2016

A fêmea do Paraná

Seu nome queima igual a um edifício pegando fogo
Brilha no neon dessas noites onde procuro me perder
Olho nos bares, mas sei que não vou encontrar sua face.
Pergunto de você nas bancas de jornais,
Mas por lá você não passou mais.
Escondo meu olhar triste embaixo dos meus óculos escuros.
Me sinto no fio da navalha, em cima do muro.
Vejo que nas ruas do centro só a sangue e sujeira
E nada das suas pegadas por essas calçadas tristes
Repleta de lágrimas
Doce mulher curitibana
Deleitável fêmea do Paraná
Em algum momento daquela noite você fez meu coração vibrar,
Cantar fora da nota, do tom correto.
Um turbilhão de coisas passa pelo meu imbecil cérebro.
Talvez seja essa imensa vontade de te agarrar,
Como um carro fugindo do pedágio na BR-277,
Ou as águas  fortes que banham o Porto de Paranaguá
Eu quero te penetrar.
Talvez te penetraria intensamente
Como um bruto dos tempos das cavernas.
Um Homo sapiens vadio, forte, caçador e cheio de tesão
Mas onde posse te encontrar,  doce fêmea do Paraná?
Será que posso me perder nesses olhos claros mais uma vez?
Devo libertar meu coração para o amor novamente?
Sair do marasmo de uma estressante vida comum e egoísta?
Ou talvez, num instante repleto de volúpia,
Me deixar levar pelo direito de te desejar?
Quero tirar a sua roupa sem pressa alguma, tocar seu corpo sensualmente,
Como minha alma manda e minha mente fantasia.
Com toda a força das minhas mãos
Quero acariciar os bicos claros do seu peito
Ficar contigo no leito, sentindo você se contorcer.
Olhando na profundidade dos seus olhos claros em um quarto repleto de libido.
E podendo alcançar o  meu maior prazer
Te fazendo gritar
Até você gozar, doce fêmea do Paraná

Heavy metal pra caralho

Ficar admirando o pôr do sol como um idiota
Não aquece minha alma.
Muito menos passar dias esperando a conjunção dos planetas
Diante da lua cheia.
Pelo contrário, quando a lua fica muito cheia
Minha noite será tomada pelo azar.
Dias quentes no inverno tem um quê de inferno.
Nos momentos difíceis que passamos na vida,
O dinheiro é o que menos importa.
O que eu quero é um belo par de pernas como cia e alguns cigarros.
Talvez um blues tocando no toca-discos do quarto
Não me faria mal também.
Uma bebida boa para dar uns tragos.
Na vida, há poucas certezas.
Dos mistérios que desvendei na minha caminhada,
Algumas coisas são sagradas.
Dentre elas, posso afirmar sem medo algum:
Mais do que qualquer disco do Iron Maiden,
Ou música do Black Sabbath,
Liberdade, poesia, cerveja gelada e uma boa trepada
São heavy metal pra caralho!

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Canção da guerra para eu sonhar (ou pra te encontrar)

O dia é frio e minha cabeça tá gelada.
Minhas orelhas queimam, será que é você falando mal de mim?
Quando vamos nos encontrar novamente?
“We'll meet again, don't know where, don't know when”,
já diz aquela velha canção da guerra.
Um café, alguma prosa, isso não custa nada.
Alguns cigarros apagados na calçada, um passeio na noite suja dessa cidade
Que não dorme
Nos edifícios pixaram seu nome, eu vi outro dia.
Um novo romance, alguma paixão passageira, uma foda casual.
Só pode ter sido isso.
Até penso em te ligar, quem sabe não tento falar sobre o mistério de um dia de escuridão?
Às vezes minha alma chega a queimar, como um prédio em chamas, uma Roma atual e toda rachada.
Mas ainda há uma dúvida pairando na nuvem do meu cérebro: será que vai acontecer que nem o Johnny Cash canta?
We'll meet again, don't know where, don't know when. But I know we'll meet again some sunny day.
Eu não sei.
Só sei que por enquanto apago toda a luz do meu quarto,
Quem sabe assim não volto a sonhar com aquele teu velho retrato, meio apagado, antigo.
Talvez num desses sonhos eu te vejo de novo, mesmo não sabe onde ou quando, regras básicas do jornalismo.
Mas quem sabe num dia de sol, diferente desse que nós passamos hoje, você não cruze a esquina.
Dai, na janela do meu sobrado, vou assobiar uma música nova, algo que compus na guitarra.
Assim você se inspira e, quem sabe, fica grudada na minha vida.
Mas como tudo é uma questão de encontros, é melhor seguir meu caminho.
Algum acaso pode ocorrer e, finalmente, nos vemos algum dia.