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quarta-feira, 29 de março de 2017

Vento frio

Às vezes um vento frio bate em minha espinha
causa-me um arrepio, uma leve angustia e certa ansiedade
a sensação que algo vai se perder
finjo que não sei o que é isso, mas lá no interior, 
em todo o meu sistema nervoso central,
é você, é você com uma Calibre 12 apontada no meu coração
é você a causa dessa sensação
mas nunca te tive, então não poderia te perder
imagino cada boca imunda que você beijou após me conhecer
cada mão engordurada que  acariciou suas coxas em uma tarde cinzenta qualquer
e esse é o vento que bate em minha espinha
como uma chuva de ventiladores num dia quente de verão
com cada lâmina dilacerando meu rosto, me causando sufoco
Procuro fugir disso,  corro para algum pântano gosmento
esperando a   areia movediça puxar meus pés e todo resto do meu corpo
na minha mente, só um pensamento: será que vou te ver de novo?
Talvez seja delírio, coisas de um homem louco, esquecido pelas ruas, adentrando no lodo
mas acordo e é tudo um sonho
 o vento bate em minha espinha novamente e não me trás nenhuma resposta
o despertador grita e sou obrigado a retomar a minha rotina
é hora de continuar tudo de novo
enquanto o vento frio continua gelando a minha espinha

terça-feira, 14 de março de 2017

Como um solo de guitarra psicodélico solto no ar (ou apenas Certas Coisas do Coração)

Era uma daquelas tardes quentes de sábado, com solos de guitarra psicodélicos perdidos no ar enquanto o sol saia de cena. Dava pra escutar em lugares longe dali. Era essa a sensação que Pedro sentia em seu peito. Sons de trovão, com uma chuva doce e ácida. Foi assim que o amor se instalou em seu coração. Ele tava perdido, fodido, foi assim que começou. Os olhos dela eram intensos, desafiadores, como Muhammad Ali gingando no ringue, abrindo a guarda, pronto pra encaixar um cruzado ou um gancho certeiro. Mas ele nunca tinha experimentado isso e o gosto não era amargo. Nem o ar que ele roubava enquanto beijava a doce dama por quem  tinha se enamorado. O começo de algo, o fim de outra era. Como a dança em um musical esdrúxulo ou uma viagem alucinógena que teve em outros tempos, ele sabia e dizia o seguinte: “não vai durar”. Ela era forte demais pra ele, muito dona de si, realmente livre.  Pedro coitado, era muito responsável em seu trabalho de merda e, mesmo detestando, jamais conseguiria ser livre e ter os pés no chão como ela. E Pedro sabia disso. Mas você vai dizer que Pedro não sabia viver o momento e se adiantava o tempo inteiro. Talvez você tenha razão, mas Pedro tinha muito medo de certas emoções, principalmente a falta de razão que uma paixão fulminante leva até um coração. E, bobo que era, Pedro disse não. Que final triste pra uma história que nem começou. Mas Pedro não sabia lidar com certas coisas do coração. Por isso, idiotamente e inocentemente, Pedro disse não. Não se pode falar não pra certos sentimentos que nos despertam a paixão. Mas ela entendeu, seguiu seu caminho e pensou: “ele tem medo da desilusão. Não sabe viver os sentimentos que vivem nas ligações internas de qualquer coração.” Ela estava certa. Pedro não estava pronto, mas um dia vai estar. Quando esse dia chegar, Pedro vai estar livre pra fazer amor e parar de chorar.

domingo, 7 de agosto de 2016

Penetração

Eu quero cantar pra você.
Sussurrar no teu ouvido.
Como um amante a moda antiga,
Quero dançar a noite toda.
Até suas pernas tremerem.
Até suas pernas quererem descansar.
Até suas pernas decidirem entrelaçar meu corpo.
Até suas pernas cruzarem a minha pobre alma.
Sentir o cheiro da sua vagina.
Dizer que ela é só minha.
Transformar a noite em nossa.
Fazer amor a luz do luar,
Olhar sua face, te penetrar,
Você pode me achar um cara carente.
Me achar até mesmo atraente.
Mas quero que você se foda.
Colocar sua boca junto da minha.
Sentir sua língua.
Como uma aventura antiga mal escrita.
Como um caderno bobo de um louco.
Quero te fazer minha.
Quero te fazer gozar.
E, durante um beijo na boca,
Te penetrar.
Como os Stooges falam em uma canção,
É só você me dar a sua mão.
E a penetração,
A penetração vai começar,
Amo você, querida
Desejo você, quem sabe você não é a mulher da minha vida.
Talvez eu seja algum tipo de idealista.
Mas te desejo.
Te penetro nos meus sonhos.
Te penetro nas esquinas.
Te penetro na sua cama.
Te penetro na minha.
Te penetro numa laranjeira.
Te penetro atrás da cortina.
Te desejo.
Sinto o seu cheiro.
E quero você.
Quero te penetrar.
Mas, se você temer algo.
Apago o meu fogo.
E te penetro apenas num poema.
Num verso sujo.
Na palma da minha mão.
Mas te quero.
E, nos meus mais selvagens sonhos,
Te penetro,
Como um cavalo selvagem,
Um deus endiabrado.
Te quero,
E não importa o quanto.
Nos meus sonhos te penetro.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Uma Deusa na minha porta

Há uma Deusa na minha porta.
Ela acaba de dançar no corredor.
Ela não tá nua, mas me parece completamente sexy
E agora olha diretamente em meus olhos.
Nos meus pensamentos, eu que sempre fui tão sozinho e vivi o dia de hoje loucamente,
vislumbro o futuro.
Há uma coisa animal, de pele, de cheiro.
Não sei explicar, um tesão apenas no olhar.
Como eu gostaria de estar nos braços da Deusa da minha porta.
Sentindo seus lábios vermelhos, nem tão carnudos assim, mas sensuais.
Sensuais como a velha pin-up daquela revista masculina da borracharia.
Queria pegar na sua mão, com diversas cicatrizes de ex-amores,
Escutar seu coração, observar sua alma e descobrir quais os seus pavores.
Qual é o medo da Deusa na minha porta?
Talvez seja o medo de amar, da entrega, coisa comum em quem já tá cansado da busca e da loucura.
Relações são como a navalha do barbeiro que faz a minha barba.
Sempre há uma lamina no meio, algo cortante, mistérios do coração.
Talvez a Deusa na minha porta tenha o medo de correr riscos.
Logo ela, que já viajou o mundo, deixando seus cabelos louros ao sol.
Sentiu a brisa da estrada, sem pudor algum, com um cigarro aceso no canto da boca.
Filtro branco, pra parecer um pouco comum.
A Deusa na minha porta talvez saia a noite pra brincar de gata.
Dorme 38 horas e na madrugada percorre becos, esquinas, em busca de sei lá o quê.
Melhor não saber.
A Deusa na minha porta não me deixa dormir.
Estou insone há vários dias, e a Deusa continua ali, me causando prazer e agonia.
Fico com vontade de me apaixonar, de empurrá-la na parede e fazer amor.
Mas algo me bloqueia.
Será que é a minha cabeça, já tão degastada por conta dos desperdícios do meio do caminho?
O que eu posso fazer com a Deusa que permanece lá, na minha porta?
Convido ela pra alguns dos meus sonhos mais loucos, aqueles que me transportam para terras mais selvagens que Sodoma e Gomorra, sem pudor algum?
Mas preciso dormir, descansar, levitar, relaxar, sei lá.
Quem sabe assim a Deusa não fica lá, parada lindamente, sensualmente, brasileiramente,  na minha porta.
Mas prefiro que ela venha dormir comigo, pra me seduzir, me acalmar, me levar ao passado através de um beijo, daqueles tipo Gable and Lombard.
Enquanto ela não vem, fumo alguns dos meus cigarros e tento fazer rimas.
Rimas essas, que podem nem ser tão originais assim, clichês desses tempos nossos, mas inspiradas por todo o amor que eu sinto pela Deusa que fica na minha porta.