Era uma daquelas tardes quentes de sábado, com solos de guitarra psicodélicos perdidos no ar enquanto o sol saia de cena. Dava pra escutar em lugares longe dali. Era essa a sensação que Pedro sentia em seu peito. Sons de trovão, com uma chuva doce e ácida. Foi assim que o amor se instalou em seu coração. Ele tava perdido, fodido, foi assim que começou. Os olhos dela eram intensos, desafiadores, como Muhammad Ali gingando no ringue, abrindo a guarda, pronto pra encaixar um cruzado ou um gancho certeiro. Mas ele nunca tinha experimentado isso e o gosto não era amargo. Nem o ar que ele roubava enquanto beijava a doce dama por quem tinha se enamorado. O começo de algo, o fim de outra era. Como a dança em um musical esdrúxulo ou uma viagem alucinógena que teve em outros tempos, ele sabia e dizia o seguinte: “não vai durar”. Ela era forte demais pra ele, muito dona de si, realmente livre. Pedro coitado, era muito responsável em seu trabalho de merda e, mesmo detestando, jamais conseguiria ser livre e ter os pés no chão como ela. E Pedro sabia disso. Mas você vai dizer que Pedro não sabia viver o momento e se adiantava o tempo inteiro. Talvez você tenha razão, mas Pedro tinha muito medo de certas emoções, principalmente a falta de razão que uma paixão fulminante leva até um coração. E, bobo que era, Pedro disse não. Que final triste pra uma história que nem começou. Mas Pedro não sabia lidar com certas coisas do coração. Por isso, idiotamente e inocentemente, Pedro disse não. Não se pode falar não pra certos sentimentos que nos despertam a paixão. Mas ela entendeu, seguiu seu caminho e pensou: “ele tem medo da desilusão. Não sabe viver os sentimentos que vivem nas ligações internas de qualquer coração.” Ela estava certa. Pedro não estava pronto, mas um dia vai estar. Quando esse dia chegar, Pedro vai estar livre pra fazer amor e parar de chorar.
Pesquisar em Antropoide News
Mostrando postagens com marcador sábado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sábado. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 14 de março de 2017
sábado, 25 de junho de 2016
Reflexões na fria tarde de sábado
Um punhado de pensamentos soltos invadem minha cabeça.
Na verdade, acho que só quero que você apareça.
Há uma necessidade muito grande na minha alma em te ver novamente.
Estranho isso, já que nem nos conhecemos bem.
Algo nesses olhos verdes de gato, nariz torto e dentes amarelados pelo cigarro mexeu comigo.
Sinto de longe que sua cabeça é perdida, igual a minha, e acho que é o que me fascina.
Olho no relógio, vejo que a noite já vem e o frio vai ser forte.
Nenhum sinal seu, nenhuma mensagem ou algum maldito telefonema.
Muitas companhias femininas me chamam pra sair, mas simplesmente não consigo ir em frente.
Já tentei uma, duas vezes, mas fico imaginando o seu corpo e isso é realmente um problema,
Insisti também e é incrível, afinal, detesto isso.
A insistência é uma arma dos fracos e chatos, daqueles que não conseguem o que querem.
Mas nem sempre conseguimos o que queremos, muito menos o que precisamos.
Nesse momento o que eu preciso é de um abraço, um carinho, daqueles do tipo que a águia dá aos seus filhotes no ninho.
E é gozado, sempre fui feliz em ser um solitário convicto, mas agora me sinto tão sozinho.
Sinto um vazio que gela meus ossos e não estou nos meus melhores dias.
Precisava cantar algo no seu ouvido, te dizer bobeiras, falar que a vida pode ser boa.
Fico aqui nesse instante sobre um fio, onde não sei se mantenho a esperança ou desisto.
Minha conta tá no vermelho no banco, mas, se pudesse, pegaria toda a minha grana e traria aquela noite fria de um sábado de outono de volta.
Nunca mais consegui ser o mesmo e olha que eu tento.
Os amigos dizem que estou derrubado, eu olho no espelho e vejo como estou fraco.
Às vezes me sinto até desesperado.
Minha saúde não anda bem e uma porrada de resfriados me derrubou na cama.
Não estou no inferno astral, mas talvez seja um inferno carnal.
Um pagamento de dívidas dos passados, de alguma vez onde fiz tudo errado,
E nesse triste e chato final de tarde de sábado, tudo que eu peço é pra estar do seu lado.
Talvez algum pombo correio sujo te leve esse meu recado, mas agora vou ascender o meu último cigarro.
Marcadores:
alma vazia,
amor,
Cigarro,
dentes amarelados,
distância,
dor,
feminina,
frio,
gato,
insistência,
inverno,
nariz torto,
olhos verdes,
outono,
poema,
poesia,
prosa,
reflexões,
sábado,
verso
Assinar:
Postagens (Atom)