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domingo, 23 de outubro de 2016

Deusa do Rock'n'Roll

Na última semana, Kim Gordon fez dois shows com ingressos esgotados no Sesc Pinheiro. Consegui ter a oportunidade de assistir a última apresentação. Perturbador é a palavra que melhor define Body/Head, seu duo de guitarristas com Bill Nace. Nunca fui fã de Sonic Youth, mas admirava toda atitude de Kim. Ao vê-la pessoalmente na noite do último sábado, essa visão só ampliou. Ela é hipnotizante, com suas botas prateadas, pernas a mostra, guitarra e gaita em punho. É impossível tirar os olhos dela. Há uma selvageria e ao mesmo tempo calma em sua presença no palco. Nem notamos que Kim tem 63 anos e não parece também. Talvez o mais fantástico seja observar o impacto que ela causa nas mulheres da platéia, afinal, Gordon é uma das responsáveis por arrebentar as portas machistas do Rock'n'roll. Após uma hora e pouco de show, tenho que confessar uma coisa: Deusas existem e tive a oportunidade de ver uma delas pessoalmente.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Sangue em forma de poesia (ou Um Nobel Para Bob Dylan)

Bob Dylan ganhou um Nobel e, por conta disso, está sendo criticado por muitos. Muitos que, inclusive, tiveram sua vida embalada por canções de Dylan, o homem de voz de gralha, do violão de acordes simples e de letras extraordinárias. Ele pode não ser um autor, como seu contemporâneo Leonard Cohen, mas foi o responsável por misturar a melodia e poética de blues simples compostos por Blind Willie McTell ou Blind Lemon Jefferson a raivosa e genial veia manifestante de Woody Guthrie. A canção popular mundial deve ser separada “Antes de Dylan” e “Depois de Dylan”, essa é a verdade.  

Não quero menosprezar Saramago, Camus, Hemingway e outros mestres que já venceram o prêmio, mas o alcance da poesia de Dylan foi e é muito superior do que qualquer livro desses caras. Dylan faz música popular e, consequentemente, toca no rádio. Não é necessário ter grana para ouvi-la, muito pelo contrário. É possível escutá-la na fila de um hipermercado ou enquanto o açougueiro corta um pedaço de carne em seu estabelecimento. Não há necessidade de bibliotecas ou livrarias. Até mesmo na guerra, as palavras escritas por Bob Dylan ecoaram – seja nos sonhos de soldados mortos que apenas queriam sobreviver para resgatar a juventude perdida ou na cabeça de militantes que pediam por tempos de paz. 

Bob Dylan sempre esteve à frente do seu tempo, é um gênio além do campo da contracultura e a chave das portas que levam ao descobrimento de uma geração que ajudou transformar o mundo em um lugar menos banal e um pouco mais consciente. O homem que foi muito além dos cafés esfumaçados do Greenwich Village e se tornou a referência do que todo compositor gostaria de ser.  Ainda lá atrás, nos anos 60, ele fez os jovens se interessarem por poesia novamente, seja através das referências em canções ou da própria estrutura de sua escrita.  De Lennon e McCartney, passando por Jagger e Richards, ao cinema de Scorsese, Oliver Stone e Peckinpah e a literatura barata de um poeta de boteco da esquina, sempre haverá a mão de Bob Dylan lá. Se você discorda que ele é um poeta, então leia todas as letras de Blood On Tracks ou Blonde on Blonde. Se aquilo não é poesia, meu amigo, nada mais será. E não esquente a cabeça que um músico e poeta ganhou o Nobel de Literatura. Isso é só um sinal que os tempos estão mudando.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Obrigado por tudo, Mestre Scotty

O dia de hoje poderia ter sido perfeito, se não fosse a triste notícia que acabei de ler. Scotty Moore, um dos homens responsáveis por definir o som da guitarra rock'n'roll morreu hoje. Scotty, dependendo da versão da história, é o homem que criou o rock'n'roll juntamente com Elvis e Bill Black nos estúdios da Sun Records, em Memphis. Moore, assim como Chuck Berry, inspirou gerações de jovens a tomar coragem pra começarem arranhar uma guitarra. Pergunte a Keith Richards, Clapton, Robbie Robertson ou ao "mutante" Sérgio Dias qual foi a sensação ao ouvirem a guitarra desse cara. Tudo começou por conta do som que eles criaram em 54. Alguns segredos do modo de tocar de Scotty até hoje são mistérios. Scotty Moore, além de genial guitarrista, foi o primeiro empresário de Elvis. Nenhum texto ou crônica inscrita, por quem quer que seja, fará justiça ao legado desse cara. Mais um herói que se vai. Uma pena que eles não sejam imortais, como todos os acordes que deixam. Obrigado pelo meu rock'n'roll de todos os dias, Scotty!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Por onde andará Rod Evans?

A última foto conhecida de Rod Evans
Rod Evans foi o primeiro vocalista do Deep Purple e, com eles, gravou o hit Hush. Tentando mudar o direcionamento da banda, Jon Lord, Ritchie Blackmore e Ian Paice - respectivamente o tecladista, guitarrista e baterista do grupo - demitiram Evans e contrataram um menino chamado Ian Gillan. Evans então fundou o Captain Beyond, uma ótima banda, mas que não fez o sucesso esperado. Rod então se afasta dos palcos e, segundo relatos não confiáveis, estudou medicina e virou o responsável por uma ala hospitalar na Costa Oeste dos EUA. 

Em 1980, aproveitando o hiato do Deep Purple que só viria a acabar em 1984, resolveu montar uma banda, registrou o nome "Deep Purple Inc."- que já era registrado - e saiu em turnê pelos States. Claro que logo a farsa foi descoberta e Rod processado, perdendo todos os direitos sobre os três álbuns que gravou com o Purple. Desde então ele sumiu, simplesmente evaporou. Alguns dizem que ele voltou a trabalhar no hospital, outros afirmam um possível suicídio. Em plena era da internet, é impossível descobrir o que aconteceu com Rod. Ele virou história. Você pode tentar o Google, o Facebook, procurar por Roderick Evans ou Rod Evans e não há um sinal do cara. 

No Brasil, há um tempo atrás, fiz buscas incessantes no Google sobre Lili Rodrigues, o substituto de Ney Matogrosso no Secos & Molhados. O jornalista Alberto Villas, do Fantástico, fez uma busca verdadeiramente implacável atrás de Lili, mas não encontrou nada. Tirando os comentários maldosos em diversos fóruns da internet, o fato mais concreto é a resposta ao artigo de uma possível prima de Lili Rodrigues afirmando que ele faleceu. Mas, voltando a Rod Evans, como uma pessoa pode sumir por 35 anos? Teria Rod se submetido a uma mudança de sexo e estaria se apresentando em algum cabaré parisiense? Será ele um cantor de churrascaria? O que aconteceu com Rod Evans? Além de dar um belo tema para o Globo Repórter e para reportagem sensacionalista do programa do Gugu, vale lembrar que Rod já está na "melhor idade" e talvez não tenha paciência para o mundo virtual. Mas você, se tiver alguma pista sobre o paradeiro de Rod Evans, me liga, porque podemos ganhar o Pulitzer com essa história. 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Enquanto o rádio toca Raul

Raul Seixas no meio de Chuck Berry, Everly Brothers e Little Richard - Foto: Divulgação

Ontem assisti ao documentário “Raul – O Início, o Fim e o Meio” e achei válido como documento histórico, apesar de não apresentar nenhuma novidade relativamente desconhecida pelo público. Claro que tem seus méritos ao trazer uma rara entrevista com Paulo Coelho falando de Raul, mas quem já leu ou ouviu constantemente a obra de “Raulzito” já sabe de sua devida importância. O grande forte de “Raul – O Início, o Fim e o Meio” é mostrar o vazio deixado pelo artista na música brasileira, que nunca esteve tão bunda-mole e afônica.

Se Roberto Carlos é rei, Raul Seixas é Deus, e, posso dizer isso sem dúvida alguma, é o único artista nacional que está em nível de compatibilidade com Bach, Beethoven, Elvis, Chuck Berry e Jerry Lee Lewis. Raul é a verdadeira “Música Popular Brasileira”, pois suas canções tocam desde o operário até o patrão, do mendigo ao executivo, da criança ao velho. Ele é pop, baião, rock, bolero, a fossa, a irresponsabilidade, a revolução, a anarquia, o medo da chuva, o divino, o misterioso, a umbanda e o candomblé, Deus e o Diabo.  Ou seja, Raul Seixas é um imortal e mais ainda, continua atual. Daqui a 200 gerações, músicas como Ouro de Tolo”, “Gita”, “SOS”, “Maluco Beleza”, “Capim Guiné”, “Baby”, “Tu És o MDC da Minha Vida”, “Cowboy Fora Da Lei e muitas outras continuarão na mente e na alma de quase todos os brasileiros. Seja com Paulo Coelho, Cláudio Roberto, Marcelo Nova, Raul é gênio e o dono de uma prosa dilacerante. A discografia de Raul é muito mais impactante e revolucionária, e nem se houvessem mil movimentos tropicalistas, Caetano Veloso ou Gilberto Gil conseguiriam alcançá-lo. O “maluco beleza” não fez nada pensando, ao contrário, tudo aconteceu, como a magia descrita por ele em tantas canções.

Mas não vou fazer análises música por música, disco por disco. Raul continua por aí, sendo a mosca, o reclamão, o cowboy, a lenda e a página mais importante da nossa música no Séc. XX. Talvez, até, de todos os tempos.  Enquanto um rádio tocar e alguém clamar a famosa frase falada em exaustão em qualquer show no Brasil e no mundo, Raul vai continuar não tendo início, fim, nem meio. Então é melhor berrar: - Toca Raul!