Na última semana, Kim Gordon fez dois shows com ingressos esgotados no Sesc Pinheiro. Consegui ter a oportunidade de assistir a última apresentação. Perturbador é a palavra que melhor define Body/Head, seu duo de guitarristas com Bill Nace. Nunca fui fã de Sonic Youth, mas admirava toda atitude de Kim. Ao vê-la pessoalmente na noite do último sábado, essa visão só ampliou. Ela é hipnotizante, com suas botas prateadas, pernas a mostra, guitarra e gaita em punho. É impossível tirar os olhos dela. Há uma selvageria e ao mesmo tempo calma em sua presença no palco. Nem notamos que Kim tem 63 anos e não parece também. Talvez o mais fantástico seja observar o impacto que ela causa nas mulheres da platéia, afinal, Gordon é uma das responsáveis por arrebentar as portas machistas do Rock'n'roll. Após uma hora e pouco de show, tenho que confessar uma coisa: Deusas existem e tive a oportunidade de ver uma delas pessoalmente.
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domingo, 23 de outubro de 2016
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
Deixa sangrar (pra um guitarrista que eu conheço)
Hey, cara solitário,
Eu entendo você.
Pegou sua guitarra,
resolveu seguir a estrada.
Decidiu jogar.
No apartamento no centro,
aquele que você morava,
nada mais tinha graça.
Seu companheiro de quarto se foi.
A mulher que te amou um dia,
resolveu sair da tua vida
e não quer mais voltar.
O que sobra?
Velhos discos de blues,
um riff à lá Bo Diddley
e lágrimas no chão de taco.
É melhor pegar a estrada.
Sem destino, sem medo e sozinho.
Sabe, eu te admiro.
Com seu jeito durão de bom coração,
Surfista velho e solitário,
que chora com músicas de outra geração.
Hoje você tá no Sul, amanhã vai pro mar.
Tentando pescar alguma coisa boa pra vida,
Oh, desregrada vida,
Vida essa que você sempre levou.
Não adianta arrependimentos,
nem a cachaça barata que você é adepto.
As cicatrizes estão no seu corpo
e você tá cansado de dar porrada.
“I'll never be your beast of burden
My back is broad but it's a hurting”
My back is broad but it's a hurting”
Você tocou essa canção algumas vezes
e foi pra todas as mulheres que cruzaram teu caminho.
Troca o disco, muda o acorde, se levante, maldito.
O público quer escutar suas notas,
quer chorar te ouvindo.
Vendo você sangrar sobre o palco,
sentindo a harmonia crua da sua guitarra,
E percebendo que tudo é só uma viagem alucinada
até a morte chegar,
Vai, guitarrista solitário,
Pega a guitarra só mais uma vez,
E como os mestres sabiamente disseram,
Deixa sangrar.
terça-feira, 28 de junho de 2016
Obrigado por tudo, Mestre Scotty
O dia de hoje poderia ter sido perfeito, se não fosse a triste notícia que acabei de ler. Scotty Moore, um dos homens responsáveis por definir o som da guitarra rock'n'roll morreu hoje. Scotty, dependendo da versão da história, é o homem que criou o rock'n'roll juntamente com Elvis e Bill Black nos estúdios da Sun Records, em Memphis. Moore, assim como Chuck Berry, inspirou gerações de jovens a tomar coragem pra começarem arranhar uma guitarra. Pergunte a Keith Richards, Clapton, Robbie Robertson ou ao "mutante" Sérgio Dias qual foi a sensação ao ouvirem a guitarra desse cara. Tudo começou por conta do som que eles criaram em 54. Alguns segredos do modo de tocar de Scotty até hoje são mistérios. Scotty Moore, além de genial guitarrista, foi o primeiro empresário de Elvis. Nenhum texto ou crônica inscrita, por quem quer que seja, fará justiça ao legado desse cara. Mais um herói que se vai. Uma pena que eles não sejam imortais, como todos os acordes que deixam. Obrigado pelo meu rock'n'roll de todos os dias, Scotty!
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