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sábado, 15 de fevereiro de 2014

Afastando-me lentamente, me sentindo tão santo, só Deus sabe, estava me sentindo vivo – Quando todas as canções de Tom Waits me fazem lembrar de você

O velho gato vira-lata Tom Waits


Era inverno, na maioria das vezes nem tão frio assim. Te convidei pra algum passeio e você topou. Desde a primeira vez que nos cruzamos houve uma sensação forte de ambas as partes.  Vou confessar pra ti, minhas pernas balançaram desde aquela vez. Mas voltando ao nosso primeiro encontro, não demorei pra encontrar o momento certo pra te encaixar em um beijo. E toda vez que nós encostamos os nossos lábios, até hoje, “Little Trip To Heaven” vem em minha mente. É assim que me senti a na primeira vez e é exatamente desse jeito que continuo me sentindo cada vez que te dou um beijo, uma pequena viagem ao paraíso. As conversas continuaram, a intensidade só aumentava, nossos encontros também e aí veio "I Hope That I Don't Fall in Love with You", afinal, sempre me senti como o gato vira lata descrito na música e além disso, igual ao verso final e, quando fui ver, já estava apaixonado por você. Nos divertimos a beça, temos que assumir, rimos muito e fizemos coisas bastante estupidas e diferentes. Toda vez que lembrava de você,  "Jersey Girl" vinha na minha cabeça. Você mora em uma cidade estranha, grande, perto de São Paulo e toda vez que eu ia te ver tinha a sensação de estar cruzando a cidade e você sabe, só pra te ver. Aí veio a primeira crise e, bem, "Blind Love" não saia da minha  vitrola. Resolvemos nossa situação até que rápido, mas eu me sentia como o James “Caído”, afinal, continuava apaixonado por uma “Gun Street Girl”.  Outras crises, mais algumas voltas se sucederam, e eu me dividia entre “Ol’ 55 e “Hang Down Your Head”, principalmente nos meus momentos de raiva, quase sempre intensos. Continuamos assim até agora, mas espero que não seja obrigado a pegar meus sapatos velhos e tocar “Old Shoes” por aí e acho que isso não vai acontecer, porque no fim, ambos sabemos que você é ruim como eu, da mesma forma que Tom Waits disse em uma canção

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Cinco músicas para te curar da ressaca de amor

Nem o Homem de Aço suportou e foi afogar as mágoas após Lois Lane fugir com Lex Luthor. Fica assim não Superman e leia o nosso post


Às vezes tudo dá errado. Sabe aquela menininha linda, cheia de carinhos, com um toque todo especial? Ela te deixou.  Aí você fica perdido, não sabe o que fazer, corre o risco de cair na bebedeira e ficar em uma agonia profunda durante alguns dias. Nesses momentos, aquele disco especial, aquela música toca na alma. Parece que todas as canções foram feitas pra você e seu par e bate aquela bad. No Toca CD, no MP3, no celular, onde quer que seja, sua playlist vai de “Cryin'”, do Aerosmith, até “Retalhos de Cetim”, de Benito Di Paula.  Mas deixe de lado esse astral negativo e cure suas dores de amor com as cinco músicas abaixo. Garanto que você vai ficar excelente rapidinho.

05 – Bad Company - Good Lovin' Gone Bad: presente em “Straight Shooter" , segundo disco da banda, e escrita por Mick Ralphs, é daquelas que você se identifica na hora. Sabe aqueles relacionamentos enrolados, com pessoas que parecem bipolares? É mais ou menos o que essa música descreve. Vale a pena colocar no talo e se deixar contagiar pelo vocal poderoso de Paul Rodgers. Certeza que você irá resolver dar a volta por cima.

04 – The Faces - Ooh La La: Essa é a canção que dá nome ao quarto álbum da banda, lançado em 1973. Escrita e cantada pelo lendário Ronnie Lane, trazendo uma tremenda lição em suas estrofes: “Eu queria saber o que sei agora, quando era mais novo./ Queria saber o que sei agora, quando era mais forte.” Quem não queria? Até mesmo Rod Stewart e Ronnie Wood, colegas de banda de Lane e que regravariam essa canção anos depois.

03 – Lou Reed - A Gift: sua autoestima anda baixa, tem horas que você quer cortar os pulsos ou fugir? Não faça isso e escute essa ótima música do grande Lou, que faz parte de “Coney Island Baby”, afinal, você também é um presente para as mulheres (ou homens) desse mundo.  





02 – Wando e Nando Reis – Minhas Amigas: a tristeza te pegou, seus amigos tiram o sarro de você só por conta de sua forte paixonite. Não esquenta e faça como o Mestre Maior do Universo, o saudoso Wando, e seu camarada ruivo Nando Reis e vá procurar suas velhas amigas. Elas sempre estão dispostas a proferir palavras de conforto, pode ter certeza.


01 – Tom Waits - The Part You Throw Away : nada de depressão, ok?  Faça como o Tom Waits e decida o que você vai jogar fora. É sempre bom e possível também arrumar novos sentimentos, pessoas e amores. O restante você jogar fora por aí!

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Cão sem osso – Carta aberta para uma cadela

O ritual sagrado de ir até a escada e esperar minha mãe voltar do trabalho
Os dois últimos dias foram difíceis e você sabe a razão. Na verdade, desde o ano passado tenho recebido alguns golpes baixos. Primeiro foi minha tia-avó, Apparecida Durante, a Tia Cida (ou “Palonça”), que foi embora, agora você. É muita sacanagem para menos de dois anos. Quando a Tia faleceu foi foda, mas ao mesmo tempo, libertador.  Até hoje fico emocionado quando lembro dela e aliviado, porque sei que ela se foi por vontade própria. Cansou-se das dores na coluna e se entregou de vez. Ela morava com a minha avó materna, Dona Dirce, e com meu tio Abel.  De vez em quando vou almoçar lá, mas confesso que não tenho coragem de subir no quarto da “Palonça”. Acho que tenho medo de quebrar o encanto que era ir lá e receber aquele beijo babado, mas extremamente carinhoso que só ela me dava. Eu vou subir, abrir a porta e ela não vai estar, então prefiro fingir que a qualquer minuto ela vai descer a escada e irá sentar na cadeira branca que fica estrategicamente colocada ao lado do sofá da sala. Mas e com você, como faço?


Sabe, hoje eu levantei, subi as escadas e não vi os seus jornais, já fiquei chateado. Aí fui ao quarto e foi fatal: você não estava lá, no seu cantinho, enrolada em seus panos velhos. Caí na real e percebi que nunca mais ia poder passar a mão na sua cabeça, bater no seu cobertor e te ver estender as patas, sempre abanando o rabinho. Senti um tremendo vazio e chorei muito, feito criança. Logo eu que sempre julguei idiota alguém chorar pela morte de um cão. Confesso que mudei de opinião e percebo que o imbecil era eu. Ainda muito triste, me sentei no sofá e liguei a televisão, mas quando senti a falta do seus potes de ração e água, as lágrimas voltaram a cair. Nem me deu vontade de almoçar, afinal, não tinha alguém para comer as sobras do meu prato ou pegar os pedaços de carne que eu arremessava e iam direto para a sua boca.


Fui sentindo sua falta durante o dia, ia à cozinha e não via aquele seu olhar desconfiado, pensando no que eu estava indo fazer lá.  Ficava lembrando as vezes em que te deixava em casa sozinha e ia resolver meus problemas ou comprar algo aqui por perto e a senhora, propositalmente, dava aquele “mijão” na cozinha. Aí eu sempre te dava uma bronca, te ignorava e você me olhava de forma cínica, meio que querendo dizer o seguinte: “Você me deixa aqui sozinha, me abandona e eu nunca fiz isso contigo, então fiz xixi aí mesmo só pra você limpar, seu trouxa.”


Nas conversas com amigos e parentes, ficamos lembrando suas histórias. Lembra quando você era novinha, mexeu em minhas coisas, pegou uma nota de R$50,00 e a rasgou? Eu fiquei possesso, ameacei te dar umas cintadas, mas não tive coragem. Mesmo assim Greta, você tinha o sangue ruim e dando altos pulos, avançava em mim. Outra memória que me veio, foi quando passamos juntos uns dias na casa da minha avó Cleide e você cutucou os vasos dela. Ela não se esqueceu disso e me falou que chorou ao saber de sua partida. Mas de tudo que você fez, o que eu não vou esquecer foi o dia em que você salvou minha mãe. Se houve algum tipo de missão destinada para ti, sem dúvida foi isso. Sempre alerta, você ouviu o estralo do estuque e começou a latir, acordando a dona Sandra. Foi só vocês duas saírem do quarto e o teto desabou. Só por essa atitude, já sou grato eternamente.

Bem, por mim ficava o dia todo falando desses quase 14 anos juntos, de quanto estou sentindo a falta do barulho dos seus passinhos, de suas artes e principalmente da sua companhia, mas tenho que te deixar em paz agora. Ontem, para aliviar um pouco essa dor, escutei uma música que se chama Old Shep. É a história de um menino e seu pastor-alemão. É uma canção linda. Os dois últimos versos dizem o seguinte: “Mas se cães têm um céu, há uma coisa que eu sei. O velho Pastor tem um lar maravilhoso”. Sou agnóstico, não tenho uma crença específica, mas pode ser que haja um paraíso reservado para os cachorros e imagino que você já esteja nesse local, doida para voltar. Mas não se preocupe com a gente, viu? Eu, dona Sandra e a Dami estamos aqui, como cães sem osso, tentando nos adaptar com esse silêncio e vazio que a nossa casa ficou sem tua presença, com esse mundo mais triste sem sua alegria e esperteza.

Preciso te deixar em paz e também ficar em paz, mas obrigado pelos anos de convívio, pelas alegrias, amor, afeto, companheirismo e principalmente por sua lealdade conosco. Desculpe-me pelas broncas, xingamentos, brincadeiras fora de hora e por ter te deixado sozinha em alguns momentos ou não ter o hábito de te levar para passear. Tudo que eu pude fazer, eu fiz. Obrigado Greta, se cuida e apronta muito por aí, mas saiba que eu estou morrendo de saudades. Um beijo, igual àqueles que eu te dava na testa. Se um dia resolver voltar, o que acho bastante improvável, as portas da nossa casa sempre estarão abertas. Fique bem sua “cadela”. Qualquer dia, nos vemos por aí...


 
A última foto

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Gigantes do ringue

Desempregado X Mercado de Trabalho -  O Duelo de Gigantes

E ele vai ao ringue outra vez. Já cansado, mas com muita força, preparado para a próxima porrada. Sua visão já não é mais a mesma de outrora e seu modo de caminhar já está mais lento, mas mesmo assim, se sente preparado, sabendo que tem grandes chances de vencer. Com suas luvas negras e com um calção desbotado, irá enfrentar seu pior adversário, o mais forte de todos. Ele já foi nocauteado por esse oponente algumas vezes e, mais do que uma revanche, é a chance de mostrar para si próprio, a capacidade de garra e talento que tem.  O oponente não treme, nem se intimida, sabe que é pior do que Ali, Mike Tyson, George Foreman ou Eder Jofre. É um sujeito sanguinário, uma verdadeira máquina, nasceu para ser campeão e foi criado para isso. Apesar disso, se sente vazio diversas vezes, mesmo após fumar um de seus charutos cubanos.  É chegada a hora do combate, chamado por muitos de “O Embate dos Séculos”.  Mais uma vez, como faz dia após dia, o Trabalhador Desempregado tenta vencer o Mercado de Trabalho.

O Trabalhador Desempregado se preparou da seguinte maneira: prestou vestibular, fez faculdade privada por quatro anos, ainda deve algumas mensalidades, mas todo dia tenta se aprimorar mais. Lê bastante, estuda mais um pouco, busca melhorar seu inglês e também quer aprender outros idiomas. Pega chuva, trem, metrô e ônibus lotado, mas não desiste da sua tentativa de vencer o, cada vez mais difícil, Mercado de Trabalho. Já o Mercado de Trabalho se utiliza de uma frase clichê, diz que nasceu pronto e que sempre está disposto para uma revanche. E não é que o danado está preparado mesmo!

Agora os dois estão no ringue, o público mantém os olhos fixos no grande palco da humanidade. Todos cantando e gritando muito. O coro arrepia os verdadeiros gladiadores do Terceiro Milênio. O juiz já está apostos, dita as regras e realiza o toque das luvas. Começou o primeiro round. Trabalhador Desempregado estuda o jogo do adversário, observando principalmente a dança, a maneira suave que o Mercado de Trabalho se desenvolve pelo tablado. Opa! Um momento de desatenção do Desempregado e um swing de direita de Mercado de Trabalho. Desempregado cai à lona e nesse momento deve estar pensando nos anos desperdiçados. Deve se lembrar de quando a família ofereceu a oportunidade de cursos de especialização e ele não aproveitou, das aulas perdidas na faculdade, naqueles momentos de pura infantilidade, onde preferiu tomar algumas cervejas e relaxar, ao invés de se arriscar em uma oportunidade de construir algo singelo, mas com alicerces seguros. Lembra também que muitas vezes desistiu simplesmente por desistir, talvez falta de entusiasmo e, por conta disso, mais a necessidade, foi obrigado a fazer o que não gostava. Mas agora não, ele sabe que será um crime desistir e antes do juiz iniciar a contagem, como em um filme de Rocky Balboa, se levanta. Nada vai abalá-lo dessa vez. A luta recomeça.

 
Desempregado já cansado de tanto apanhar


Trabalhador Desempregado se sente firme e com todo ar que possui em seu pulmão, vai pra cima do grande campeão e solta um forte jab de esquerda, agora um cruzado, mas mesmo assim Mercado de Trabalho não se entrega.  Apesar de uma sequência fantástica de golpes, Trabalhador Desempregado está aparentemente cansado e abre a guarda. Uma ótima oportunidade para Mercado dar a porrada final. É o que ele faz. Um soco direto coloca o Desempregado ao chão, mas dessa vez nenhum filme passa na cabeça desse oponente quase derrotado. A contagem começa: “dez, nove, oito...”, vai dizendo o arbitro, até que, surpreendentemente, Mercado de Trabalho oferece sua mão direita e puxa o Trabalhador Desempregado. Os dois se abraçam. Mercado de Trabalho sussurra as seguinte palavras : “Eu preciso de você, cara. Já ganhei trilhões, muita grana mesmo, mas sem sua presença, nada disso era possível. Todos os dias que você pegou chuva, enfrentou o transporte público lotado, eu estava lá, te observando. Talvez seja por isso que estou mais preparado do que você e acabei ganhando as outras lutas. E, propositalmente, vire e meche, colocava você para lutar com adversários menores, até mesmo com seus próprios demônios. Mas hoje você não desistiu e por isso te ofereci a minha mão. Vi que se arrependeu dos erros do passado e está tentando começar com força total agora, mas para eu poder te ajudar, preciso que você mantenha a mesma postura dessa luta. Tenha força, garra e o foco dessa noite. Eu só posso ser campeão se você estiver junto. Posso contar contigo?”

Desempregado, com os olhos cheios de lágrimas, disse que dessa vez o Mercado de Trabalho poderia contar com ele, pois estava preparado. Mercado riu e conclui sua fala: “Vamos ter muitas brigas ainda, mas sabendo que você não sairá do trilho, vamos ser sempre campeões.”

 
Mercado de Trabalho e o Desempregado confraternizam 



Trabalhador Desempregado, completamente suado, apertou as mãos do Mercado de Trabalho e percebeu que agora, apesar da luta continuar, estaria seguro e pronto para as próximas batalhas, mas podendo contar com um parceiro de peso. Como em um filme americano, o duelo de gigantes teve um final feliz e com ambos vencedores. Foi uma grande luta!

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Contra os sonhos, o direito a educação e a juventude

FEBEM - Fábrica de Querôs



A diminuição da maioridade penal não resolve o problema. Mas as pessoas que estão se apegando nessa ideia insistem em dizer frases apelativas como: “Se fosse um filho ou um sobrinho seu vítima de um crime cometido por um adolescente  tenho o certeza que você apoiaria!”


Será que essa é a raiz de todo esse dilema ou seria apenas a solução mais fácil?


Sem dúvida alguma é bem mais fácil alterar essa lei, superlotar cadeias, transformar adolescentes infratores em verdadeiros criminosos e ainda pagar quase R$1000,00 para mantê-los em ‘cana’. O povão aprova, bate palma para o governador, deputado, senador ou presidente que é a favor dessa situação, afinal, a educação e a cultura não é importante e nem transformam vidas. A progressão continuada, ah, essa sim, mantém a garotada na escola e mesmo sem aprender coisa alguma, ele será alguém um dia. Realmente, será alguém que não consegue construir seus sonhos, porque a educação, que é seu direito constitucional, foi negada. Não sobrarão opções e ir para o crime é a única saída (ou a única que ele conhece), afinal, os governantes não estão nem aí para a periferia.

Saibam vocês que são a favor da redução da maioridade penal e que aplaudem de pé essa causa, que os verdadeiros assassinos continuarão soltos e ainda irão rir de sua cara, pois cada crime cometido por um adolescente, quem deveria ir preso é cada um dos políticos que negaram ou roubaram grana da educação, cultura e de projetos sociais, porque querendo ou não, foram eles que colocaram a arma na mão desse jovem, afinal, negaram a ele o básico de sua vida.

Então, em vez de gastar energia defendendo a varrição da sujeira para baixo do tapete, apoiem causas nobres, saiam para as ruas e peçam medidas realmente decentes para a juventude desse país. Briguem pela educação, para salários melhores para os professores e deixem dessa ideia de matar as saudades de um tempo ruim que não vale a pena ser lembrando, afinal, você sente falta das velhas FEBEMS dos anos 80, 90? Você não julgava esse tipo de instituição como uma verdadeira escola de criminosos? Então deixe de ser hipócrita e grite, esperneie e se revolte pelo direito de educação, sonhos e trabalho. Fora isso,  é bem melhor se manter calado.

(escrito em abril)